A EUCARISTIA E A PRÁTICA DA ORAÇÃO EDIFICAM A IGREJA

Revista Alpha e Ômega – Julho/Agosto 

        O nosso Pontífice, desejoso de que a Igreja permaneça fiel aos seus princípios e, perpetuamente reunida em memória com Jesus e os discípulos na última ceia, lançou no dia 17 de Abril a Carta Encíclica: Igreja e Eucaristia, dirigida a todos os fiéis, cleros e leigos. Nela ele adverte que a missão de cada um deve ter continuidade eterna com Cristo, pela Eucaristia. Que o corpo e o sangue de Cristo na forma de partícula  e de   vinho sejam fonte para aguçar o desejo de todos os cristãos para evangelização em união com a Trindade. O discurso do Papa nos faz rever com mais rigor o que entendemos por Eucaristia, Edificar e Igreja. São três palavras fortes na missão de todos os cristãos, mas nem sempre as interpretamos como deveríamos. Uma forma antiga, mas eficaz de se entender uma frase importante é decodifica-la, desmembrar seus códigos lingüísticos ricos em significados.

Eucaristia – vem do grego eukaristéw (dar graças, agradecer). Etimologicamente significa reconhecimento, gratidão, ação de graças.

Edificar -  vem do verbo hebraico banah, algo que se constrói. Usa-se tanto para uma construção como para os dons espirituais. Quem edifica é Deus. Ele é quem age em nós. A vocação do profeta Jeremias enfoca com clareza este conceito: ele veio para “destruir e arrancar, para construir (edificar) e plantar (Jr 1,10)”.

Igreja -  no mundo grego o termo ekklesia (Igreja) significava a assembléia  do povo reunido para discutir temas políticos. Em nossa língua as vezes se confunde seu significado. Ela pode ser:

·        O espaço físico, uma construção onde as pessoas se reúnem para o culto.

·        Pessoas, comunidades, que unidas prestam culto a Deus e convivem em fraternidade e solidariedade.

A primeira geração de cristãos, conscientes de serem o novo povo de Deus (1Pd 2,10), adotou o termo Igreja , que mais tarde transformou-se na comunidade que se beneficiou com a Salvação em Jesus Cristo (At 2,47). É este o significado usado por João Paulo II em sua Encíclica sobre a importância da Eucaristia para a edificação da Igreja. Portanto, Igreja somos nós.

Esse novo jeito de ser Igreja partiu do Concílio Vaticano II, quando trouxe à memória a Ceia de Jesus e descobriu nela o âmago da Celebração Eucarística, enxergando nela o centro do processo de todo crescimento e renovação da Igreja. Disse o Papa: “sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, na qual Cristo nossa páscoa foi imolado (1cor 5,7), realiza-se também a obra da nossa redenção. Pelo Sacramento do pão eucarístico, se realiza a unidade dos fiéis, que constituem um só corpo em Jesus Cristo”.

      A Eucaristia como o Papa nos apresenta reforça o Ano Vocacional que vem chamando a atenção dos cristãos para que “avancem para águas mais profundas” (Lc 5,4), rompendo com a inércia espiritual e percebendo no batismo a fonte de todas as vocações. O achegar-se a Jesus Cristo como compromisso começa em nosso batismo, “renovando-se e consolidando-se continuamente”, pela participação na mesa da comunhão.

       A Eucaristia traz a união entre os irmãos e principalmente nos aproxima do Cristo, o cabeça da Igreja. Na comunhão temos a graça de receber o dom de Cristo e do Espírito Santo que nos impulsiona a partilhar os carismas, colocando nossa vida direcionada à missão e ao serviço da Igreja.

       O Santíssimo Sacramento no Sacrário, deve ser respeitado, cultuado, reverenciado e adorado, mesmo fora da celebração eucarística na missa. É um privilégio poder permanecer na companhia do corpo de Jesus, rezar com Ele, ficar em silêncio na escuta da sua palavra, olhar muito mais além do que a presença física do sacrário, ver o verdadeiro Cristo, conversar com ele, ouvi-lo e receber infinitas graças.

      Diz o nosso Papa que, por muitas vezes fez a experiência de ficar por longas horas em frente ao Sacrário, recebendo de Deus consolação e apoio.

      Portanto amigos, a Eucaristia, corpo e o sangue de Jesus Cristo presente na partícula e no vinho, edificam, constroem e preservam a santidade da Igreja como povo de Deus que caminha em busca do Reino. Ela nos afasta do pecado, nos dar forças para enfrentar os conflitos do mundo e multiplica a cada dia os frutos dos carismas que recebemos, pela oportunidade de comungar o corpo e sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo e pela presença do Espírito Santo.

Desta forma, o Santo Padre nos relembra indiretamente as palavras de Jesus: “Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós”.  João 6, 53.