Memória Judaica - Profª Dita

Este estudo está fundamentado numa frase ou ditado popular judaico: "a memória é o pilar da redenção e o esquecimento o começo da morte". Nela predomina a riqueza da tradição em fazer memória contínua de todos os acontecimentos importantes do povo, a fim de que nada se perdesse para as futuras gerações.

Capítulo I

Interpretando as palavras chaves

Memória:

O vocábulo "memória" deriva da raiz indo-européia men = pensar; surgindo daí vários significados de acordo com o código lingüístico adotado. No inglês, a palavra mind significa lembrar, relembrar, dedicar a mente, ter em mente. Devido seus significados serem interligados, os historiadores, teólogos e gramáticos concordaram que todos os derivados da raiz men têm o sentido de lembrar-se.

De Homero a Jesus Cristo, o termo memória tem se destacado como idéia central de seitas e religiões gregas (antigo helenismo). Homero dizia ser Hade (cidade grega), era um reino lhqh (léte) = olvido, esquecido, onde seus habitantes eram mudos e sem memória. Segundo Homero, este termo podia ser aplicado a: esquecimento, silêncio, morte. Ele via a memória como poder dos deuses sobre os mortais, por isso impossível de consegui-la sem a ajuda do divino.

Um outro movimento filosófico da época, o gnosticismo, via o poder de lembrar como um mal, pois segundo eles, sua alma havia se desligado do divino, e como castigo não devia lembrar-se da sua origem por ter sido contaminada pelos males da terra.

A Septuaginta (LXX) vê a raiz men correspondendo ao verbo hebraico zakar =lembrar-se, para o bem e para o mal (Gn. 40,23).

No AT, o termo "lembrar-se de Deus" aparece 53 vezes, o que nos faz descobrir que teologicamente a palavra memória é por demais complexa. Para o israelita, o lembrar de algo acontecido no passado não significava apenas memorizar o fato ocorrido, mas evocar uma imagem dentro da alma determinando o rumo futuro de sua vida. Isso implica que: passado, presente e futuro estão interligados.

Quando o povo hebreu se lembrava de Deus, inconscientemente pedia para que Ele conduzisse sua vida. É isto que podemos comprovar no escritor deuteronomista (Dt 7,18). O israelita em cada geração se lembra do que Javé fez por ele e assim pode participar da redenção. A memória dos acontecimentos bons, o perdão pelos pecados cometidos e o reconhecimento de Javé como o seu Deus único é a esperança maior de todo o povo (Ez 6,9s; 20,43s).

Deus estabeleceu uma aliança com seu povo, que se expressa na obediência aos seus preceitos e ordens. Sinais e memoriais são inseridos nesta visão para garantir e manter por todas as gerações o relacionamento (Javé/povo). Sua vivência e seus cultos são, até hoje, memória viva e lembrança contínua desta eterna aliança.

Seus objetivos de culto e rituais se fazem presentes:

- a coroa do templo (Zc 6,14);

- os pães ázimos (Ex 13,9);

- as pedras do rio Jordão, "para que servissem como memorial dos filhos de Israel" (Js 4,7).

No meio das celebrações em Israel costumava ter um momento de catequese onde os filhos perguntavam e os pais respondiam, ensinando-lhes a memorizar os eventos considerados imortais.

No contexto brasileiro atual, ou mesmo depois do descobrimento, nossa memória não foi preservada; não demos nenhuma importância aos nossos monumentos, documentos, genealogias e tradições, nada foi preservado em sua totalidade. O pouco de memória histórica que possuímos é inteiramente deturpada por autores dos livros didáticos, onde enfatizam feitos de bravuras de quem talvez nem os tivesse praticado.

Um dos motivos é que a nossa história é contada pela classe dominante o que enaltece somente seus feitos. A verdadeira história a partir do povo não é contada e nem comentada por ele sob ameaça de ser considerado subversivo, comunista, idealista etc.

Redenção

Para explicar este vocábulo, o israelita possui vários significados. Pode ser: resgatar, remissão, todos derivados da raiz pdh, que tanto serve para explicar o resgate de um servo (Ex 2,8), como mostrar que Javé é o libertador do seu povo (Dt 7,8). O povo esperava confiante que o Senhor lhe resgatasse a alma da morte (Sl 34,23).

