Estudo sobre o Apocalipse - Profª Dita

Autoria

O autor do Apocalipse se identifica como João. Não sabemos com certeza que João é, mas desde o I século. São Justino (150 d.C) o identificou com João, apóstolo de Jesus, autor do 4º evangelho e de 2 epístolas. O mais certo é que tenha sido redigido pela comunidade do apóstolo.

Data 

Final do primeiro século - (96 - 100 d.C).

Vocábulo

Apocalipse, significa revelação feita por Deus a alguém especial, um visionário, a ser transmitida aos outros.

Gênero literário 

Apocalíptico, em forma de carta. Muito comum no judaísmo entre 200 a.C a 200 d. C. Caracteriza-se pela linguagem mística, os símbolos, visões e aparições celestes. 

É um gênero estranho para nós. Para a época, tudo era traduzido intelectualmente. Uma literatura de erudito para eruditos, por isso suas interpretações ligavam-se ao seu  meio social. 

Túnica = dignidade sacerdotal. 

Cinto de ouro = o poder real.

Olhos chamejantes = ciência perfeita (1,13-16).

O mesmo para as cores (1,6-8):

 Branco = vitória.

 Vermelho = violência.

 Preto = morte...

Este livro implicitamente recorre a apocalíptica judaica e ao A.T.. Serve-se sobretudo do Êxodo, Daniel e Ezequiel de onde extrai a maioria dos símbolos e imagens.

Todo o conteúdo do livro é uma carta em capítulos dirigida às 7 Igrejas da Ásia, onde Deus promete felicidade para quem lê, escuta e observa as profecias.

O livro está dividido em 2 partes :

1) 1-9-3,22 (mensagens às 7 Igrejas). João quer despertar a fé daqueles cristãos. Louva, repreende, fala dos castigos e recompensas.

2) 4,1,22-21. João descreve os acontecimentos que virão para aqueles cristãos. É como se fosse a hora do juízo, a hora do arrependimento. Ele usa o símbolo das 7 trombetas e o que acontecerá na terra; descrevendo a luta e a vitória.

Foi escrito num período de crise para os cristãos (6,9-11), de violenta perseguição (7,9-14), na qual muitos foram martirizados.

Sob Nero - 64-68

"Domiciano" 81-96. Os conflitos e sofrimentos, provocaram sérias dúvidas nos fiéis sobre a realidade do Reino de Deus. Será que valia a pena morrer por Cristo ?

João quer em seu livro, reafirmar a certeza da vitória de Jesus Cristo, reacender a fé dos cristãos e trazer uma mensagem de esperança para os perseguidos. É o que ele chama de "Evangelho eterno" (14,6). Deus irá cumprir a sua aliança com seu povo. Os mortos ressuscitarão e serão julgados conforme o que fizeram (20,11-15), então a morte não mais existirá (21,1-8). Todos devem seguir ao Cristo até o martírio (2,10-13; 2,2s; 22.17-20).

Não podemos esquecer que: O Apocalipse é um livro do seu tempo, escrito a partir do seu tempo e para o seu tempo, e não propriamente para as gerações futuras. Mas pode ser válido para todos os tempos. Os acontecimentos nele relatados, podem identificar-se conosco. O drama incessante da luta do bem contra o mal também é uma realidade hoje. Nele se encontra memórias do Antigo Testamento, mas também dos evangelhos. Um exemplo é sua identificação com as bem aventuranças de Mateus 5.

SINAIS: As 7 bem-aventuranças: 1,7 - Feliz o que lê ou escuta... 14,13 - Feliz o que morre no Senhor... 16,15 - Feliz o que se veste com modéstia... 19,9 - Feliz o que for convidado p/ o banquete... 20,6 - Felizes os cristãos que ressuscitaram antes... 22,7 - Feliz o que guardou as palavras e profecias deste livro... 22,14 - Feliz os que são puros...

Um outro costume dominante é o uso dos números. A ciência dos números, a guematria domina todo o livro principalmente o nº. 7, (a plenitude / infinito / perfeição).

A saudação do livro nos leva a Trindade. 1,4-6. - São enumerados os três bens: O amor, a redenção e a participação do reino sacerdotal de Cristo, cf. Ex 19,6.

