Um livro de beleza incontestável, bem escrito, e que narra vários incidentes relacionados ao julgamento de Jesus. Nicodemus foi testemunha ocular do julgamento, e achou por bem relatar os fatos que observou, no intuito de levar os leitores a entenderem os verdadeiros motivos que levaram Jesus à morte. 

Muitos fatos que conhecemos pelas sagradas escrituras são dissecados pelo autor e "abertos" para que deles conheçamos os detalhes. 

O livro completo relata ainda fatos relacionados à crucificação, ressurreição e diversos acontecimentos posteriores a estes fatos. 

O livro parece ser uma introdução a outro apócrifo "a descida de Cristo ao inferno" (o internauta tem à sua disposição também uma parte deste livro nesta mesma seção). 

Deixamos aos nossos visitantes um pedaço deste livro para seu deleite cultural

 

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....Depois de se haverem reunido em conselho os príncipes dos sacerdotes e os escribas, Anás e Caifás e Semes e Dothaim e Gamaliel, Judas, Levi e Neftali, Alexandre e Jairo e os restantes dentre os judeus apresentaram-se diante de Pilatos acusando Jesus de muitos feitos, dizendo: "Sabemos que ele é filho de José o carpinteiro e que nasceu de Maria, e chama-se a si mesmo filho de Deus e rei; alem disso profana o sábado e ainda pretende abolir a lei de nossos pais". 

Disse-lhes Pilatos: "se realiza honestamente suas curas, não faz mal algum". 

Os judeus replicaram: "Se realizasse suas curas honestamente, não seria mal pior; mas para faze-las usa a virtude de Belzebu, príncipe dos demônios". 

Disse-lhes Pilatos: "Isto não é tirar os demônios pela virtude de um espírito imundo, mas sim pela virtude do deus Esculápio". 

Os judeus disseram a Pilatos: "Rogamos à tua autoridade que ele seja apresentado diante do teu tribunal para que possa ser ouvido". 

Pilatos então os chamou e disse-lhes: "Dizei-me vós como é que eu, um mero governador, posso submeter nada menos que um rei a interrogatório?" 

Eles responderam: "Nós não dissemos que é um rei, mas sim que ele mesmo se dá esse titulo". 

Então Pilatos chamou o mensageiro para dizer-lhe: "que me seja apresentado aqui Jesus, com toda a deferência". 

O mensageiro saiu, então, e logo que o identificou, o adorou; depois tirou o manto que levava em suas mãos e estendeu-o no chão, dizendo: "Senhor, passa por cima e entra, que o governador te chama". 

Os judeus vendo o que o mensageiro havia feito, puseram-se a gritar contra Pilatos, dizendo: "Por que te serviste de um mensageiro para faze-lo entrar, e não de um simples pregoeiro? Sabes que o mensageiro, assim que o viu, passou a adora-lo e estendeu seu manto sobre o chão, fazendo-o caminhar por cima como se fosse um rei?". 

Pilatos, então, chamou o mensageiro e lhe disse: "Por que fizeste isto e estendeste o manto sobre o chão, fazendo Jesus passar por cima?" 

O mensageiro respondeu: "Senhor governador, quando me enviaste a Jerusalém junto com Alexandre eu o vi montando um burro, e os filhos dos hebreus iam aclamando-o com ramos nas mãos, enquanto outros estendiam suas vestes no chão dizendo: 'Salva-nos, tu que estás nas alturas; bendito o que vem em nome do Senhor'." 

Os judeus então começaram a gritar e disseram ao mensageiro: "Os jovens hebreus clamavam em sua língua, como então te informaste da sua equivalência em grego?"

 O mensageiro respondeu: "Perguntei a um dos judeus e lhe disse: 'Que estão gritando em hebraico?' E ele me traduziu". 

Pilatos disse-lhes: "Como soa em hebraico o que eles diziam em altos brados?" 

Os judeus responderam: "Hosanna membrome; baruchamma; adonai". 

Então Pilatos lhes disse: "E o que significa Hosanna e as outras palavras?" 