Na época de Jesus os cristãos acreditavam que ele era o continuador de Javé na redenção de todos. "O próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos" (Mc 10,45).

No Antigo Testamento, o termo redenção significava apenas libertação; e é no livro do Êxodo onde mais é citado com o intuito de salvação (Ex 6,6ss; 14,13); Contudo, os cristãos a entendiam como a presença forte do Espírito Santo a partir de Pentecostes.

Os profetas no AT, principalmente Isaías, enfocam por diversas vezes o termo redenção, quase sempre em referência ao Messias, o qual virá redimir a todos. Ezequiel fala de uma redenção concedida aos pecadores (Ez 16,60-63).

Quando a infidelidade levou o povo a destruição de Jerusalém (século VI a.C) e ao Exílio, depois de décadas de sofrimento, a sua libertação por Ciro teve o significado de redenção de resgate do jugo babilônico. Aqui novamente o fator memória vem marcar o vínculo forte nos acontecimentos do passado. Desde o pai Abraão quando atendeu a ordem de Deus até aquele momento, o povo não parou de invocar, pedir socorro e se lembrar da primeira redenção, e também aguardar uma libertação definitiva.

É certo que muitos judeus esperavam um redentor e libertador que os livrasse da opressão que lhes impunham seus dominadores, ou alguns piedosos até que os livrassem de suas culpas. Os Salmos nos dão esta impressão com suas categorias de lamentos, pedidos de perdão, confiança e esperança.

De toda interpretação dada a palavra redenção antes de Cristo, ela veio concretizar-se com ele através da instauração da verdadeira liberdade para todos que cressem nele, é o que o apóstolo Paulo nos diz: "De Sião virá o libertador que tirará as impiedades de Jacó ..."(Rm 11,27). Quando Paulo cita este trecho do profeta Isaias (Is 59,20-21 ; 27,9), quer de certa forma mostrar aos judeus-cristãos que Jesus tinha vindo para cumprir a história da salvação iniciada no Êxodo.

Finalmente, este vocábulo tem muito a ver como o nosso povo brasileiro que quase sempre foi dependente de todas as formas de colônias européias e da América do Norte. Somo escravos também do preconceito em diversas formas e até de nós mesmos. O pior é que quase sempre o povo não sabe como se livrar dos grilhões, pois os elos das correntes cada vez mais nos apertam e nos sufocam. A quem recorrer? Será que podemos confiar no amor cristão dos nossos governantes ou no nosso Deus como confiou o povo hebreu? Acho que a nossa redenção deverá vir através do poder da nossa fé e luta. É como o provérbio popular que diz: "quem trabalha Deus ajuda". Não podemos ficar de braços cruzados esperando que os homens se entendam e juntos se lembrem de como Deus tinha planejado ser a vida do Ser humano por ele criado, ou que tudo exploda.

Morte

O termo hebraico usado no antigo testamento para morte, geralmente é "muet" = morrer, ou "teleutâo" (grego) na septuaginta. Para os gregos a morte significava o fim da atividade da vida e a destruição da existência. Ainda que o espírito (alma) achasse um lugar no reino dos mortos seu conceito sobre ela era o mesmo. Eles não possuíam uma doutrina como os judeus sobre a criação. Os gregos não sentiam curiosidade sobre a morte, por saberem que era um mal irremediável, extensivo a todos. Seu conceito era de que tudo o que nasce tem que morrer, com exceção dos seus deuses. Na perícope de Paulo em 1ª Coríntios 15: 32 diz: "comamos e bebamos porque amanhã morreremos"; há muito do pensamento grego no que Paulo diz.

Era comum observar-se nas salas de jantar romanas, telas com figuras de esqueleto, expressa a seguinte frase: "Conhece-te a ti mesmo". Por trás destas palavras havia uma mensagem e um convite para o bom aproveitamento da vida antes do indivíduo chegar àquele estágio (morte).