(1,7) - O tema "Filho do homem", filho da humanidade", vem de Dn7, era para os cristãos da época a grande consolação. Esta vinda do Messias como ser humano, abria e finalizava a época apocalíptica (22,20; Dn 7,13. Zc 12,10; Mt 24,30; Jo 19,37).

(1,8) - Os símbolos Alfa e Ômega (princípio e fim) então em todo o livro 1,8; 22,13; 1,17; 28; 11,17; 21,6; 22,13 (7 vezes).

1º - Primeira visão :

(1,9) - João descreve sua primeira visão, provavelmente em seu exílio propiciado por Domiciano para a Ilha de Patmos.

(1,10-15) - Dia do Senhor... Domingo. Esta citação nos faz perceber que nesta época os cristãos já eram separados do Judaísmo. João recebe a incumbência de Deus de enviar mensagens de fé e confiança às igrejas de : Éfeso / Esmirna / Pérgamo / Tiatira / Sardes / Filadélfia / e Laudicéia. Ele vê 7 candelabros de ouro (Igrejas) e entre eles J. C. que, como rei e sacerdote, está "no meio" das comunidades.

(1,16) - Espada de dois gumes, símbolo da Palavra de Deus, cf. Ef 6,17s; Hb 4,12.

(1,20) - Os anjos, eram considerados nesta época como intercessores, mensageiros de Deus e responsáveis pelo mundo físico (Ap. 7,1; 16,5) guardiões das nações (Dn 10,13; 12,1), guardiões das comunidades e das pessoas (Mt 18,10; Lc 12,15). Havia um anjo para cada Igreja.

 Vamos conhecer o provável conteúdo teológico e social que estava na mente de João ao enviar estas cartas às sete igrejas.

1ª) Igreja - 2,1-7 - João se dirige ao líder da comunidade de Éfeso: Deixaste o primeiro amor (J.C.) e se voltou aos nicolaítas (seita guóstica, povo pagão). Quem ouvir e praticar terá vida eterna "vai comer da árvore da vida" (Gn 2,9; Ap 13,9; 22,2).

Éfeso talvez fosse a comunidade mais querida do apóstolo, era lá que morava quando foi exilado. Era a capital da província romana da Ásia.

2ª) Igreja - 2,8-11 - João se dirige também "ao anjo", ou líder da Igreja de Esmirna, talvez S. Policarpo de Esmirna. Provavelmente um homem rico em bens materiais, mas pobre na fé, que possivelmente será ludibriado pelos judeus. A tribulação de 10 dias, lembra Dn 1,14-16 um prazo curto de provação.

Coroa da vida, (v. 11b) - Era um prêmio dado aos esportistas campeões das olimpíadas. O 1º lugar em Esmirna, era símbolo de glória eterna.

3ª) Igreja - 2,12-17 - Também se dirige aos líder "o anjo", de Pérgamo, hoje Bérgama. Era a residência do pro-consul romano, uma cidade idólatra, havia até o costume da prostituição sagrada. v.13 muito semelhante ao que lemos na doutrina de Balaão, cf. Num 24,3ss; 25,1s; 31,16.

(v. 17) - Ele termina com uma promessa de Deus aos que o ouvirem, através das figuras do maná escondido - pedrinha branca. O maná é alimento da vida e a pedrinha branca era uma lâmina de pedra com a qual as pessoas gravavam seus nomes e títulos de honra para serem entregues aos vencedores dos jogos olímpicos, era o símbolo da glória eterna.

4ª) Igreja - 2,18-29 - Tiatira, era o centro comercial da cidade de Lídia. João elogia o líder da comunidade, que ele chama de anjo, mas critica a sua forma de agir, usando a figura de Jezabel, cf. 1Rs16,31s. Uma rainha que favorecia o sincretismo religioso com o paganismo, e o culto da fertilidade, onde mulheres se prostituíam com os sacerdotes. A recompensa desta Igreja (v. 26), será poder sobre as nações.

5ª) Igreja - 3,1-6 (Sardes) - João, a mando do E.S. critica um líder desta Igreja, diz que está morto para Deus, provavelmente seja o rei. Sardes, a quinta Igreja era a residência do último rei de Lídia, Creso, homem bilhardário. Se dizia cristão, mas apenas na aparência. São três as promessas para esta Igreja: v.5. 1-Veste branca. 2-Livro da vida. 3-Reconhecimento de Cristo.

