ECUMENISMO, FRATERNIDADE E PAZ

 

             A Campanha da Fraternidade esse ano traz como tema “Solidariedade e paz”, vindo complementar o que já foi dito na Campanha de 2000: “dignidade humana e paz”, as duas visando um mundo cristão sem preconceito ou exclusão, ou melhor, o estabelecimento total do ecumenismo.

            Talvez muitos de nós ainda desconheçamos ou tenhamos dificuldade em compreender o que seja ecumênico, mesmo sendo uma diretriz da Igreja desde o concílio Vaticano II (1965).

            O termo ecumênico vem do grego oikomene (terra habitada, todas as nações, mundo inteiro) presente no Novo Testamento (Mt 24,14; Lc 2,1), passando mais tarde na linguagem eclesiástica a significar o mesmo que universal, total; por isso, os concílios ocorridos na Igreja são chamados de ecumênicos, pela representatividade total do prelado por meio de convocações papais.

            Por incrível que pareça, a palavra ecumênico (de acordo com os Estudos da CNBB 21) que indica um movimento em prol da unidade dos cristãos, teve início no meio evangélico no século XIX. Em alguns países o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) é chamado de Conselho Ecumênico de Igrejas.

            Hoje, o Decreto do Concílio Vaticano II “Unitatis Redintegratio” (reintegração da unidade) sobre o ecumenismo, coloca que a unidade da Igreja não se fundamenta na ação humana mas no fato de que Cristo, como Cabeça da Igreja (povo) se fez UM com ela, seu corpo.

            A partir de tal afirmação, e com esse espírito ecumênico, é que as sete Igrejas cristãs membros do Conselho Mundial de Igrejas Cristãs (CONIC), redescobriram que a paz é fruto da solidariedade, da fraternidade e do respeito mútuo, e que só seremos verdadeiros seguidores do Cristo se nos acolhermos e confiarmos plenamente uns nos outros sem que nenhum de nós possa estar indiferente ao sofrimento alheio, pelo fato de que a paz faz parte do anúncio messiânico e do discurso profético. Segundo Isaías, para o Messias confluirão todas as nações e será um tempo de paz (Is 2,2-5). Isto foi ratificado pelos primeiros cristãos, conforme observamos em Efésios 2, 14: “Ele é a nossa paz, Ele que de dois fez um, derrubando com seu corpo o muro divisório, a hostilidade...”.

            Diante do que temos presenciado na C.F 2005 sob o olhar dessas sete Igrejas, estamos vislumbrando não apenas a retomada da Campanha da Fraternidade de 2000, mas com a redescoberta de um novo compromisso, ou seja, dar uma arrancada mais madura e consciente a uma década de superação da violência, como também contribuir para a IX Assembléia do CMI que ocorrerá em Porto Alegre de 14 a 23 de fevereiro de 2006, a qual terá como tema “Deus, em tua graça, transforma o mundo”.

            Diante dos fatos apresentados e sensibilizados pela Campanha da Fraternidade desse ano, busquemos nos comprometer e reconhecer os princípios católicos do ecumenismo, de que todos os cristãos batizados em nome de Cristo são revestidos Dele... e, dessa forma, todos também são um em Cristo Jesus (Gl 3,27-28). Por conseguinte, ser ecumênico hoje é saber buscar a paz pelo diálogo respeitando a diversidade do outro, criando laços de afeto fraterno entre as Igrejas, buscando novos caminhos através da oração conjunta, trabalhos comuns a partir da fé semelhante que une a todos e assim cumprir o Evangelho de Jesus Cristo inserido nas Bem Aventuranças: “Felizes os que procuram a paz..”. Mt 5, 9.