O Cristo Divino - Prof. Dita.

  

Em toda a vida de Jesus, desde a sua encarnação, são verificados fatos que anunciam  a cruz: Sua missão recebida do Pai, com a sua permissão e o seu SIM”. Como o “servo sofredor de Isaias” , rebaixou-se e despojou-se de sua condição  divina, traduzindo dessa forma  o seu amor por nós.

 

Para partilhar esse  poder,  Ele escolhe alguns homens e mulheres formando um grupo na caminhada da missão  pelo Pai lhe confiada. O único requisito para este seguimento  era a fé.

 

Sua meta resumia-se na restauração da justa relação do ser humano com Deus, perdida desde a Criação, quando o ser humano perdeu o direito à vida eterna, pelo pecado da desobediência. Para isto, Jesus Cristo tinha que morrer como todo ser humano. Portanto, a sua morte estava nos planos de Deus,    anunciada desde o  A . T., na figura do servo de Javé. Jesus estava consciente de sua missão. Na sua última ceia disse:  Este é o meu corpo que será entregue por vós... Lc 22,19.

 

A cruz de Jesus não é manifestação da raiva ou da ira de Deus, ou ainda um  instrumento do castigo divino, mas, uma demonstração do amor infinito do Criador à humanidade. 2Cor 5,14-18.  Assim a cruz de Cristo é a TEOFANIA (manifestação de Deus). É  o Deus vivo e humano que quer ser igual a nós até na morte.

 

No A .T, usa-se a palavra hebraica goel (o que resgata, salva e liberta, o redentor). Javé é o goel do povo de Israel. “Eu te tirei dos trabalhos  forçados pelos egípcios e vos resgatei...” Ex. 6, 6-8. Deus é o redentor do seu povo, porque o criou, o ama, o ajuda nas horas difíceis e o resgata do mal.

 

No N .T, para goel usa-se  em grego a palavra lytel (resgate, redenção:

 

Mc 10, 45, Jesus veio para  resgatar e servir...

 

Mt 20, 28, O Filho do homem veio para resgatar e servir...

 

Olhando o Cristo divino e teológico, pensemos um pouco na simbologia do  Sábado santo (aleluia), onde Jesus permanece entre mistério e silêncio. Os evangelistas silenciam este dia, por quê? Supõe-se que o silêncio seja proposital, ele pertence à morte. É o Cristo isolado, sofrendo até o fim pelos nossos pecados. É a certeza de que Ele está morto. Quis morrer como qualquer um de nós., mesmo sendo Deus. Como Ele foi solidário com os vivos, o foi também com os mortos.

 

Um exemplo bem prático desta morte humana  de Jesus e de sua “visita” ao “xeol”, “abismo”, “mansão dos mortos”, é encontrada no Credo Niceno encontrado pelos cristãos do 4º século onde havia a frase: "desceu aos infernos", uma expressão do Antigo Testamento, que quer dizer : ele foi até o Xeol ou Hades (lugar onde não bate o sol e onde todas as pessoas vão quando morrem); lugar também acreditado sem retorno.

 

Jo 10, 7-10, quem crer em mim terá vida e vida em abundância...

 

Rm 10,5-7, cristo desceu aos infernos (xeol, abismo...)

 

2Pe 2, 4s, até os anjos desceram aos infernos...

 

Teologicamente o ato de “subir” (ascensão), ou “descer” (Sábado santo aos infernos), na Bíblia são ações do Pai em Jesus.

Jesus vence o último inimigo, a morte, por isso é considerado um dia Santo. Ele é o meio ou a divisão entre a morte e a vida. Morte na cruz = Sábado santo = ressurreição.

 

Teologicamente, esta afirmação de fé tem quatro grandes significados:

1.   Solidariedade de Jesus com os mortos. Rm 14,9, Cristo é o Senhor dos vivos

      e dos mortos...

2.   Libertação do xeol. Jesus leva esperança de vida onde não havia.

3.   Obediência ao Pai até o fim. É a última conseqüência de sua missão.

4.   Um acontecimento Trinitário. Deus o colocou lá, para que eles, que já

      se foram deste mundo, possam voltar a viver. Chegará um dia em que 

      os  mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e viverão (Jo 5,25).

 

O Cristo divino, como ressuscitado, é o fato central da fé cristã, tornando-se o centro do  Querígma (anúncio, pregação), da Igreja primitiva.

 

A fé como a temos e como a entendemos hoje, não se formou durante a convivência de Jesus com os discípulos, mas, após a ressurreição. Parece que os discípulos não tinham tanta fé na ressurreição, senão, vejamos o caso dos caminheiros de Emaús. Lc 24,13-35.

 

O testemunho de Paulo em 1Cor 15, nos mostra a esperança na  Parosia ( nova vinda do Cristo). Ele diz que Cristo ressuscitou conforme dizia as Escrituras. Assim haverá sempre continuidade entre o Antigo e o Novo Testamentos, pois Jesus Cristo é o Messias esperado.

 

A partir da ressurreição, todo o ser humano entrou definitivamente na dimensão de Deus. Hoje podemos encontra-lo na Igreja, a partir dos Sacramentos, na comunidade, na busca do amor e da justiça.

 

A Ascenção

O Cristo ressuscitado, poderá ser mais bem compreendido pelos humanos em seu estado divino, só através das aparições, da ascensão e de Pentecostes. O “céu” para onde Jesus foi, não é um lugar físico que fica acima da terra. O céu da ascensão narrado por Lucas é a vida de  comunhão entre  todos os cristãos com a Trindade. 

 

A ressurreição e a Ascensão são fatos escatológicos (o final da humanidade e o começo de um novo tempo).  Jesus Cristo leva a história do ser humano à sua consumação. Nele o  tempo histórico chegou ao final e veio o Reino de Deus escatológico.

 

Mt 3,2. Arrependei-vos pois o reino de Deus está próximo...

 

Mc 1,15, completaram-se os tempos...

 

Dessa forma, a partida de Jesus deste mundo, não foi casual, fazia parte da sua missão. Aconteceu para que o Espírito Santo pudesse vir,  o Cristo sentar-se à direita do Pai e os apóstolos receberem a sua missão na terra. É o envio a serviço no mundo. Mc 16,14-20.

 

A ascensão, portanto, é a plenitude de sua encarnação e redenção. Jesus está com o Pai, mas nós estamos também com Ele para sempre, pelo poder do  Espírito Santo:

 

Mt 28, 20 “Estarei sempre convosco”.  “Eu estou no Pai e vocês em mim” (Jo 14, 20).