6ª) Igreja - 3,7 -13 - A de Filadélfia, uma pequena cidade da província romana, abalada pôr freqüentes terremotos, cidade sofrida.

(v. 7-10) - Chama de Davi - segundo Is 22,22 é o poder messiânico de Jesus Cristo. Veja Mt 16,19 (Jesus dá a Pedro as chaves do Reino, o poder). O líder desta comunidade pelo que João apresenta, resistiu a pressão dos judeus, foi firme na fé.

A promessa. Ele será uma coluna do Templo, representando o alicerce dos cristãos, e a perseverança no Reino de Deus.

7ª) Igreja - 3,14- 22 - Laudicéia, a última Igreja, ficava num núcleo industrial e comercial. Muito rica, célebre por seus Bancos e Escolas de medicina. Era famoso o colírio fabricado em Laudicéia. Foi destruída por um terremoto no ano 61 ou 62 d.C, (o que nos faz ciente que o escrito é memória). O perigo deste povo era o orgulho, o luxo, o conforto material.

João se dirige aos ricos da cidade. Chama-os à conversão. A promessa para esta Igreja, é sentar-se com Jesus Cristo no trono da glória.

 

2 - Segunda visão: 4,1-11.

João é convidado a ver o futuro nos planos de Deus. Ele entra em êxtase (muito comum para os profetas e até os místicos do nosso tempo). O que hoje se chama de transe.

(v. 2) - Alguém estava num trono. É semelhante a visão de Miquéias descrita em 1Rs 22,19s; Ez 1,26 (visões de Ezequiel).

As pedras, v.3, simbolizam a luz da santidade e glória. O arco-íris, a bondade, misericórdia e o amor de Deus (Gn 9,16). Os 24 anciãos, são os representantes das 12 tribos de Israel e dos 12 discípulos 1.4, 7 lâmpadas representam a força do Espírito santo v.5. É o povo antigo e o novo que se funde.

(v.6-7) - Seres vivos, foram mais tarde colocados para os 4 evangelistas.

(v,8) - Mesmo sendo "bem vivos" (olhos na frente a atrás) os primeiros cristãos eram imperfeitos tinham "seis asas", mas, chamavam ao Senhor, o que afirmava que os apóstolos e os santos (povo) louvaram e obedeciam ao Senhor.

3 - Terceira visão: - 5,1-5

Do livro selado (Is 29,11), contém os decretos divinos sobre a criação, a humanidade e o futuro dos fiéis. João vê Deus "sentado num trono". É semelhante a nossa visão do passado, quando imaginávamos Deus como uma pessoa, um ancião de barbas brancas sentado num trono. Deus é uma pessoa. Ap 6,16; 1Rs22,19 (já citado).

Quem é digno de abrir o livro ? v.4. Só Jesus Cristo v.5.

(v.6) - Jesus Cristo está com os evangelistas porque falam dele, a partir do A.T. e do N.T. Um coro tríplice ecoa no céu...

(6,1-8) - Os 4 primeiros selos.

Todos os 4 cavaleiros (cf. Zc 1,1-17; 6,1s) significam "pragas" enviada do céu. É o que vemos na visão de Zacarias. Estas pragas são enviadas por um dos quatro "seres vivos", os evangelistas ? Que estavam a serviço do Cordeiro (J.C), o único que pode abrir os "selos".

A primeira praga v.1, foi enviada para algum conquistador do Império Romano, Domiciano ? Nero ? Veja... Zc1,8; 6,1-8; Ap 19,1.

A segunda praga v.3, representa a guerra civil, talvez a que houve no ano 70, com a destruição do Templo.

A terceira praga v.7, fala da fome, carestia, doenças, conseqüências das guerras. Veja Lv 26,26; Ez 4,6-17. 

A Quarta praga v.7, como conseqüência das anteriores, a mortandade entre o povo. Provavelmente João se inspirou em Mt 24,1-14; Mc 13,5-13; Lc 21,10-19, como também em Jr 14,10-12; Ez 14,21-23; 33,27-29. O autor diz, que mesmo em meio a tantas catástrofes ainda não é o fim...

A Quinta praga (selo) 6,9-11, nos lembra as perseguições à Igreja primitiva, e que foram preditas por Jesus (cf. Mt 24.9-14, que estão se cumprindo. Levanta-se o problema da injustiça divina contra os opressores do povo de Deus na terra. v.10.

