Como ser feliz

         Na liturgia da Igreja, Agosto é o mês das vocações. A vocação é uma virtude recebida a partir dos dons do Espírito Santo. É Ele que nos traz a oportunidade de ser feliz e fazer os outros felizes, vivendo na prática os ensinamentos deixados por Jesus Cristo e tendo como modelo as bem-aventuranças, a receita certa da felicidade. Podemos mencionar várias vezes o “decálogo da felicidade”, sem jamais esgotar seus objetivos.

Inseridas no Evangelho de Mateus e direcionadas principalmente aos discípulos que já conheciam o evangelho, as bem aventuranças são consideradas como normativas de fé, por exigirem não só uma crença religiosa ou uma virtude teologal, mas também as ações. Jesus sabia que a tendência na vida atuante de seus seguidores era ainda dizer que faziam o que realmente não faziam, existindo a partir daí uma grande distância entre o dizer e o fazer, entre a fé escutada e a professada.

Como catequistas, o fato é que, por várias vezes já foi abordado o tema “das bem aventuranças de Jesus” com os catequizandos, que até já conhecem seu significado. A expressão bem-aventurança deve ser entendida como felicidade; bem-aventurado é aquele que é feliz.

Dentre os vários motivos que levaram Jesus a proferir o sermão do monte, está o de esclarecer aos judeus que, conhecendo as Leis do Antigo Testamento, por certo quando anunciou que o Reino de Deus era chegado, devem ter indagado: Quais seriam as leis desse novo Reino? Qual a sua relação com as leis de Moisés? Será que elas iriam se opor à antiga lei? O que fazer para entrar nesse Reino que Jesus chamou de “Reino de Deus”?

Por certo os escribas e doutores da lei se escandalizaram quando perceberam que aquelas leis não eram bem o que pensavam. As bem-aventuranças eram leis da espiritualidade voltadas à conduta correta do bem viver.

Convém lembrar que na compreensão de Jesus, a felicidade do ser humano não depende do que ele possui, nem do que faz, mas como vive. A felicidade não vem de fora para dentro, mas se dá ao contrário.

Devemos ressaltar que para o catequista quando ele transmite o Sermão do monte, não se trata de levar opções que os cristãos vão escolher, mas qualidades do caráter que devem ter. Elas são virtudes do próprio Jesus que transmitiu aos seus discípulos para moldar e aperfeiçoar o caráter de cada um deles, e de nós hoje. Elas são as condições que necessitam ter os que já estão salvos.

Diante de tudo que nos foi apresentado, relembremos as bem-aventuranças, como frutos da sabedoria de Jesus: Mateus 5,1-10. Felizes são os pobres de espírito/os que choram/os mansos/os famintos/ os que têm fome e sede de justiça/os misericordiosos/os limpos de coração/os perseguidos por causa da justiça.

Inteirados deste conteúdo e movidos pelo amor do Cristo para com cada um de nós, precisamos ter estes ditos de Jesus sempre diante de nós para que possamos acreditar que somente assim estaremos cooperando com a construção do novo Reino de Deus.

Sabemos que na prática, Jesus viveu cada uma das bem aventuranças que nos deixou e nos convida a fazer o mesmo: sermos pobres de espírito, misericordiosos com os que sofrem, mansos e humildes de coração, pacificadores, capazes de trabalhar pela paz e a justiça, ser sinal do Cristo na terra. Imitemos a Jesus, o nosso modelo de perfeição, somente assim teremos a certeza de que estamos cooperando com a construção deste Novo Reino que ELE nos trouxe.