CONTINUADORES DA MISSÃO DE JESUS

            Estamos em Agosto, e no próximo dia 28 será lembrado o “dia do catequista”, momento também em que nossa Igreja celebra o mês das vocações. Por mais que conheçamos a distribuição dos quatro domingos, é interessante mencionar que inseridos no mesmo grau de importância estão o dia do padre, dos pais, dos religiosos e dos leigos, fechando um círculo de compromissos cristãos com o Reino de Deus.

            Aqui quero refletir com meus amigos e irmãos catequistas a importância do último domingo, “o dia do catequista”. É interessante reiterar que, em sua maioria, os catequistas são leigos, e como tal se movem em direção a uma vocação específica. Como a sociedade e a Igreja vêem o leigo hoje?

            Por leigo, descreve a Lumen Gentium (Constituição Dogmática sobre a Igreja do Concílio Vaticano II, 27): são todos os cristãos que não pertencem a sagrada Ordem ou estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, são constituídos em povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercendo na Igreja e no mundo a missão de todo o povo cristão.

Dessa forma, entendemos que os fiéis leigos são pessoas que vivem a vida normal no mundo, estudam, trabalham, estabelecem relações amigáveis, sociais, profissionais, culturais etc. O Concílio considera essa  condição não simplesmente como um dado exterior e ambiental, mas como uma realidade destinada a encontrar em Jesus Cristo a plenitude do seu significado; por conseguinte, ser leigo (a) hoje, representa um engajamento na comunidade em que é aplicada sua vocação em direção a uma pastoral comunitária que se identifique com eles (os leigos).

Quando em Mateus 5,13 nos deparamos com as figuras do sal, da luz e do fermento como partes elementares da vivência cristã, embora ditas diretamente aos doze discípulos, contudo sabemos que trazem uma mensagem específica a todos os cristãos leigos ao longo da história da Igreja, e também a nós cristãos dos dias atuais.

Ao refletirmos sobre o termo sal, precisamos retomar o contexto histórico no qual essas palavras foram ditas, e levar em consideração que se tratava de um produto cujo valor era imensuravelmente maior do que o que vale hoje, já que podemos adquirir um kilo do produto pagando apenas alguns centavos. Na época, porém, o sal era preciosíssimo, sendo a medida de valor do trabalho humano, razão porque dele se originou a palavra “salário” que, da mesma forma, serve para medir nossa jornada mensal de trabalho.

Além disso, ser como o sal, é saber repartir em uníssono suas minúsculas partículas por todo o alimento, como também seu sabor. A presença do sal conserva, mantém  os alimentos. O mesmo se dá com a luz e o fermento, que mesmo em pequena quantidade consegue deixar “a massa” envolvida com sua capacidade de fusão.

Diante disso, percebemos que as imagens maravilhosas e significativas usadas por Jesus, falam não só da inserção profunda e da participação plena dos fiéis leigos na terra, no mundo e na comunidade humana, mas de saberem juntos, construir e aperfeiçoar o Reino trazido por Jesus.

É inegável o valor que se pode dar a vocação e a santidade dos leigos, observando que, santidade comporta numa vida segundo o direcionamento do Espírito Santo, de seguimento a Cristo, de serviço ao próximo, de saber se conduzir com mansidão, humildade e coragem diante da realidade em que vivemos. Entendemos que ser santo é uma vocação do Espírito, algo que se pode perceber nas próprias palavras de Paulo quando se dirige à comunidade de Corinto: “...aos consagrados a Cristo Jesus com uma vocação santa, e a todos que invocam, seja onde for, o nome de Jesus Cristo...”. (1ª Cor. 1, 2).

Ser santo é também não se fechar em si mesmo, isolando-se espiritualmente da comunidade, mas viver em contínua reciprocidade com os outros, com um vivo sentido de fraternidade, na alegria de uma igual dignidade e no empenho em fazer produzir a cada dia mais frutos nesse imenso jardim do Senhor. O sentido da santidade no ser humano é também partilhar aquilo que recebeu do senhor, ou seja, seus dons e carismas, em forma de serviço. Isto era o que acontecia na igreja primitiva, eles recebiam do Senhor e transmitiam à comunidade, como no exemplo de Paulo quando emite instruções sobre a Eucaristia, e diz: “pois eu recebi do Senhor o que vós transmiti”. (1ª Cor. 11, 23a). Isto é o que chamamos de apostolado.

Portanto, o que a Igreja espera é que o leigo catequista se conduza pelos caminhos do Reino sob o influxo dos valores do Evangelho e sua vocação no mundo, sem deixar de priorizar sua importante participação nessa pastoral e não esquecendo que na comunidade o “poder” é sempre sinônimo de serviço: “o maior de vós seja vosso servidor”. (Mt 23,11).

Diante dessa compreensão, é fundamental saber que ninguém nasce catequista, os que se sentem chamados a esse serviço tornam-se bons catequistas através da prática, da reflexão, da formação adequada, da conscientização de sua importância como educadores da fé. O catequista hoje exerce um verdadeiro ministério, isto é, um serviço. Segundo o documento “A Catequese Hoje”: “a atividade catequética é uma tarefa verdadeiramente primordial na missão da Igreja”. É missão do catequista apresentar os meios essenciais para preparar bem crianças e jovens para serem verdadeiros cristãos.

Tendo em vista tantos compromissos e práticas vocacionais, disse um dia nosso querido Papa João Paulo II: “os catequistas são mestres, educadores com o compromisso de dizer a verdade. A evangelização e o florescimento da Igreja não seria possível sem a presença e o testemunho dos catequistas".