A Sexta praga - 6,12-17, descreve simbolicamente as catástrofes cósmicas que acompanharão a Segunda vinda de Jesus Cristo. É o dia do Senhor ! Claro que, com uma linguagem apocalíptica bem ao estilo da época. Veja Is 13,9-13; 34,1-4; Jl 2,1-11; Am 8,9-14 e no N.T., Mt 24,29, Mc 31,24.

 

CAPÍTULO 7. Conforto aos fiéis 7,1-8.

Novamente a ciência dos números se faz presente. O texto conforta os cristãos, que é a finalidade do Apocalipse. Eles não estão isentos dos sofrimentos, mas estão (marcados) sob a proteção de Deus.

7,4 - Os 144 mil, são as 12 tribos de Israel, os escolhidos do A.T e os 12 apóstolos, escolhidos do N.T. Eles, 12 x 12 = 144.000 - Era para o autor naquela época, todos os descendentes destes dois povos. A Igreja militante, cf. Ez 9,4-6. Os fiéis ao Cristo seguem a cruz.

7,9-17 - O autor aqui nos põe ciente dos eleitos. Ele os vê na glória do céu.

(v. 9) - Há quatro expressões que frisam o universalismo deste novo povo de Israel, convivendo como irmãos (nações / tribos / povos / línguas).

As aclamações (10-12) são protestos contra a falsidade do Imperador romano, chamado de SÓTER (salvador).

(13-17) - É uma resposta de Deus ao povo. Os que foram martirizados pelo Cristo estão na Glória.

CAPÍTULO 8 - O sétimo selo (aviso) - 8,1-6.

João nos chama a atenção para o SILÊNCIO. Veja Zc 2,14-17. Todos estão extáticos diante de tão grande acontecimento. É a descrição da Escatologia (final dos tempos) segundo as visões de João. Não é uma praga, mas um aviso.

Símbolos apocalípticos são usados, para diferenciar a presença do Senhor. Fumaça / trovões / relâmpagos / vozes / terremotos.

As 7 trombetas, são símbolos conhecidos pelo povo. Ela era usada na liturgia do Templo para anunciar os tempos e os acontecimentos. No Templo celeste são os anjos que as tocam, fazendo as vezes dos sacerdotes (cf. Mt.24,31).

Possivelmente estes 7 anjos (v.2) são os mesmos 7 arcanjos de quem nos fala Tobias 12,15.

Os perfumes e o turíbulo (conhecido por nós) representam as orações dos santos (cristãos) que subiam ao céu, ao trono de Deus. João nos diz que a oração ainda é a melhor arma contra o inimigo.

(8,7-13) - O toque dos 4 anjos.

O autor nos põe a par da força de cada anjo quando toca sua trombeta. Eles desta vez anunciam pragas, castigos para os maus (muito comum no entendimento judeu). Este som atinge a natureza e o ser humano. É muito semelhante as pragas do Egito. Veja Ex 9,23-25; Ez 38,12; Sb 16.22; Is 13,10; Ez 32,7; Jl 2,10... Mas ainda não é o fim... foi só a terça parte...

CAPÍTULO 9 - A Quinta e Sexta trombetas. 9,1-21.

A estrela que cai (cadente) era um símbolo conhecido pelo povo, significando a queda de Satanás. Lc 10,18 Jo 12,31 Ap 12,8s.

(v.2) - A fumaça, escura é sinal das coisas do mal. A descrição dos gafanhotos, se aproxima de Ex 10,4 e Jl 1-2, direcionados a castigar alguém.

(5b.) - Cinco meses, é o tempo de verão na Palestina, onde proliferam os insetos.

(v.11) - Abábbdon ou Apollyon, significa: aquele que perde, o perdedor, diríamos, um outro nome dado a Satanás ?

(v.13) - Esta praga vem agravar as anteriores. (v.15). Os 200 milhões de demônios, representa uma potência superior a qualquer exército humano.

João amedronta ainda mais descrevendo o que havia no inferno (v.17) fogo / fumo / enxofre / fumaça escura.

Os que sobraram de toda essa destruição, ainda continuaram desobedecendo ao Senhor (v.20).

Possivelmente o autor nos coloca as perseguições, as guerras romanas e judaicas, as mortes e guerras dos dois lados, ocorridos desde o ano 70 até a época em que o livro foi escrito (final do I século).

