A mística de São João - Profª Dita

A comunidade deste apóstolo que viveu na metade do primeiro século da nossa era(entre 50 até fins dos anos 80) teve uma experiência muito forte do amor (ágape) a Jesus Cristo. Eram cristãos de todas as regiões: Samaritanos, judeus, gentios, pobres e ricos, cultos e analfabetos, mas todos procurando viver em harmonia, mesmo possuindo culturas, costumes e tradições diferentes, mas, tendo como meta a pessoa e os ensinamentos do Mestre.

 Quatro fases marcaram a comunidade joanina:

- A primeira ( meados dos anos 50 ao final de 80). Foi de muito sofrimento e perseguições, mas fez com que este povo a cada dia se fortalecesse. No tempo em que o evangelho foi escrito (mais ou menos entre 90 e 100), os cristãos joaninos tinham sido expulsos das sinagogas porque eles reconheciam Jesus como o Cristo (Messias). 9,22 ; 16,2. Estes judeus eram predominantemente compostos de fariseus, guardiões das Leis judaicas, o que excluía de suas doutrinas os ensinamentos de Jesus. Nas orações recitadas diariamente nas Sinagogas, havia 18 bênçãos onde a décima Segunda envolvia uma maldição para aqueles que se desviassem das Leis de Moisés, e isto envolvia os judeus cristãos.

- A segunda fase (anos 90), já se deu por ocasião da escrita do evangelho. Pressupõe-se que nesta fase, houve um redator além do próprio evangelista. Neste período as perseguições dos judeus continuaram, por isso muitos líderes das comunidades joanina saem da Palestina para a diáspora a fim de evangelizar os gregos. Há um rompimento entre os cristãos e por esta razão surgem alguns conflitos nas comunidades. 16,1- 4.

- Na terceira fase ( esta é a época das 3 epístolas de João, ano 100). As comunidades estavam divididas. 1Jo 2,19, é já sob a direção de dois grupos de seus discípulos. Estes grupos interpretavam os ensinamentos deixados por João de uma forma diferente, no que se referia a ética, a cristologia, a escatologia (a Segunda vinda de Jesus), e a pneumatologia (presença do Espírito Santo) 1Jo 4,4-6, (a força do E. S.) 2Jo 10, (preservar-se das heresias) 1Jo 2,18, (esta é a última oportunidade). João coloca em suas cartas que os separatistas são filhos do diabo e anti-cristos.

- A Quarta fase (depois das epístolas, século II). Incapazes de combater os separatistas, os discípulos de João humildemente aceitaram unir-se novamente os dois grupos. Isto se deu após as três epístolas serem escritas. Segundo documentação da época os grupos chamados separatistas voltaram-se para as correntes filosóficas que existiam na época afastando-se do verdadeiro evangelho de Jesus Cristo.

A pessoa de João: Yohanan (Javé é propício, ou amado por Deus). João ocupava um lugar de destaque na comunidade primitiva em Jerusalém. Paulo o chamava de: "uma das colunas da Igreja" Gal 2,9. Na lista da importância dos apóstolos segue em segundo lugar depois de Pedro. At 1,13. 

João era irmão de Tiago. Filho de Salomé (Mt 27,56; Mc 15,40) e Zebedeu, um pescador de classe média que vivia na Galiléia. Mc 1,20. Os rapazes(João e Tiago) eram de temperamento muito forte, talvez até que pudéssemos dizer: de pavio curto. Mesmo assim Jesus os ama muito. Carinhosamente os apelida de Boanerges ( filhos do trovão), Mc 9,54. 

Os filhos de Zebedeu pertencem aos discípulos privilegiados de Jesus, mesmo cometendo o erro de querer garantir a sua posição em destaque no Reino de Deus, sentando-se um ao lado direito e outro a esquerdo de Jesus (Mt 20,20-28). Jesus permite suas presenças em grandes acontecimentos a sós com Ele:

Na ressurreição da filha de Jairo. Mc5,37. 

Na sua transfiguração . Mc9,2. 

Na cura da sogra de Pedro. Mc 1,29-31. 

No Getsêmani. Mc14,32-35.

João no 4º evangelho não é citado, e a expressão, os filhos de Zebedeu ocorre apenas uma vez. 21,4. No mesmo capítulo 21,24, (considerado um acréscimo posterior) há uma alusão ao autor do evangelho da seguinte maneira:  O discípulo que Jesus amava. 21,20;  Aquele que se aconchegou ao peito de Jesus durante a última ceia. 13,21-25;  O que recebeu a mãe de Jesus como sua mãe aos pés da cruz. 19,26;  O que constata primeiro antes de Pedro que Jesus ressuscitara. 20,2;  Aquele que era discípulo de João Batista antes de conhecer Jesus. 1,36s. 

