DO SINAI AO CENÁCULO

            Vocação é algo muito sério. Grande números de pessoas passam boa parte de suas vidas tentando descobrir por si mesmas sua vocação e infelizmente não chegam  a uma resolução definitiva.

            Podemos aqui pensar em alguém que muito cedo descobriu sua verdadeira vocação, o motivo porque Deus a tinha colocado no mundo, sabendo viver com intensidade sua missão. Falamos de Nossa Senhora, a qual no próximo dia 15 será lembrada pela sua assunção ao céu, o seu reencontro com seu filho e o encontro com Deus Pai que a escolheu como co-redentora do mundo e um dos elos mais fortes da corrente da História da Salvação.

            Como catequistas devemos lembrar da Virgem Maria também pelo fato de que ela foi o maior exemplo e modelo de filha, mãe, discípula como também catequista, pois foi ela, que  como toda mãe judia instruiu seu filho nas primeiras lições e princípios religiosos da crença do seu povo no único Deus e nos mandamentos.

            Se formos analisar quais os direitos e deveres de uma mãe nas antigas culturas do Oriente Médio ou mesmo as que  viviam no território da Palestina em relação a educação de seus filhos, podemos  perceber que para o povo judeu a educação não está separada da instrução religiosa e essa era obrigação das mães enquanto a criança fosse pequena. Nas mulheres decididas, tementes a Deus, que levava a sério o seu papel de mãe e educadora (como foi Nossa Senhora), se esse direito lhe fosse negado ela nem tomaria conhecimento, pois a maioria das mulheres hebréias simplesmente ignoravam tal decisões masculinas em prol da preparação de seus filhos para a vida.

            Maria com seu jeito de ser, fez ecoar (catequisar significa ecoar a voz de Deus) no coração do menino Jesus suas palavras meigas e sábias ensinando-lhes os preceitos que vinham de Deus como também as principais orações como faz muito bem todos os catequistas hoje.

            Quando mencionamos hoje a palavra “vocação” ela está ligada aos dons que cada um de nós recebeu de Deus em direção ao envio, como também nos aponta para a missão; isso nos leva a uma grande intimidade com Deus, como aquela que o Senhor proporcionou a Moisés no Monte Sinai (Ex 3,1-5).

            Vamos  refletir o texto? Alguns detalhes nessa narrativa nos chama por demais a atenção a se iniciar por algumas palavras-chaves:

-         Chama de fogo. Moisés pacificamente apascentava as ovelhas de seu sogro Jetro, quando de repente viu num pequeno arbusto (sarça) uma chama de fogo que ardia, ardia, mas não a consumia , nela lhe aparece o anjo do Senhor. Moisés intrigado com tal situação se aproxima um pouco mais e então ouve  voz de Deus que lhe disse: “Moisés tira as sandálias dos pés, porque esse lugar é sagrado. A chama de fogo me lembra várias coisas entre elas a mais óbvia, ele pode purificar e derreter o mais nobre  e precioso dos metais, o ouro. Serve para aquecer e iluminar o ambiente e simboliza o Espírito Santo a partir de Pentecostes. Esse fogo, pode me transformar, criar em meu coração um amor diferente e me aproximar de Deus. Moisés teve através desse fogo sagrado um contato íntimo com Deus, o que me faz perceber a semelhança entre o acontecimento do Sinai e do Cenáculo. O mesmo fogo que veio até Moisés, chega também aos apóstolos em Pentecostes e se estende até nós.

-         Tirar as sandálias. Quando o Senhor lhe pede isso é o mesmo que lhe dissesse: Moisés sejamos íntimos, aproxime-se de mim, seja você mesmo na minha presença, não tenha medo de se mostrar como é! (tirar as sandálias para o homem hebreu em sua tradição e costume, significava um ato íntimo que só se fazia diante de alguém que você conhecesse bem, alguém da família). Deus pede a Moisés que “tire a máscara”, seja autêntico diante dele que conhece todos os corações.

-         Lugar sagrado.  Pode muito bem simbolizar o nosso coração, não é ele o nosso lugar sagrado e secreto, que somente nós o conhecemos? Ele é o espaço mais íntimo entre eu e Deus, é o lugar onde Ele quer me falar, mas antes (diz o Senhor) devo me desvencilhar de tudo que me atrapalha e dificulta chegar a seus pés.

Acredito que a nossa verdadeira vocação está em descobrir o quanto antes que devemos tomar consciência do amor de Deus, tirar nossas sandálias e nos apresentar diante Dele como somos; certamente fará conosco como fez com Moisés, nos dirá: “E agora vai, pois eu estou te enviando (Ex 3,12), vai, pois eu estarei contigo”...(Ex 3,12a).

            A nossa vocação nos diz que somos todos os dias enviados por Jesus Cristo, par falar das Boas Novas do Reino que Ele nos trouxe.