CAPÍTULO 10 - A tribulação nas comunidades - 10,1-11.

João agora vê, antes da 7ª trombeta, a sorte dos eleitos. Vem mais sofrimentos para os cristãos comprometidos com o Reino. Ele tenta de alguma forma não revelar a mensagem dos 7 trovões (v.4s), para não afligir ainda mais os irmãos, a quem ele quer consolar e lhes transmitir coragem.

O solene juramento, se refere a mensagem da 7ª trombeta, a qual anunciará o dia de Javé. Também o profeta Ezequiel (2,8) deve "comer" o livro (v.9s). Isto significa assimilar o conteúdo para poder anuncia-lo.

CAPÍTULO 11 - a medição do Templo - 11,1-2.

Aqui a medição do Templo é simbólico, indica o limite da profanação permitida por Deus.

O Átrio exterior (v.2) - as coisas periféricas, bens materiais / fortuna / vida fácil / liberdade / poder. O interior do Santuário é a doutrina, o ensinamento, o culto, os Sacramentos que santificam.

(v.2) - Quarenta e dois meses, é o equivalente a três anos e meio (calendário lunar - 3,5) a metade de 7 anos = 1.260 dias que significam o tempo da tribulação (cf. Dn 7,25 e Lc 21,24s; Jr 21,6s; Is 63,18; Dn 9,26; 12.7).

(11,3-14) - As duas testemunhas.

João nos fala agora de duas testemunhas, cheias de poder e glória, que pregam por um tempo determinado (1.260 dias) 3,5 (três anos e meio e com vestes rudes) fala de Jesus e João Batista ? De Zorobabel e Josué? Zc 4,1-10, quando escreve (as duas oliveiras e os dos candelabros (v.4) ?.

Os milagres (v.6) que operam são semelhantes ao de Moisés e Elias (todos diziam ser o Messias um segundo Moisés) as vestes rudes ( que são profetas) cf. Dt 18,15s; 2 Rs 1,8.

O mundo se rejubila pela morte das duas testemunhas (v.10). O mundo judeu e romano ficaram felizes com a morte de Jesus e João Batista. Será que João pensava nos dois ? . Mas segundo ele, outros surgirão.

(v.11) - Será que ele nos fala da ressurreição ? Ez 37,10; Gn 2,7; Sl 104,30. O sopro (Espírito de Deus) traz vida.

(11,15-18) - A sétima trombeta.

No dia de Javé... que está chegando o Reino de Deus triunfará sobre o mal. Os que perseveraram até o fim (v.18) serão recompensados.

João cita novamente os 24 anciãos (sentados diante do trono de Deus. As 12 tribos e os 12 apóstolos, os escolhidos) (v.16).

(v.19) - Os mistérios do Templo são postos à vista, pela simbologia da Arca da aliança. É tirada dos Santos dos Santos... é a revelação de todos os mistérios da Igreja. Vamos ver com detalhes nos capítulos 12-13.

CAPÍTULO 12,1-12 - A mulher e o dragão.

Aqui o autor começa a "tirar o véu", explicar com detalhes o plano de Deus para o seu povo.

Ele inicia fazendo uma alusão a uma mulher, como um sinal do céu. Céu aqui é o firmamento, onde ao olhos de um vidente aparecem sinais reveladores no sentido teológico da história.

A mulher a que João se refere, é colocado pela igreja católica como uma alusão a Virgem Maria como sinal do céu. Maria foi mãe do Messias, conseguindo trazer esperança salvação ao mundo (Gn 3,14s; 37,9; Ap 12,5; Sl 2,8. O texto lembra também o sinal que foi dado ao rei Acaz em Is 7,10-14 (cf. Mq 4,9; 5,2).

Maria, a mãe de Deus, na sua glória de mãe do Messias é o protótipo da Igreja, na geração mística de Cristo e de todo o povo santo, representado no Apocalipse pelos 12 anciãos (12 estrelas) (cf. Gn 37,9).

(v.2) O parto doloroso, faz uma alusão a Is. 26,17.

(v.3s) - João se inspira em Dn 7,7, para descrever o perseguidor a Maria. Mas ela não se abateu (v.5) é corajosa, diz sim ao Projeto do Pai e dá a luz ao Messias. Pisa e esmaga a serpente.

