Adoção, um ato de amor

No último mês do ano, a população cristã do mundo todo se agita com os mais diferentes propósitos. Alguns se apressam em organizar suas festas familiares, enquanto que outros se preocupam com os presentes, os comes e bebes. Nem todos são os que se voltam para o verdadeiro sentido de se alegrar no Natal, a chegada do Messias Jesus no cumprimento da promessa de salvação para o mundo.

            Como catequistas, discípulos (as) e missionários (as) de Jesus Cristo, coloquemos nossas energias e memória para recordar e receber com amor a chegada do Menino Jesus, pois mesmo em meio a valores materiais não podemos esquecer a missão de transmitir aos outros o verdadeiro sentido desta festa.

            Diante disso, podemos lembrar a missão de alguns personagens que se destacaram e cooperaram para que Deus demonstrasse de uma forma humana o seu grande amor pela humanidade. Que tal iniciarmos por Maria e seus pais? Mocinha simples, de uma família de judeus, filha de São Joaquim e Santa’Ana, moradores de um pobre aldeia de Nazaré. Este casal cumpria fielmente as leis e mandamentos das Escrituras, vivendo em obediência e harmonia com seu Deus. Certo dia testemunharam um grande acontecimento na vida da sua filha Maria, a qual a partir dali se tornou a adolescente mais importante do mundo ante aos olhos de Deus. Chamada pelo anjo de “Cheia de graça” e “bendita entre todas as mulheres”, é convidada a trazer ao mundo o bem mais precioso que a humanidade esperou por tantos séculos, aquele que traria a redenção a todos, Jesus; e ela disse SIM.

            Por outro lado outros personagens são também lembrados e celebrados neste período, tanto os muito pobres, como os ricos, confirmando o que dizem os evangelhos, que Jesus veio para todos. “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam, mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus... João 1,11s. Representando a classe pobre, desprezada, humilhada e excluída de Judá e de toda Palestina, podemos lembrar os pastores, que eram homens simples que tinham um trabalho duro, sofrendo frio, fome e solidão. Representando a classe rica podemos citar os Magos do Oriente, que viajaram por longos dias, de sua terra natal a Pérsia até Belém da Judéia, e ali chegando lhe prestaram homenagens e lhe ofereceram presentes. Estes homens, ricos e sábios, viram naquele menino um futuro de bênçãos e de paz para o mundo, por isso se humilharam e se ajoelharam diante dele: ”E entrando na casa  viram o menino com Maria sua mãe e o adoraram [...] Abrindo seus cofres lhes ofereceram presentes [...]” Mateus 2,11.

Junto aos pastores e os Magos, podemos lembrar da figura celestial do Arcanjo Gabriel que no evento do nascimento de Jesus, teve como primeira missão anunciar a Maria a encarnação Dele em seu ventre, curiosamente lhe adiantando no momento da concepção o sexo do bebê e qual deveria ser seu nome. E disse o anjo: “Eis que conceberás e darás a luz a um menino ao qual darás o nome de Jesus” Lc 1,31. Como segunda tarefa o Arcanjo Gabriel veio até as geladas montanhas de Belém avisar aos pastores a boa notícia do nascimento do Salvador. Disse-lhes:  “Não tenham medo pois vos anuncio com grande alegria que hoje nasceu o Salvador... encontrareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura” Lucas 2,11.

            Outra figura importante no processo da chegada do Messias, mas que nas festas do Natal não é tão lembrado como deveria, é São José. Se fossemos elencar suas virtudes, por certo levaríamos muito tempo, mas algumas delas não podemos esquecer:

São José foi, de Jesus, pai adotivo, pai terreno, pai de coração. Com outras palavras e diante dos fatos, consideramos que para ele a adoção foi muito mais que um ato de amor, foi uma entrega de si mesmo, obediência incondicional ao Criador, participação ativa no Projeto de Deus para humanidade. Pai amoroso, educou seu filho na crença judaica, na tradição dos profetas e nos costumes do seu povo. De uma forma humana e com muito amor, cumpriu com competência a sua missão,  mesmo que em algumas situações talvez não tivesse nenhum conhecimento de que estava educando o Filho de Deus. Pelas informações dos evangelhos, São José foi além do dever de um pai comum, sabendo cativar o coração daquele menino de tal forma, que Jesus, em sua vida pública, quando precisava explicar o amor de Deus pela humanidade, comparava-o ao amor de um pai por seus filhos, o que por certo seria uma referência ao grande amor de seu pai José por ele. 

São José, além de ser um homem justo cf. Mateus 1,19, e de acordo com a literatura dos primeiros cristãos, foi um trabalhador incansável e solidário com as pessoas quando não podiam lhe pagar o combinado pelo serviço. Como era o costume, ensinou a sua profissão de carpinteiro ao filho, como também os valores, as leis civis e a tradição religiosa.  Mesmo na pobreza, com muito trabalho e esforço, proporcionou ao seu filho Jesus  alimento, roupas e o abrigo físico até a sua morte. 

É costume se dizer que São José é o Santo do silêncio. Fala-se dele, mas não se ouve sua voz, porém suas atitudes suplantam seu silêncio. Ele é o santo que faz. Foi um exemplo de chefe de família, cumprindo à risca a missão de defensor de duas pessoas especiais, Jesus e Maria, que com ele partilharam do mistério da segunda pessoa da Trindade presente no mundo. Imaginemos sua sofrida vida no Egito por 5 anos, sua luta árdua  para sobreviverem como peregrinos e clandestinos numa terra estrangeira; de ver sempre ameaçada a vida do seu filho que ele prometera  amar, cuidar e proteger por toda sua vida. É fundamental não esquecer da fé inabalável deste homem abençoado, aceitando sempre a vontade de Deus em qualquer situação. Quando o anjo lhe disse para não ter receio de receber Maria como sua esposa,  cf. Mateus 1,20,  ele obedeceu.

Finalizando a nossa reflexão sobre o papel de São José nos festejos e celebrações natalinas, lembremos que desde 1870 o Papa Pio IX o considerou, além de Pai de Jesus, patrono e “pai da Igreja Católica”. É o único santo que possui dois dias de celebrações: 19 de Março, como protetor das famílias e 1º de Maio, como patrono dos trabalhadores. Além disso, é também lembrado como a companhia perfeita na boa morte juntamente com a Virgem Maria. Portanto, neste Natal não nos esqueçamos daquele que silenciosamente, sem estardalhaço, com humildade, foi imprescindível no mundo. Mesmo sendo nobre e descendente do Rei Davi, cf. Mateus 1,20, foi um dos homens mais simples e humilde do seu tempo, por isso teve a graça de ser escolhido para cuidar do filho do Rei do Universo e é merecedor de toda a nossa devoção, afeição e carinho.