João na tradição da Igreja primitiva

O mais antigo documento que se tem conhecimento é do apologeta Justino, onde diz que João é o autor do Apocalipse. Este livro foi escrito na ilha de Patmos frente a costa da Ásia Menor. Irineu de Lião (padre da Igreja), final do segundo século, afirmou que João viveu em Éfeso até o tempo do Imperador Trajano (98-117). Provavelmente foi em Éfeso que João escreveu o seu evangelho e suas três cartas.

João na tradição apócrifa

Um escrito do IV século sobre suas viagens e milagres.  Três escritos menores: 

a)Os atos de João (século V).

b) As virtudes de João. (fim do VI século). 

c) O passado de João. ( idem).  Três apocalipses.

Como nasceu seu evangelho

Logo após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus, o discípulo João começa a se organizar na cidade de Betânia, juntamente com seus amigos e de Jesus, Marta, Maria e Lázaro, a quem o Mestre havia ressuscitado. À medida que conversavam chegaram a uma conclusão de que era possível criar uma comunidade fundamentada nos princípios que Jesus havia ensinado. Uma comunidade de irmãos. Nesta comunidade o que mandaria era o amor a Deus e ao próximo.

Foi muito difícil para João e os outros discípulos entenderem o jeito de Jesus, o qual pela mansidão, paciência e fé queria mudar o mundo. Jesus sempre foi contra qualquer tipo de violência. A sua proposta de vida para todos passava por caminhos diferentes daqueles que os dominavam. O povo já não agüentava mais a exploração dos romanos. Suas famílias eram abandonadas à própria sorte. Ninguém se importava com os pobres. A única saída que todos viam era sair daquele sistema. Mas como? Pela força? Pelas armas? Pela guerra? Jesus propõe aos seus amigos um diálogo ecumênico. Saber entender o outro mesmo que este não fosse seu seguidor. Mas como? Mc 9,38-41; Jo2,8.

O importante naquela época era tentar acabar com os conflitos do mundo. O mundo no contexto do evangelho de João retrata o Projeto contrário ao que Deus quer. É o anti-projeto do Reino. Portanto "o mundo" representa para ele o poder político, econômico, religioso e ideológico romano e judaico, que oprimia o povo de Deus. Este "mundo" era só "trevas" e Jesus é a luz.

Havia ainda os conflitos com os discípulos de João Batista que não aceitavam Jesus como o enviado de Deus e luz do mundo,  1,6-8. 

Um outro conflito muito forte era relacionado aos judeus-cristãos que tinham medo de falar de Jesus publicamente e serem perseguidas. Este foi um dos motivos de João usar muitas vezes uma linguagem simbólica em seu evangelho. Um exemplo é a apresentação de Jesus como Deus, através da expressão "EU SOU"; termo muito conhecido do povo judeu pois era o nome próprio de Javé. Deus disse a Moisés: Eu sou aquele que sou. Ex 3,14. Desta maneira João pesquisa a tradição judaica, suas imagens simbólicas e coloca os Eu sou ( Egô eimy) de Jesus como resposta às profecias do A .T.:

1. Eu Sou o pão da vida 6,35.41.48.51. 

2. Eu Sou a luz do mundo.8,12. 

3. Eu Sou a porta das ovelhas.10,7. 

4. Eu Sou a porta.10,9. 

5. Eu Sou o bom pastor.10,11.14. 

6. Eu Sou a ressurreição. 11,25. 

7. Eu Sou o caminho, a verdade e a vida, 14,6. 

8. Eu Sou a videira verdadeira,15,1. 

9. Eu Sou o Messias. 4,26.

João usa a mesma fórmula do "Eu Sou", apenas trocando o pronome de lugar.

10- Sou eu, não tenhas medo.6,20. 11- quando tiverdes elevado o Filho do homem, então sabereis que Eu sou. 8,28. 12-Antes que Abraão nascesse, Eu Sou.8,58. 13- Digo-vos isto agora antes que aconteça para que, quando acontecer, creiais que Eu sou. 13,19. 14- A quem procurais? A Jesus o nazareno ? Sou Eu.18,5.6.8. 15- Tu és rei? Sim Eu sou rei. Para isso nasci... 18,37.

