A melhor idade..." - Profª Dita

É sempre uma alegria e responsabilidade que a cada ano se repete, com a chegada da Campanha da Fraternidade. É uma preocupação, em primeiro lugar da CNBB, mas que também deve ser de todos, fazermos chegar às comunidades uma conscientização dos problemas sociais que nos envolvem e nos atingem diretamente, ainda mais que, esse ano em particular, diz respeito a nossos pais e avós, pessoas queridas e amadas que nos transmitem sabedoria e experiência.

Estamos vivendo atualmente a 3ª terceira fase da Campanha da Fraternidade, onde se procura despertar e conscientizar a Igreja de seu papel como agente de Deus e compromisso com nosso batismo, em relação à nossa comunidade; talvez por isso a CNBB deu destaque ao idoso, lançando o tema Fraternidade e as Pessoas Idosas, e com o lema Vida, Dignidade e Esperança.

Podemos destacar alguns aspectos, em vista do lema da campanha, que nos convida a refletir sobre a presença dos idosos entre nós. O uso da expressão terceira idade vem pouco a pouco sendo substituído pela expressão "melhor idade" por se entender que é nesta fase da vida que o homem e a mulher experimentam o melhor em acumulo de experiência, sabedoria e discernimento, tornando-se exemplo e testemunho para os mais jovens.

Quando falamos em vida, dignidade e esperança, podemos pensar na maneira como estamos tratando hoje os idosos que nos cercam.

Convém também recuar um pouco na história, principalmente do povo Hebreu, para quem o idoso representava sabedoria e entendimento, sendo colocados em posição de destaque e liderança entre eles "Levante-se diante de uma pessoa de cabelos brancos e honre o ancião..." Lv 19, 32. Nos chama atenção o fato deste texto estar inserido no livro de Levíticos, o código de lei do povo de Deus. Isto quer dizer que era algo que deveria ser cumprido pelo povo.

Mas não apenas o livro de Levíticos nos apresenta o respeito devido ao idoso, também na literatura sapiencial, ou seja, na sabedoria popular inserida nos provérbios, outros textos também nos dão conta de como eles, mesmo de forma inconsciente, já colocavam em prática o lema da CF para seus idosos, Vida, dignidade e Esperança, como por exemplo "cabelos brancos são coroa nobre, quando se encontram no caminho da justiça" Pr 16, 31.

A comunidade dos Apóstolos também valorizava seus idosos, colocando-os em posição de destaque e liderança em suas comunidades, e isto podemos ver em várias situações, como por exemplo "os apóstolos designaram anciãos para cada comunidade; rezavam, jejuavam e os confiavam ao Senhor, no qual haviam acreditado" At 14, 23.

As principais questões entre o povo também não podiam ser resolvidas sem a participação dos anciãos, como por exemplo no primeiro concílio da Igreja realizado em Jerusalém para tratar de questões importantes, onde os interessados eram cristãos vindos do judaísmo e do mundo pagão (gentios), e onde vemos claramente os anciãos em destaque "Então os apóstolos e os anciãos se reuniram para tratar deste assunto". At 15, 6.

 Interessante destacar que na visão apocalíptica João, ao divisar os 24 tronos (simbolizando as 12 tribos de Israel e os 12 apóstolos, ou seja as comunidades da Antiga e Nova Alianças) ao redor do trono de Deus, vê neles assentados 24 anciãos.

 Diante de tudo isso, podemos observar que talvez estejamos longe de tratar nossos anciãos nos dias de hoje com o mesmo respeito e dignidade que recebiam. Portanto, acreditamos que a CNBB foi feliz na escolha, para este ano, de um tema que realmente vai mexer com todos, envolvendo-nos de forma direta, pois cada um de nós de uma maneira ou de outra também convivemos com idosos à nossa volta.

A grande questão é: Como estamos tratando nossos idosos hoje? Como trazer de volta sua dignidade reinserindo-os no convívio social? Vamos refletir:

1) No que posso contribuir em minha comunidade para que haja uma vida digna e de esperança para os idosos?

2) Que trabalho eu posso desenvolver para que se reverta o processo social de exclusão dos idosos?