No Antigo Testamento também o homem encarava a morte como o fim de tudo. Isto fica evidente quando ele se queixava que a morte o separava de Iavé, a fonte da vida. O cântico do rei Ezequias é um exemplo concreto de como eles viam a aproximação da morte (Is. 38: 10ss). O israelita sabia que a morte não era um castigo divino, que Deus quando criou o homem seu plano era que ele fosse imortal; foi o próprio homem quem buscou esta morte através da sua desobediência a Deus. Desde a criação que o Ser humano associa a morte com o pecado. Caminhando pelo Novo Testamento, percebemos que esse pensamento continuou, pois este foi o pensamento de Paulo "O salário do pecado é a morte..." Rm. 6: 23.

Após o exílio todo o povo se fortaleceu no amor e na confiança maior em Javé, advindo daí um relacionamento mais individual e, conseqüentemente, mais apego a vida e mais terror a morte. Eles encaravam a morte como um castigo pelos pecados cometidos. Se alguém vivia muito, sem dúvida esse era um Ser abençoado por Deus, sendo assim amado e respeitado por todos.

Existe também uma interpretação para a palavra "morte" no sentido figurativo. É o que percebemos quando o deuteronomista associa a vida com obediência a lei e a morte como idolatria e desobediência (Dt. 30: 11 - 20). A morte, segundo o pensamento israelita, só ocorre quando o homem se afasta de Deus. (Ez. 18: 21).

No Novo Testamento os cristãos viam a morte como via o judeu. "O homem vive a sombra da morte" (Sl. 23: 4; Mt. 4: 16), e somente Deus é imortal, e para podermos vence-la somente através de Jesus Cristo. Cristo venceu a morte quando ressuscitou por todos os homens, por isso a esperança de imortalidade e de ressurreição que despontava no antigo testamento, encontra agora no mistério de Cristo a sua base firme. A nossa certeza é que aquele que ressuscitou venceu a morte.

Aplicando o termo "morte" aos dias de hoje, vemos que é muito relativo. Há pessoas que a vêem como uma passagem para o outro lado, ou uma libertação ou ainda o caminho para o céu ou um mistério assombroso e incompreensível. Esses diferentes pensamentos são extensivos também aos cristãos (a muitos deles); esta pelo menos foi a opinião de algumas pessoas sobre a frase pesquisada.

Minha opinião é que a morte é o fim de uma luta árdua, é a prestação de contas do que plantamos aqui e o encontro com o nosso Criador.

Capítulo II

Tradições e costumes

Para entendermos um ditado ou provérbio de um povo, antes necessitamos conhecer um pouco de sua vida, tradição e costumes. Tudo teve início com o chamado de Deus a Abraão (1800 a.C.) para formar uma nação na Palestina (Canaã). Logo no início, como esse povo se sentisse escolhido, procuravam não se misturar com os outros, não celebrando casamentos mistos com as mulheres cananéias. Todos eles admiravam ou, quem sabe, veneravam as quatro figuras principais representativas do seu povo: Os três patriarcas - Abraão, Isaque, Jacó - e Moisés. A aliança com Deus através do decálogo dado a Moisés, sela entre eles um pacto, uma fé e confiança eterna em seu Deus, por isso que desde a libertação do Egito até o dia de hoje o povo judeu sente necessidade de memorizar e de transmitir aos seus descendentes toda a tradição como lhe foi transmitida; os acontecimentos bons e os difíceis, onde Javé foi sempre a principal figura.

O judeu foi considerado sempre um forte; procurou defender a sua terra de todas as maneiras, pois significava para ele uma terra santa e o seu lar. Por várias vezes Jerusalém, seu lugar de oração e culto, foi destruída, entretanto não desanimaram e sempre buscaram em Javé proteção e libertação. Supõe-se que todos acreditavam numa próxima redenção. Os sofrimentos e lutas não diminuíram a sua fé. Toda a religião judaica é firmada no conceito de obediência total às leis de Moisés e delas derivam o Islamismo e o Cristianismo.

