DONS, CARISMAS E MINISTÉRIOS.

As palavras “ministro” e “ministério” vêm do latim e correspondem ao grego diácono e diakonia, o que serve.

Na Igreja, a palavra “ministério” ligou-se ao apostolado, aquele ou aquela que serve a Deus pela vocação e missão de servir ao outro. Jesus Cristo referindo-se ao ministério dos apóstolos disse: sabeis que entre as nações, quem tem poder manda...mas não há de ser assim entre vós. Se algum de vós quiser ser grande, seja vosso servidor. Mc 10,42ss.

A vocação de São Paulo foi considerada um ministério pelo ato de servir. Paulo servo de Jesus Cristo, chamado a ser apóstolo...At 1,1.

Ao ser criado o Ano Vocacional, levou-se em conta o mundo em que vivemos, onde somos bombardeados diariamente com informações e pouca transmissão da sabedoria vivida ao longo das gerações que vieram antes de nós, e nesta se insere o povo de Deus que no Antigo e Novo Testamento e em toda a caminhada da Igreja busca através da diversidade dos ministérios colocar a prática do servir. Somos chamados, a partir do batismo, a assumir uma identidade para “avançarmos sempre em direção de águas mais profundas” (Lc 5,4), libertar-nos das amarras rompendo com qualquer tipo de estagnação e comodismo.

Como leigos e leigas na Igreja, temos à frente uma diversidade de ministérios, portanto, a importância maior se dá na descoberta da nossa vocação.

·        Para que pastoral Deus me chama?

·        Como vou dizer “sim” à vocação e concretizar a minha missão?

           Como bem diz um estudioso do assunto, referindo-se a Igreja: “é uma comunidade de pessoas carismáticas e, como sabemos que carisma é dom exclusivo do Espírito Santo”. Isto significa que todos nós se quisermos, poderemos transformar nossos carismas em vocação e na missão de servir.

Na comunidade dos primeiros cristãos, todos tinham seu lugar específico exercendo seus ministérios com amor; senão vejamos o que nos diz São Paulo à comunidade de Corinto: ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um é um membro. A um, Deus constituiu (tarefas específicas) como apostolado, profecias, poder para fazer milagres, a graça de curar, de prestar socorro, de governar, falar em línguas ...1Cor 12,27-31. O mesmo se repete hoje: cada um possui o seu dom específico, mas todos usufruem do doador deste dom que é o Espírito Santo, e isto  porque fazem parte do corpo de Cristo, a Igreja. Desta forma, o Espírito Santo diversifica seus carismas, visando a partilha dos dons de cada um e o enriquecimento da graça. “Todos temos dons diferentes, segundo a graça que nos foi dada, seja a profecia ou servir ao outro. Se for o de ensinar, ensine, se for o de aconselhar, aconselhe. Se for o de distribuir alimentos ao irmão necessitado, faça isso com simplicidade. Se for o de presidir a celebração, faça com amor e zelo. Se for o de exercer misericórdia, faça com gentileza e seja amável”. Rm 12,6-8.

A nossa atuação ministerial como leigos e leigas hoje, não  permanece apenas no interior da Igreja, mas abrange o mundo em que vivemos. O Papa, sempre preocupado com o bom andamento das pastorais nas comunidades, nos diz que: para animar cristâmente a ordem temporal (um mundo organizado) no sentido de servir a pessoa e a sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política.

É também na família que se faz importante exercer o nosso primeiro ministério. É nela que todos somos chamados a viver a comunhão, o espírito de doação e a fraternidade. A Igreja é a continuação da família. Só poderemos exercer eficazmente o ministério a que fomos chamados na comunidade, se antes o fizermos na família. A nossa vocação específica como leigos e leigas é animar e sustentar os valores existentes no mundo para que estes se tornam importantes à medida que são acrescidos dos dons e da graça de Deus, o que vai completar-se nos vários ministérios da Igreja.

Assumindo plenamente a vocação específica através dos carismas do Espírito Santo, podemos assumir completamente cada um dos ministérios e contribuirmos para uma Igreja forte, superando as adversidades, incompreensões, tão comuns em nossas pastorais. Devemos resgatar e recuperar a dimensão da vontade de Cristo, percebendo sua presença no mundo, mesmo a tantos sinais contrários ao Reino. Vivermos com intensidade nossa vocação é o caminho, sendo para todos um exemplo de que podemos viver nossa vocação e nosso ministério no mundo de uma forma autêntica e livre, de acordo com a nossa fé e confiança na vontade do Pai.