A Partilha

No início de ano Tiago, Mila e seus amigos estavam vivenciando uma nova fase de vida, a das descobertas, das dúvidas, de novas atitudes e de uma certa independência. Quando eles e seus amigos, entre uma tarefa e outra do Colégio pesquisavam a virtude que iriam refletir no próximo domingo, lembraram que alguém um dia tinha dito que a virtude da partilha era fruto de uma prática fraterna e cristã. Seria mesmo? Neste tempo de Quaresma o desapego, a fraternidade e a solidariedade se tornam metas, alvos a serem atingidos.

Ao chegarem à Igreja, cada um trazia uma dúvida ou uma afirmação de algo que tinham descoberto acerca da partilha. Depois da oração, a catequista Isabel, percebendo que todos estavam querendo falar, disse: gente! Olhem para mim, acredito que nas suas pesquisas descobriram que a nossa  vida não depende da abundância de bens materiais que possamos ter, mas que podemos viver com o necessário, e partilhar parte do que temos com nossos irmãos. Quem quer falar primeiro?

_ Posso Isabel? Disse a Solange, uma nova colega que fora trazida pela Mila. _ Claro! Replicou Isabel. _ Não pesquisei como os outros colegas sobre a virtude da partilha, mas a vida nos ensina que nos sentimos felizes quando nos desapegamos um pouco das coisas supérfluas e estamos atentos e assumimos as necessidades do irmão.

_ Que maravilha! Declarou Isabel. Que bom ouvir um jovem falando assim. Vocês concordam com a colega?  _Sim, todos responderam juntos. Alguém mais quer falar da sua pesquisa? _Eu, disse o Artur. Estive lendo um texto de São Lucas (12,20) que nos assegura que tudo neste mundo é passageiro, que devemos confiar em Deus e não nas riquezas. Lá diz que um homem guardava tudo que podia, não partilhava nunca o que tinha com os outros, era um avarento, alguém excessivamente apegado aos bens materiais. Então Deus lhe disse: “Ainda nesta noite, tua vida te será tirada. E para quem ficará o que acumulaste?”. Cheguei à conclusão que o mais importante é ser rico da graça de Deus.

_ Concordo com você Artur, disse Mila. A cada dia me convenço mais que tudo deve estar a serviço da humanidade. Que com nada viemos a este mundo e com nada dele sairemos. O mais importante é partilhar não só os bens materiais, mas amor, carinho, solidariedade, se doar pelo outro como fez Jesus.

_ Concordo com a Mila, interviu Isabel. Disse alguém um dia que partilhar é sair de si mesmo, é abraçar na hora certa, é ajudar no momento exato, é perceber a necessidade do irmão e ajudar. Continuou Isabel: Deixo para vocês  refletirem uma frase de Madre Teresa de Calcutá que resume muito bem a virtude da partilha: “Não tens nada para dar, porque nada tens, tudo o que tens foi-te emprestado. Só tens que gerir o melhor possível o que Deus te emprestou”. Não é lindo? O silêncio foi total na sala, todos estavam silenciosos e emocionados.