(v.6) - Vai para o Egito para proteger seu filho. Os 1.260 dias, novamente é um tempo de tribulação (cf. 1,2). Maria e José sofrem muitos anos de sofrimento e tribulação tentando proteger o seu filho do mal. (11,3; 12,6; 13,5; Dn 7,25; Lc 4,25; Tg 5,17).

(v.9) - O dragão, é o poder do mal: o Imperador ? João diz que ele já vencido pela cruz de Cristo. Ele simbolicamente define com 7 cabeças, 7 coroas e 10 chifres. Inspirado em Dn 7,7, João nos coloca como ele via o perseguidor da Sagrada Família. (cf. Jo 12,31; 16,11; Lc 10,18).

(v. 13-18) - Os símbolos possivelmente continuam falando sobre Maria, seu filho, a fuga, a guerra aos cristãos (v.17) e por todos que resistiram na fé.

CAPÍTULO 13 - As duas Bestas.

O símbolo da Besta (Dn 7,1) sempre foi interpretado como o poder e a crueldade do Império Romano aos cristãos, e o dragão, Satanás (representado na figura de um monstro marinho).

(vv.1-2) - João descreve através de símbolos do poder e do mal, talvez a figura de Nero, que segundo uma lenda da época havia revivido em Domiciano. Tão cruel quanto ele.

(v.5) - os 42 meses é uma alusão a Dn 11,36. Nero fez guerra aos santos (v.7) teve todo o poder do mundo.

(v.9) - Se refere a Lv. 24,17-20, onde se cumpria a lei do Talião: se ele matou tantos, também vai ser morto.

(v.11) - A outra besta, (19,20) são os hereges (cf. Mt 7,15; 24,1; Mc 13,22; 1º Jo 2,18-22; 4,3). São os anti-Cristos, que estão a serviço do mundo, muitas vezes dentro da própria Igreja se fazendo de cristãos.

(v.12-15) - Essa besta, tinha o mesmo poder que a outra, pelo seu modo apologético de convencer aos demais para adorarem a primeira besta.

(v.17-18) - A marca, significava a adesão ao culto divino, a César. O 666 até hoje, sua explicação é incerta. Provavelmente, João fundamentou-se novamente na ciência dos números (gematria). Um dos valores numéricos encontrados para o nome Nero César, é 666. Assim esse é o número para todos os ditadores imperialistas romano.

N R W N Q S R 50 + 200 + 6 + 50 + 100 + 60 + 200 = 666

Segundo os Oráculos Sibilinos (documento da época), o nome grego de Jesus era 888 = 3 x (7+1).

CAPÍTULO 14,1-5 - O cordeiro e os resgatados.

(v.1) - João vê Jesus Cristo em Jerusalém cercado dos eleitos do A.T. e N.T. . O Messias toma posse do seu Reino rodeado pelo se exército fiel.

(v.2) - O som é de cítara (instrumento usado na liturgia e para acalmar). Novamente os 4 seres vivos, representantes do Evangelho no mundo (evangelistas)?

(v.3-5) - Só os puros podiam cantar juntos. Guardaram-se da corrupção da prostituição sagrada e seguiram o cordeiro (Mt 16,24; Lc 9,23). Eles representam a esposa do cordeiro, revisto de linho brilhante (obra dos justos e Santos) 19,7s.

(v.6-20) - João descreve o juízo final como ele o vê. Com figuras simbólicas aterrorizantes dentro do gênero apocalíptico. É semelhante a Mt 25,31. Há muitos mensageiros (anjos) enviados pelo Pai.

O primeiro anjo adverte (v.6s) com o livro do Apocalipse na mão. O segundo anjo (v.8) anuncia a queda de Roma (Babilônia). O terceiro (v.9-12) ameaça a todos que seguirem a Besta com as agruras do sofrimento eterno.

João nos apresenta o seu "dia de Javé", na forma de batalha de extermínio, talvez inspirado em Jl 4,2-12; Zc 14,4, com rios de sangue...

CAPÍTULO 15,1-8 - O cântico da vitória.

(v.1-4) - Segundo João, Deus agora já não está tão irado. Celebra-se o triunfo dos santos. Todos cantam.

(v.5) - As pragas vem nas taças, talvez inspirado em Is 6,4-7; Ez 44,4-10, quem poderia ter acesso ao Santuário, no Templo.

