Em busca da felicidade

         Queridos catequistas, estamos sempre buscando de alguma forma ser feliz, principalmente neste mês em que muitos estão desfrutando das férias do meio do ano; mas convém lembrar que ser feliz para o seguidor de Cristo é muito mais, é colocar seus dons a serviço da comunidade, isto é, levar a sério a missão de evangelizar. Portanto, para o catequista, ser feliz é servir ao Senhor.

Por outro lado, quando pensamos em felicidade nos parece algo passageiro, difícil de alcançar; e quando isso acontece é por pouco tempo, logo se esvai como fumaça no ar. Infelizmente essa é a realidade para a maioria das pessoas. Existe até um ditado popular que diz: “felicidade não existe o que existe são momentos felizes”. Diz também o poeta Antonio Nobre que ser feliz é permanecer jovem para sempre: ”Felicidade, felicidade, ai quem me dera na minha mão não passar nunca da mesma idade”, ou ainda, que neste mundo não há felicidade ela só vem “na outra vida”. Será mesmo?

Talvez esta tal felicidade que tanto desejamos esteja tão perto de nós e não nos damos conta, e mais tarde desabafamos: “Eu era feliz e não sabia”. É possível que a definição de felicidade esteja exatamente nesta frase, que já somos felizes e não nos damos conta.

        Como cristãos de fé e comprometidos com a construção do Reino de Deus, preocupados em evangelizar da forma correta como o Senhor nos pediu, devemos saber definir o que seja a verdadeira felicidade, que não é ter coisas, ter poder, ter beleza, ser jovem indefinidamente, etc.

É neste sentido que devemos buscar entender melhor a diferença entre fazer, ter e ser. Para tal devemos refletir a leitura do Eclesiastes 2, 1 – 11. O texto nos conta que um homem buscava de todas as formas ser feliz e que depois de algum tempo disse ele: “depois examinei todas as obras de minhas mãos e a fadiga que me custou realizá-las, e eis que tudo era ilusão e frustração e nada havia de proveitoso debaixo do sol”.

        Mas será que ser feliz é apenas ter coisas? Vejamos a etimologia para a palavra felicidade: vem do latim felicitas, aquele que desfruta de satisfação, alegria e ventura; alguém ditoso, abençoado, afortunado, venturoso. Portanto, felicidade é um estado  de vida. Mas, e na Bíblia o que é ser feliz?

        No hebraico, felicidade é quase sempre traduzida por esher (estar feliz); no Novo Testamento é substituído por makários (bem aventurado, feliz), palavra presente no discurso de Jesus em Mateus 5,3-10, Lucas 6 e outros textos.

        Fazendo uma caminhada pelos patriarcas, vamos encontrar esher, no sentido também de bênção para o ser humano. Jacó é abençoado e feliz por meio de Lia quando esta, através de sua serva Zelfa, lhe dá um filho: “Que felicidade para mim!... e lhe deu o nome de Asher (Aser)” que significa feliz. Gênesis 30,13.

        Outra referência está presente no Salmo 127,5 (126), quando Salomão afirma que só Deus traz felicidade para os pais através dos filhos; que eles serão na sua velhice uma felicidade e uma ajuda valiosa: “Feliz o homem que deles (filhos) encheu sua aljava” (mochila que era utilizada para o transporte de flechas), ou seja: teve muitos filhos, estes lhe trarão um futuro feliz.

        Em tais circunstâncias, podemos entender que o conceito judaico-cristão das bem-aventuranças, a expressão bíblica makárioi (felizes) é a que mais se aproxima do ideal contemporâneo de felicidade. Mateus, notadamente fiel às traduções do judaísmo helenístico, traduz asherêi por makárioi, sendo que as duas significam felicidade.

Assim, de acordo com o pensamento dos escritores bíblicos ser feliz é estar com Deus, fazer Dele o guia de nossas vidas. Podemos observar que no início do Salmo 1, a frase... Asherêi haishi... “feliz o homem”... e a última frase do salmo 2 ”Felizes todos os que em Deus tem seu refúgio” são termos que admitem que a verdadeira felicidade reside na fidelidade a Deus, a qual repercute nas relações humanas da pessoa consigo mesma e com a sua comunidade; implica na integridade do ser humano marchando na estrada da vida, tendo como guia o seu Senhor.

Nesta perspectiva podemos afirmar que a felicidade na Bíblia não é apenas caminhar ao encontro de Jesus, mas perseverar nele, atuar como mensageiro de sua palavra, como cada catequista o faz. Assim, as palavras do profeta Isaías vêm nos confirmar quando ele diz: “Como são bem-vindos sobre os montes os pés do mensageiro da boa nova”. (52, 7a).

Considerando todas as formas de felicidade, o que podemos deduzir como filhos de Deus conscientes e participativos é que a felicidade não está em viver simplesmente, mas em saber viver, pois não vive mais o que vive apenas pelo prazer, mas o que escolhe ser feliz e encontra forças no Senhor: Como bem diz o Salmo 33, 12 (32): “Feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor...”