Afirmamos isto por várias razões: a herança do antigo testamento firmado no livro sagrado dos judeus (a Torah) e nosso também (Bíblia). Para eles a Torah não era apenas um livro sagrado, mas regia o seu modo de viver servindo para estudo, meditação e instrução do povo. O judeu recitava todas as leis de cor devido ao estudo intensivo desta. As escrituras regiam suas vidas de todas as formas. Era lá que buscavam os prenúncios do futuro e os destinos da nação. Como livro divino e escrito para gerações, confiavam plenamente no que ele dizia. Os pais se sentiam na obrigação de aprender os ensinamentos contidos nele e de transmitirem aos seus descendentes. Todos deveriam saber ler o texto, interpreta-lo e expor a todos para juntos descobrirem o que Javé estava querendo dizer àquela geração.

Os conhecedores profundos da Torah (os sábios) ensinavam nas praças, nos pátios do templo e até em casas particulares. Ensinavam os preceitos da Torah e assim faziam para que todos tivessem a oportunidade de, aprendendo as leis, conhecerem o passado, o presente e o futuro, e conseqüentemente expandir esta educação a qual se tornava obrigatória para todos. Desde que a criança começava a falar, seu pai também iniciava o ensino da Torah, dizendo ser ele ordenado por Moisés "uma herança da congregação de Jacó" (Dt. 33, 4) "aquele que não estuda a Torah e não a ensina, rejeita a palavra de Javé e deverá ser eliminado do meio do povo" (Nm. 15, 31).

Os judeus após o exílio e até os nossos dias se espalharam por todo o mundo (diáspora), porém o que os distingue dos outros povos é que mesmo mantendo intercâmbio cultural com outras denominações e outros povos não se esquecem dos preceitos, tradições e costumes desde os tempos de Moisés. É como se eles vivessem ao mesmo tempo o passado, o presente e o futuro.

É muito comovente vermos hoje um judeu falar dos seus antepassados, é como se ele tivesse estado lá. Possuem conhecimentos recebidos de seus pais e mestres sobre todas as leis e costumes, fazendo questão que permaneçam para sempre. No mundo moderno o jovem judeu ingressa em universidades e possui profissão dentro da ciência moderna, mas não esquece seus costumes e tradições. Quanto ao uso de sua língua de origem (hebraico) hoje ela é falada em toda Israel sem distinção, desde a pré-escola até a universidade. A língua revivida criou alma nova no povo. Mesmo os judeus da diáspora procuram preservar suas raízes aprendendo o hebraico e os novos valores surgidos entre o povo. Em todos eles há sabedoria para enfrentar situações difíceis, como as que passaram (duas destruição do templo, o holocausto na Alemanha) e as que virão.

Lendo alguns relatos do talmude e do midrash para descobrir como realmente pensava o povo de Israel, notamos que a narrativa do nascimento de Abraão tem semelhança com a do nascimento de Jesus "quando nasceu Abraão os astrólogos viram no oriente uma estrela luminosa que ofuscava todas as outras". Diz também o talmude que Miriam profetizou: "esta criança será a salvação do povo judeu". Quando Moisés morreu, assim narra o talmude: "o mundo foi criado por amor a Moisés, e a sua alma se estende, se alarga, e está presente em todos os corações e em todas as épocas. Ela sobrevive em cada homem justo e sábio que estuda as escrituras".

Sempre houve na vida deste povo grandes sábios que com a sua erudição conseguirão até burlar as leis romanas. Conta o talmude que o rabi Ruben ben Istrobli soube de um decreto romano proibindo a guarda do sábado. Ele então cortou seu cabelo à moda romana e se infiltrou no meio das altas autoridades se passando por um deles. Certo dia numa conversa amigável, o rabi perguntou: achas que o inimigo deve ser mais rico ou mais pobre? - claro que cada vez mais pobre! Respondeu o romano. Neste caso seria conveniente não permitir que ele trabalhe no sábado para que assim ganhe menos. Tens razão, disse o rabi, não havia pensado nisso. Assim ele conseguiu que revogassem aquele decreto editado.