CAPÍTULO 16,1-21 - As pragas das 7 taças.

(v.1) - As 7 taças estão cheias da ira de Deus. Vão transformar-se em pragas, muito semelhantes as do Egito. Um pouco diferentes, estas pragas exterminam a todos os seguidores da besta, enquanto os cristãos nada sofrem.

(v.16) - O Armagedom, vem do hebraico (Armeguido) Ar = monte - meguido = batalha. O monte das batalhas. É uma colina situada ao norte da Palestina, fortificada e onde aconteceram batalhas cruentas (cf. Jz 4-5; 2 Rs 23,28-30). (O rei Josias morre em Meguido)

(v.17-21) - João novamente nos fala de Roma usando a figura da "Babilônia", a grande prostituta, a capital do Reino anti-cristão. Ele personifica junto com todo o Império, a grandeza, o poder, a opulência, a corrupção, sedução da capital sobre os povos de todo o Oriente. É o contraste da "mulher revestida de sol", isto é a Igreja.

CAPÍTULO 17 - A prostituta e a besta.

João coloca Roma e seu Imperador "no mesmo saco". E novamente a grande prostituta, a cidade que mata os cristãos.

(5-11) - O vai e vem dos Imperadores, que se embriagaram com o sangue dos mártires. O números, como sempre, devem ser simbólicos, ou só João conhecia a seqüência dos mais malvados.

(v.16-18) - Nos mostra a Teologia da história, em que a própria besta e seus vassalos exterminam sua capital. Seria o incêndio de Roma por Nero ? (Ano 64 d.C).

CAPÍTULO 18,1-24 - Babilônia (Roma) cai.

O texto (v.1-3) segue o esquema de lamentações proféticas sobre cidades e povos (cf. Is 13,19-22; Jr 50,39s; Sf 2,13s; Is 34-11-15).

(v.4-8) - João adverte o povo, "sai dela" meu povo, para que vocês também não sejam atingidos. Do jeito que Roma, entregou-se ao luxo, prostituição, farto comércio e poder, terá o castigo do pranto, tormento, pragas, mortes, fome e fogo.

(v.9-13) - Todos os cúmplices vão chorar e lamentar, principalmente os mercadores.

(14-20) - A fome será grande, tudo vai faltar. Até os comerciantes choram. Os pilotos das embarcações gritam seus prejuízos.

(v.21-24) - Surge um anjo do Senhor, lamentando pelos mártires e prometendo vingança (comum no entendimento judeu).

CAPÍTULO 19-1-21 - O céu celebra.

João coloca o Aleluia! por quatro vezes. (v.4) - Novamente traz a memória dos justos (24 anciãos / 4 seres vivos).

(v.7-10) - Jerusalém está preparada. O bem venceu. O Cristo é adorado e reverenciado e todos são convidados para banquete nupcial do cordeiro.

(v.11-16) - Cristo vence a besta. De quem fala o profeta ? de Pedro ? Dos Cristãos primitivos ? Sabemos que ele era fiel e verdadeiro. E vai agir com braço forte. Ver Sb 18,14-16; Is 63,1-6; 14,20. É alguém com a força do alto.

(v.17-18) - O sentimento de vingança, própria do povo antigo é muito forte nestes versículos.

(v.19-21) - Mas a besta foi exterminada do meio dos santos e foram lançados no inferno de onde não há retorno.

CAPÍTULO 20,1-15 - A derrota de Satanás (dragão).

Na visão de João, esse anjo possui as chaves do inferno (abismo) e acorrentou o diabo pôr 1.000 anos.

Esta perícope do Apocalipse em tempos antigos criou uma seita cristã chamada Quiliasmo, que acreditava num reinado de Cristo e dos Santos (que acreditamos hoje) na terra durante 1.000 anos. Seria como um estado intermediário entre a vida terrestre e a celeste. Os quilialistas esqueceram o estilo da literatura apocalíptica, que diz as verdades por símbolos e números e interpretaram "ao pé da letra", como muitos cristãos ainda hoje o fazem.

Santo Agostinho e São Jerônimo combateram energicamente esta doutrina. O texto nos sugere (1.000 anos) um longo período de paz.

(v.7-10) - João nos reporta novamente as visões de Ezequiel quando quer dar uma ênfase forte ao que relata.

