INTRODUÇÃO ÀS CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

 

         Para estudarmos  a Ciência das Religiões e a própria religião em si, devemos colocá-la no tempo e no espaço. As Religiões se modificam através do tempo sobressaindo-se pela cultura à qual estão inseridas. Elas são um fenômeno coletivo.

Ao falarmos de religião podemos citar a Igreja católica pelo fato que esta  possui milênios de história, o que nos permite e ao mesmo tempo nos dificulta o estudo coerente e historicamente correto. Geralmente estuda-se um povo através de suas manifestações religiosas, porque quem deixa  algo escrito é a elite.

             O latino-americano tem uma herança e um sentido cultural que leva a pensar de acordo com o que é recebido desde o nascimento, porém quando a religião perde o seu sentido profético, vira ritualismo. Num estudo de pesquisa sobre a ciência das Religiões, deve-se colocar o saber diante de várias abordagens por diversos autores, o que as vezes leva a ser considerado principalmente pelo ser religioso como heresia. Segundo Rubem Alves heresia é toda verdade diferente do grupo dominante.

 Existem vários tipos de religiões:

 

-     A religião ritual ou legalista diz não aos carismas. Aceita-se o mundo como ele é procurando adaptar-se a ele. Suas convicções são fundamentadas simplesmente nas Leis, dessa forma toda ou qualquer mística desaparece.

 

-     Religião sem conceito bíblico. Está atrelada ao conhecimento/Poder/sabedoria. Quando estes três itens caminham numa religião sem conceito bíblico o líder dentro da tradição religiosa tem a função de:

-     Saber a doutrina

-     Ser um bom apologeta

-     Definir o que é sagrado/profano

-     Leigos não se metem na esfera do sagrado

-     Exímio conhecedor dos textos sagrados

-     Exímio conhecedor dos dogmas

-     Ele é um funcionário da Instituição

       Religião com conceito bíblico:

-     O líder pode até ser um legislador, mas tem idéias que não levam ao poder temporal

-     É um portador ou portadora de carismas.

-     Pode ser um formador ou reformador

-     É possuidor de uma revelação pessoal

-     Em geral é um leigo

-     Propaga suas idéias de forma gratuita

 

Segundo Pierre Bordieu quando cita sobre a “Economia (ciência que trata dos fenômenos relativos à produção, distribuição, acumulação e consumo dos bens materiais) das trocas simbólicas” diz que as instituições religiosas funcionam como qualquer outra, com funcionários responsáveis que faz a instituição funcionar. E o que ela pretende? O monopólio dos bens de salvação, mas não para todos. Ela vai assegurar a produção, reprodução, conservação e difusão dos bens religiosos (textos sagrados, locais, dogmas, doutrinas) onde o sacerdote é quem possui todos estes poderes e dons, ele é um funcionário da instituição.

 Funcionário, diz Bordieu, é aquele que toma o conhecimento, lidera e é também legitimado. Não é só adquirir o saber, mas ser reconhecido e para isso é a instituição quem define. Cada uma vai ter suas características de exigências. Existe assim o processo do capital religioso nas mãos de um grupo, quase sempre  a hierarquia.

 Esse saber religioso é:

-     Leigo =» saber profano;

-     Sacerdote =» saber sagrado (domínio do erudito)

      A tendência que se apresenta, conforme Bordieu, é que os leigos vão sendo desapropriados; lentamente vai sendo retirada deles a prática do saber. O cerco se fecha em direção às pesquisas científicas. O clero tem o domínio prático e o leigo o teórico que geralmente não lhes é permitido colocar em prática. Isto leva a exclusão. Assim vão se formando dois campos:

1º) Ignorância - profano

2º) saber – sagrado

       Se os leigos estão destituídos do saber, qual é o seu papel? Para Bordieu é:

-     Manipular o sagrado

-     Grupos de oração

-     Magia ou feitiçaria (não a Deus).

 

A cultura de um povo está intimamente ligada com a religião. O que é magia e o que não é? O que é correto ser feito em nome de Deus? (Inquisição/guerras santas/cruzadas).

Ainda inserido no conceito de “capital religioso”, esse pode aumentar ou diminuir. Ex:  antes e depois dos acontecimentos citados acima, antes e depois do Edir Macedo. Cada instituição se precavê do seu jeito peculiar.Um outro exemplo é o fenômeno Pe. Marcelo, que com seu carisma e sua forma original, evitou que muitos saíssem do catolicismo. Isto pode ser chamado de  “capital de autoridade religiosa”. O “capital religioso” vai determinar a demanda (interesse dos diferentes grupos) e a oferta (se transforma ou se encolhe até morrer, que pode ser longa ou ressurgir de outra maneira).

 Colóquio

As religiões fatalistas e imediatistas o que buscam???????


Bibliografia

PINTO, Louis Pierre Bourdieu. A teoria do mundo social.  Rio de Janeiro, Editora FGV, 2000.