A CATEQUESE DO NOSSO TEMPO

  

            Existe um provérbio judeu que diz: A memória é o pilar da redenção e o esquecimento o começo da morte. Dentro dessa perspectiva venho fazer memória, junto a vocês, de um fato por demais importante, um marco no cenário eclesial, ocorrido em 1983: trata-se do surgimento de um Documento voltado à catequese no Brasil, criado pela CNBB :  “CATEQUESE RENOVADA, 26”.

            Ele veio revolucionar o meio catequético com suas inovações e como iniciação  à  fé e vida da comunidade. Foi considerado o mais importante documento catequético brasileiro, além de uma cartilha de todos os catequistas no cenário nacional, servindo até hoje de parâmetros para que crianças e adultos tenham uma catequese sólida, segura, preocupada com a fé e ligada à vida. Procurou estudar melhor a natureza (meio ambiente) e mostrar que uma verdadeira educação da fé, só pode ser realizada fundamentada nos acontecimentos do dia a dia.

            O modelo catequético ligando “fé e vida,” procurou, no contexto latino americano, disponibilizar  seu trabalho na “opção preferencial pelos pobres”.  É nessa caminhada de fé ao longo desses 20 anos que, inspirados pelo Espírito Santo, os bispos do Brasil aprovaram na 41ª Assembléia, realizada em Itaicí no mês de Maio de 2003, o novo Documento 71, o qual vem trazer a complementação e atualização do documento anterior (26), com os mesmos objetivos e diretrizes, fundamentado numa evangelização plena e voltada ao ser humano no todo. Os objetivos gerais são:

- Proclamação da Boa Nova de Jesus Cristo.

- Busca da santidade por meio do “serviço, diálogo, anúncio e testemunho de comunhão”.

            Com o mesmo objetivo da “opção preferencial pelos pobres”, foi buscada a promoção da dignidade de todos, participando juntos como povo de Deus e construindo o seu Reino; lutando por uma sociedade justa e solidária.

 

            Entre os anos de 2004 a 2006, manteremos  uma linha de continuidade com as diretrizes da Catequese Renovada que se identifica com o que Jesus diz: Ide por todo mundo pregai o Evangelho a todas as criaturas... (Mc 16,15). “Evangelizar é, dessa forma, a grande graça e, ao mesmo tempo, a constante tarefa da Igreja”. É como bem disse São Paulo à comunidade de Corinto: Ai de mim se eu não  anunciar o Evangelho! (1Cor 9,16).

            Sabemos que os dons e talentos que recebemos do Espírito Santo têm sua diversidade e são muito ricos em quantidade e qualidade, o que os torna propício ao cumprimento do serviço às comunidade e aos irmãos. Resta-nos, portanto, descobrir a melhor forma  de servir, a pastoral que mais se identifica com o(s) talento(s) que recebemos. São vários os Ministérios e as opções pastorais.

            Nesses 20 o mundo vem experimentando grandes mudanças, principalmente o avanço vertiginoso da tecnologia que trouxe consigo novas formas de viver, trabalhar e evangelizar. Decorrente da globalização, temos a internet, que torna possível  conversar, mandar  mensagens e recados ao mundo todo em tempo real. Não será esse um novo meio para entabularmos um novo jeito de evangelizar? A realidade apresenta hoje aspectos nunca antes imaginado, aos quais devemos nos adaptar.

            As dificuldades atuais para uma boa catequese são  talvez o maior desafio. Entre elas podemos destacar: o consumismo exagerado, o “amor” aos bens materiais, o pluralismo religioso, a livre escolha dentro da própria comunidade, o desinteresse dos pais (catequese infantil) na colaboração com os catequistas e o  desânimo até mesmo das próprias crianças. Talvez os pais não tenham entendido ainda que a catequista não é uma professora, dentro dos padrões convencionais, e que as crianças, por este mesmo princípio, não são alunos; ao contrário, trata-se de uma cristã vocacionada, trazendo e partilhando  experiências da vida, juntamente com as  mensagens de Jesus Cristo. 

            O que temos que entender é que a catequese é muito mais abrangente do que parece. Por fidelidade a Jesus Cristo é missão da Igreja ser responsável em oferecer uma evangelização adequada ao seu tempo. Os desafios nos tempos atuais, como vimos, são muitos e bastante complexos. Por isso, são propostos nesse documento (71), no capítulo III, alguns desafios:

-  Promover a dignidade da pessoa, buscando sua identidade sem interferir na do outro, esquecendo o individualismo, respeitando  seu irmão.

- Renovar sempre. A comunidade deve buscar condições adequadas para o desenvolvimento de suas pastorais e principalmente a catequese, através do serviço, anúncio e testemunho de todos.

- Construir uma sociedade solidária, sem exclusão. Não permitir que o preconceito e discriminações ocupem lugar no seio da comunidade, que de uma forma ou de outra serve exclusivamente a Jesus Cristo.

            Esperamos que estas Novas Diretrizes para uma Evangelização mais desafiadora, tenham como base os três eixos da vida humana:

1. A pessoa

2. A comunidade

3. A sociedade.

Estes devem ser os referenciais para uma catequese produtiva a partir de 2004, que traga bons frutos ao serviço do Senhor.

            No decorrer desse ano, esperamos poder dialogar de uma maneira mais direta buscando juntos a verdadeira identidade do catequista que, silenciosamente, desenvolve um árduo trabalho na seara do Senhor disse Jesus: “...a colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37), mas, esse pouco poderá ser um fermento na massa, temos certeza.

 

Vamos refletir?

- Que dons e talentos tenho a oferecer ao serviço catequético evangélico de minha comunidade?

- Qual tem sido o meu testemunho de vida como cristão comprometido com o Reino?