Ez 37. Magog é a terra do povo de Gog, este era apelido do rei da Lídia (Giges / Gog). Na tradição rabínica, Gog e Magog, se tornou um nome duplo para significar o exército dos ímpios, o exército romano.

(v.11-15) Is 30,33 - Nos fala de um lugar parecido com esse que João descreve "tanque do fogo". É a descrição do juízo final, que João o coloca até o capítulo 21. É a separação dos bons e dos maus, e a ressurreição de todos. O julgamento tem duplo critério:

 1) Se estão escritos no livro da vida.

2) Se fez boas ou más obras. Este foi um critério usado pela Igreja católica até o Vaticano II.

CAPÍTULO 21,1-27 - Os novos céus e nova terra.

No hebraico e grego não há diferença para "céu" ou "céus".

João descreve o eterno Reino de Deus, (inspirado em Is 65,17-25; 66,22) livre do pecado e maldição.

(v.2) - Vemos a Nova Jerusalém, que para ele era o símbolo da união de Deus com seu povo (Gl 4,26; Is 52,1s; 5-8). É o único texto no Apocalipse onde o próprio Deus fala; fazendo o discurso final. Mas continua sendo um Deus típico do A.T, vingativo, ciumento, castigador.

(v.9-14) - Um dos sete anjos serve de guia turístico para João, mostrando-lhe a cidade de Jerusalém. Agora ela não é mais a prostituta, mas a esposa do cordeiro.

O modelo da descrição de Jerusalém está em Ez 40-48. Nesta nova Jerusalém, não existe templo (foi destruído no ano 70), portanto, ele descreve só a cidade.

As 12 pedras fundamentais (v.14), com o nome dos 12 apóstolos, lembram a Igreja apostólica. As 12 portas com o nome das 12 tribos (v. 12), de Israel,mostram a continuidade entre Antigo e Novo Testamentos.

(vv. 15-17) - As medidas simbólicas da cidade, tem cunho histórico. Para o judeu, o quadrado e o cubo são o símbolo da perfeição.

No texto original, grego no v. 16, está 12 mil estádios, e no v.17, 144 côvados...

O interesse na compreensão não está no valor da medida em si, mas no valor simbólico dos números que são múltiplos de 12, símbolo das 12 tribos e do grupo de Jesus.

(vv. 18-21) - Este foi considerado o material mais precioso que se conhecia naquele tempo. As 12 pedras preciosas (vv.19-20), são as indicadas no peitoral do Sumo Sacerdote (Efod, cf. Ex 28,17). Nele estão gravados os nomes das 12 tribos. Exprime a santidade e a pureza na glória celeste.

(vv. 22-26) - Não havia Templo, porque Deus, como no tempo dos Patriarcas, não pode ser fechado num Templo. Ele caminha com o povo. Ele está onde o povo está. É uma memória do passado que se torna presente.

CAPÍTULO 22,1-20 - DESCRIÇÃO DO PARAÍSO.

(vv. 1-5) - João nos descreve o Paraíso, quando usa as figuras: "água da vida", 'árvore da vida", descritos no Gn 2,9-14; 3,22. São banidos todos os males da terra.

(vv. 6-9) - E o anjo diz a João, que "as coisas brevemente hão de suceder"... naquele tempo...

(vv. 10-15) - O livro não está terminado, as profecias continuam. O Senhor continua no mundo. Ele é o princípio e o fim... eu venho em breve, diz Jesus...mas, qual será o breve dele? Semelhante ao nosso? Claro que não. O nosso tempo não é o tempo de Deus.

(vv.16-20) São palavras de Jesus, que se apresenta como um descendente de Davi. E o mais importante, ele termina com o discurso do testemunho. Não basta ler, ouvir, alegrar-se, entristecer-se, admirar-se, achar difícil ou fácil o livro do Apocalipse, ter medo, mas, vive-lo, ser testemunha deste livro, do seu verdadeiro conteúdo de ânimo, fé e seguimento da Palavra do Mestre Jesus(v.20).

Que este estudo do livro do Apocalipse, tenha trazido ânimo, esperança e vontade de ser um apóstolo ou apóstola. Que sejamos missionários e evangelizadores neste novo milênio de mistérios e de um novo tempo de paz.

E nunca esqueça: o livro do Apocalipse é um livro do seu tempo, escrito a partir do seu tempo e para o seu tempo. Mas é válido para todos os tempos...