João usa uma nova mudança de pronome, mas com o mesmo propósito, afirmar que Jesus é o enviado de Deus, o Messias prometido. Tu és. (Su ei):

1. Tu és o Filho de Deus, és o rei de Israel. 1,49. 

2. Tu és por ventura, maior que o nosso pai Jacó? A água que eu te der será para a vida eterna. 4,12-14. 

3. Tu és um profeta. 4,19. 

4. Tu és o santo de Deus. 6,69. 

5. Tu quem és? 8,25. 

6. Se Tu és o Cristo, dize-nos abertamente.10,24. 

7. Tu és o Cristo, o Filho de Deus. 11,27. 

8. Tu és o rei dos judeus? 18,23. 

9. De onde és Tu? 19,19.

Estrutura do evangelho de João.

Devido as perseguições, conflitos e dificuldades que a comunidade sofria, era necessário definir sua identidade. Assim João, além dos "Eu sou" atribuídos a Jesus, usa de algumas expressões conhecidas das tradições judaicas desde o Antigo Testamento, e de uma linguagem simbólica, imagens tiradas do seu dia a dia, marcando-os como comunidade joanina.

v E o verbo se fez carne e armou sua tenda entre nós. 1,14. v A guematria (ciência dos números). - 6 talhas de pedra vazias. 2,6. - 5 maridos da mulher samaritana, os quais lembram os 5 povos que foram deportados de outras regiões para a Samaria em 716 a. C. Babilônia, Kut, Avá, Hamat, Sefarváim. 2Rs 17,24.

- Utensílios domésticos e objetos do Templo. Talhas, o poço de Jacó e o cântaro. 2,6; 4,12.28.

- Videira e ramos. 15,1-2.

- Os milagres como "sinais do Reino". João nos apresenta 7 sinais do Reino de Deus,( a perfeição e plenitude), os quais indicam que o tempo messiânico já chegou e que Jesus é o Messias esperado. Jesus usa estes sinais para colocar novamente o marginalizado na comunidade e no templo.

1º sinal => Bodas de Caná. Este acontecimento levou os discípulos a crerem em Jesus. A água para o judeu é sinal de vida e pureza.2,1-12.

2º sinal => A cura do filho de um funcionário (uma experiência de fé perfeita. Um pagão acredita em Jesus). 4,46-54.

3º sinal => a cura de um paralítico ( alguém sem condições de cumprir as obrigações do Templo). Esta cura se dá na festa de Pentecostes quando o povo celebrava a entrega da Lei a Moisés no Monte Sinai. O dom da luz substitui as trevas. As palavras de Jesus dão vida àquele que era considerado "morto" para a sociedade. 5,1-9.

4º sinal => A multiplicação dos pães. 6,1-15 (Jesus é o pão da vida que alimenta uma multidão pela fé e sacia os que Nele acreditam, pela partilha e Eucaristia). Jesus é reconhecido não só pelos discípulos, mas pela multidão. Este sinal marca o ápice das atividades de Jesus como o Messias na Galiléia. Quando Ele diz: eu sou o pão que desceu do céu, segundo João, Jesus faz referência ao maná o alimento do povo de Deus no deserto.

Na tradição rabínica a renovação do maná é a esperança escatológica judaica. João mostra um Jesus em seu momento decisivo. É o encontro entre a fé no Cristo ou nas correntes filosóficas, as seitas da época. Foi também uma crítica as heresias de Cerinto que dizia: Toda matéria é má e corrupta. Jesus coloca seu corpo como santo levando a todos que o comerem a tornarem-se também santos. Na Igreja primitiva a cena do milagre de Caná era unido ao da multiplicação dos pães, como alusão ao pão e o vinho da Eucaristia. João vai usar novamente uma cena de núpcias no apocalípse. Ap 19,7-9.

5º sinal => Jesus caminha sobre as águas. 6,16-21. Jesus se dá a conhecer pelo Egô eimi, sou eu. (20).

6º sinal => A cura de um cego de nascença. 9,1- 41. Novamente é evidente que João coloca Jesus como aquele que traz a luz sobre as trevas. Tem o mesmo sentido que o prólogo. (1,4). Na tradição judaica havia uma crença de que as doenças e desgraças eram castigo por uma vida em pecado (Ex 20,5 ; Ez 18,20). Parece que, segundo João, Jesus não nega de todo a possibilidade de ficarmos doentes muitas vezes pelo peso dos nossos pecados. Sabemos hoje que a mente tem grande influência sobre o físico das pessoas.