Nas parábolas dos rabinos, em seus sábios provérbios, havia um ensino doutrinário para todo o povo hebreu, porem sempre fundamentado na lei de Moisés. Dizia o sábio rabi Zirá: "Peço-vos que não vos afasteis da redenção. Temos uma tradição segundo a qual o Messias surgirá como um achado, de maneira totalmente inesperada". Para eles o mais importante era ter fé sobre qualquer situação, nunca desanimando e esperando a vinda daquele Messias prometido. Sua memória fotográfica causa espanto e inveja a muitos de nós cristãos. Um dos 13 princípios enumerados pelo filósofo Moisés Maimônides dizia: "Acredito com fé absoluta na vinda do Messias, e mesmo se ele tardar, jamais deixarei de esperar por ele".

De geração em geração o povo israelita passou aos seus descendentes as mais importantes datas históricas para que sempre relembrassem o poder de Javé. Em primeiro lugar o judeu conta os anos não a partir do nascimento de Cristo como nós, mas (segundo eles) pelo início do próprio mundo fundamentado nos relatos bíblicos. Isto quer dizer que hoje, 2002, estamos no ano judaico 5.763, cálculo feito por rabinos a 2000 atrás. Algumas das datas históricas são:

a) TISHRI - Mês que equivale a setembro/outubro em nosso calendário. O primeiro e segundo dia de TISHRI coincide com o ROSH HASHANÁ, quando segundo a tradição judaica o mundo foi criado.

b) Shabat - Durante 24 horas (da véspera até o anoitecer no sábado) o judeu se abstém do trabalho e se dedica a oração e ao lazer em família, como também à sinagoga. Visita os enfermos e os que precisam de ajuda.

c) Pessah - É comemorada do dia 15 a 22 de (entre março e abril). Comemora-se teologicamente o nascimento do povo judeu, ou a passagem da escravidão para a libertação. É nesta celebração que é narrado todos os acontecimentos da fuga apressada do Egito tendo como líder Moisés.

d) Shavuot (festa das semanas) - Mais tarde relembrava a entrega do decálogo a Moisés. É considerada a data comemorativa do nascimento da religião judaica. Esta festa é celebrada exclusivamente na sinagoga. Dentro do shavuot comemora-se também a segunda colheita quatro meses depois, nos dias 15 a 23 (setembro, outubro).

e) Sukot, ou cabanas - Nesta festa é lembrado os quarenta anos da travessia do deserto quando o povo não tinha casas fixas, mas apenas frágeis cabanas, e mesmo assim eram protegidos pela mão de Javé. Novamente o passado se torna presente nas tendas armadas dentro dos lares e nas sinagogas. É a época da terceira colheita, o que faz a festa mais bonita, com o agradecimento do povo pelas bênçãos recebidas.

f) Yom Kippur (dia do perdão) - É celebrado no dia 10 (setembro, outubro) logo após o ano novo judaico. É uma comemoração diferente onde o judeu se renova espiritualmente retornando ao caminho do bem. É mais ou menos como um exame de consciência coletivo. Durante 24 horas ele permanece em jejum, meditação e oração. No final do dia todos se abraçam e tem inicio um novo ano de trabalho e luta.

É curioso que eles guardam e recordam também as datas tristes. Segundo eles, é para que se lembrem que o que ocorreu de mal em suas vidas foi culpa exclusivamente deles e as retendo na memória não incorram no mesmo erro novamente.

Algumas de suas lembranças mais tristes foram:

a) A destruição do primeiro templo

b) A invasão babilônica

c) O jejum de Esther

d) As quedas de Jerusalém (586 a.C e 70 d.C.)

e) O levante do gueto de Varsóvia. Foi uma rebelião do povo contra o massacre nazista a 6000 judeus.

Conclusão

Procuramos nesta reflexão definir o pensamento do autor deste provérbio "a memória é o pilar da redenção e o esquecimento é o começo da morte". Definimos como o povo judeu valorizava sua memória e sua tradição através dos descendentes em todas as épocas e em todas as partes do mundo. Tentamos transmitir a fé e segurança deste povo através dos tempos, porque eles faziam questão de comemorar as datas alegres e tristes de suas vidas.

Possivelmente o autor elaborou este provérbio, que mais parece uma charada, pensando em fazer o povo refletir sobre ele, e tendo como pano de fundo a sua longa história e tradição.