7º sinal => A ressurreição de Lázaro.11,1- 44. A hora está próxima. O texto nos ensina que, a vida eterna pode ser alcançada aqui e agora, por aqueles que correspondem à palavra de Cristo, podendo garantir sua vida eterna pela ressurreição. A ressurreição de Lázaro revela a filiação divina de Jesus (2,11). Este episódio também nos conduz a morte e ressurreição de Jesus; e todos que crerem Nele terão o direito de ressuscitar também um dia, já que será pela cruz que o Messias realizará a manifestação da glória escatológica neste mundo. (12,16. 23. 28).

Lugares que Jesus atua na Palestina

Segundo João, o lugar central de Jesus atuar é o "Kosmo", o mundo. Ele é a luz deste mundo, mas também João o coloca em alguns lugares:

- Nazaré, na Galiléia. Nazaré será um lugar onde Jesus não foi bem recebido (o contrário do que dizem os sinóticos).

- O vale do Jordão. Lugar muito familiar para o evangelista como discípulo que foi do Batista (10,40-42). Ele mostra uma grande harmonia entre o ministério de Jesus e o de João Batista. A área do vale do Jordão é para o apóstolo um local onde Jesus clamou a sua voz (1,23-28) e brilhou a sua luz anunciada pelo Batista( 5,35ss). 

- Samaria. Local desprezado pelos judeus, mas onde o Salvador leva mensagens de vida e salvação.

-  Judéia. É o lugar onde a vida de Jesus corre perigo e para onde irá somente quando tiver terminada a sua missão na terra. João nos diz que Jesus se mantém afastado da Judéia. Ele lá não pode deslocar-se com liberdade por causa da perseguição dos judeus (3,22 ; 7,1-10 ; 11,7-10).

- Jerusalém. É o centro do espaço joanino. Jerusalém é o local onde está o Templo, local de culto e adoração e a "casa do Pai"(2,16). Para João é importante que Cristo se manifeste em Jerusalém para reafirmar o privilégio religioso próprio daquela terra e daquele espaço. "A salvação vem dos judeus"4,22. Foi neste mesmo templo que o profeta Isaias 700 antes tivera uma visão sobre o Messias. 12,37-50. Mas, como foi citado antes, é o mundo o verdadeiro lugar de redenção e salvação. "Quando eu for elevado deste mundo, atrairei todos a mim" 12,32.

O Judaísmo rabínico no tempo da comunidade de João

É importante conhecer que o 4º evangelho foi escrito originalmente em aramaico e depois traduzido para o grego. O que os exegetas não entendem é como o seu conteúdo é tão judeu. Supões-se que João pensava num idioma semítico enquanto escrevia em grego. 

O pensamento do autor caminhou profundamente em três direções do judaísmo: A torah, o Messias, o nome de Deus.

a) A TORAH => Seu sentido original é "direção", "instrução", "ensino". Torah é usado para designar os primeiros livros da Bíblia (o Pentateuco), como também Lei. No grego a palavra Torah é traduzida por nomos. Nos parece que João conhecia bem a Torah, mas, não está muito interessado nela. (5,39 ) . em 6,63 João diz que não é a Torah, mas sim o Cristo que é o caminho para a vida. A água que na tradição judaica é vida e comparada a torah, João diz que Jesus que é a água viva.

Nas afirmações rabínicas se dizia que o logos= palavra= verbo sempre existiu desde o inicio. " 7 coisas foram criadas antes do mundo ser criado por Deus. 1. A Torah. 2. O arrependimento. 3. O paraíso. 4. A geena(o inferno). 5. O trono da glória. 6. O Santuário. 7. O nome do Messias.

b) O MESSIAS => O quarto evangelho é o único documento do Novo Testamento que usa o termo Messias com a transliteração do hebraico, Meshihá. 1,41. O uso da palavra Messias só se torna comum depois da destruição do Templo (ano 70).

Três provas os judeus apresentam para que se reconheça o Messias:

a) Quando o Messias chegar ninguém saberá de onde Ele é (um Messias oculto). 7,25-30. Alguns judeus até diziam que o Messias viria pelo mar.

b) Ele teria poderes miraculosos. Por isso alguns judeus pedem a Jesus que lhes mostre um sinal.6,30ss.

c) O Messias deveria nascer da raça do rei Davi , na cidade de Belém e não morreria. Assim, para os judeus a morte de Jesus é a fatal desqualificação dele como o Messias.

c) O NOME DE DEUS => Segundo as civilizações existentes no mundo, Deus é um título dado ao ser superior e Criador do ser humano e de todas as coisas. Em cada povo havia uma busca de Deus de maneiras diversas. A civilização mais próxima na maneira de pensar, foram os hebreus, povo que no decorrer do tempo adquiriu costumes e valores de outros povos.

O judeu sempre foi monoteísta (adora a um só Deus). As palavras usadas por ele para designar Deus foram: EL, ELOHÁ, ELOHIM. Juntamente com estas havia um nome pessoal e individual, JAVÉ.

EL, é uma palavra conhecida em todas as línguas semíticas. É um substantivo comum que designa um "deus". Acrescido de um adjetivo significava um louvor maior. Com o adjetivo era usado somente pelos hebreus:

El-Elion = Deus altíssimo. Gn 14,18. 

El- Olam = Deus eterno. Gn 21,33. 

El-Betel = Deus de Betel (casa de Deus).Gn 31,13. 

El- Israel = Deus de Israel.Gn 33,20.

El- Chaday = Deus onipotente, poderoso. Gn 35,11. 

Elohim = Deus dos deuses. Forma plural de Deus. O plural para o judeu é a plenitude.

Emanuel = Deus conosco.

No tempo de Moisés século XII a .C (fase mosaica), havia uma outra maneira de chamar Deus. Todos queriam saber realmente como era o seu nome. Ex 3,13s diz: "Eu sou aquele que sou". O povo toma então consciência de que Deus não tem nome, Ele apenas existe; por isso o seu nome a partir desta época ficou proibido pronunciar-se. Era identificado com quatro consoantes hebraicas YHWH Este tetragrama sagrado no grego vem do verbo "ser" "estar" "existir". É um nome impronunciável. 

Assim o povo o chamava de Shem = nome, Javé ou Adonay. Em Ex 20,7 diz: "Não pronunciarás o nome (shem) do Senhor (Javé) teu Deus (Elohim).  Somente em 900 d. C foram colocadas as vogais para as quatro letras hebraicas (YHWH) porém já não se pronunciava o nome de Deus. No alfabeto hebraico não existe a letra "J", esta é substituída pelo "Y".

Da letra "Y" ou "J", derivam muitos nomes bíblicos: 

YOSEF = José. (Javé acrescenta).

YACOB = Jacó. (Javé protege). 

YONATAN = Jonatan, filho do rei Saul. (Javé ofertou). 

YOSHUAH = Josué ou Jesus. (Javé é a salvação). 

YOSIAH = Josias. (Javé traz a salvação). 

YAQUIM = Joaquim. (Javé dá firmeza).

Na fase messiânica, século VIII a VI a . C (tempo dos profetas), Jeremias profetisa que o Messias será chamado: Javé a nossa justiça. Jr 23,6.

Assim percebemos que a diferença entre os nomes de Deus e os títulos a Deus, estão em que, os primeiros usam as palavras ELOHIM e o segundo JAVÉ. .Para o povo hebreu só existia os tempos, PRESENTE E FUTURO. O passado era explicado como um presente inacabado. Segundo os escritos bíblicos da época, o nome revelava a pessoa no seu todo, por esta razão não se podia manipular o nome de DEUS.

DEUSES PAGÃOS 

Baal = Senhor, dono, rei, deus. Este era o título do deus dos pagãos (Cf Is 1,24; 3,31).

A serpente =  Um deus muito forte e poderoso. No A .T, existem nove palavras para designa-la. A mais comum é nahás e noestã. Em certas ocasiões a serpente era considerada: 

a) O símbolo da vida, sabedoria e cura. Nm 21,4-9. Jo 3,14. 

b) A mais astuta e sagaz de todos os animais. Gn 3,1. 

c) Seria dominada um dia por uma mulher, que a pisaria. Gn 3,14s e Ap 12,1ss. 

d) Foi venerada no templo de Salomão, mas destruída pelo rei Ezequias. 2Rs 18,1-4.

Marduck = Era o deus titular da Babilônia. Era o controlador das chuvas e das enchentes. (Provavelmente o narrativa do dilúvio tenha uma crítica a este deus).

Moloc =  Deus cananeu. Exigia crianças como sacrifício.(queimava-as vivas). 2Rs 16,3; Lv 18,21; 20,2-5. 

O certo em que em todos os tempos cada civilização buscou Deus à sua maneira. Onde Ele está?

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