Os judeus responderam: "Salva-nos tu que estás nas alturas; bendito o que vem em nome do Senhor". 

Pilatos disse-lhes: "Se vós mesmos dais testemunho das vozes que saíram da boca dos jovens, que falta cometeu o mensageiro?" - Eles se calaram. 

Então o governador disse ao mensageiro: "Sai e faze-o entrar da maneira que lhe aprouver". 

Saiu, então, o mensageiro e procedeu da mesma maneira que anteriormente, dizendo a Jesus: "Senhor, entra; o governador te chama". 

Mas, no momento em que Jesus entrava, os que seguravam os estandartes inclinaram-se e adoraram a Jesus. Os judeus que presenciaram esse gesto de reverência e adoração a Jesus, começaram a gritar desaforos contra os que portavam as bandeiras. 

Mas Pilatos lhes disse: "Não vos causa admiração ver como eles se inclinaram e adoraram Jesus?" 

Os judeus responderam a Pilatos: "Nós mesmos vimos como eles se inclinaram e o adoraram". 

O governador chamou então os que carregaram as bandeiras e lhes disse: "Por que agistes assim?" 

Eles responderam a Pilatos: "Nós somos gregos e servidores das divindades, como então iríamos adorá-lo? Saibas que, enquanto estávamos eretos, nossos corpos se inclinaram por eles mesmos e o adoraram". 

Então Pilatos disse aos arquissinagogos e anciãos do povo: "Escolhei vós mesmos alguns varões fortes e robustos; que eles segurem os estandartes e vejamos se estes se inclinam sozinhos". 

Então os anciãos escolheram de entre os judeus doze homens fortes e robustos, aos quais obrigaram a sustentar os estandartes em grupos de seis, e ficaram em pé diante do tribunal do governador. 

Então Pilatos disse ao mensageiro: "Leva-o para fora do pretório e introduze-o novamente da maneira que te aprouver". E Jesus saiu do pretório acompanhado do mensageiro. Pilatos chamou então aqueles que anteriormente estavam com os estandartes e lhes disse: "Jurei pela saúde de César que, se os estandartes não se dobrarem à entrada de Jesus, cortar-vos-ei as cabeças". E o governador ordenou novamente que Jesus entrasse. 

O mensageiro observou a mesma conduta do início e rogou encarecidamente a Jesus que passasse por cima de seu manto. E caminhando sobre ele, entrou. Mas no momento de entrar, novamente os estandartes se dobraram e adoraram a Jesus. 

Quando Pilatos viu a cena, encheu-se de medo e dispôs-se a deixar o tribunal. Mas, enquanto ainda pensava em levantar-se, sua mulher enviou-lhe esta carta: "Não te envolvas com esse justo, pois durante a noite sofri muito por sua causa". Então Pilatos chamou todos os judeus e lhes disse: "Sabeis que minha mulher é piedosa e que tende mais para o bem do que para segui-los em vossos costumes judeus?"

 Eles disseram: "Sim, sabemos". 

Pilatos disse-lhes: "Pois bem, minha mulher acaba de enviar-me este recado: ' Não te envolvas com esse justo, pois durante a noite sofri muito por sua causa'." 

Mas os judeus responderam a Pilatos dizendo: "Não te dissemos que é um mágico? Sem dúvida enviou um sono fantástico a tua mulher". 

Pilatos então chamou a Jesus e lhe disse: "Como é que estes testemunham contra ti? Não dizes nada?" 

Jesus respondeu: "Se não tivessem poder para isso, não diriam nada, pois cada um é dono de sua boca para falar coisas boas e más: eles verão". 

Mas os anciãos dos judeus responderam, dizendo a Jesus: "Que é que nós vamos ver? Primeiro, que tu viestes ao mundo por fornicação; segundo, que o teu nascimento em Belém trouxe como conseqüência uma matança de crianças; terceiro, que teu pai José e tua mãe Maria fugiram para o Egito por encontrarem-se ameaçados na cidade". 

Então, alguns dos que ali estavam presentes, e que eram judeus piedosos, disseram: "Nós não estamos de acordo que haja nascido de fornicação, mas sim sabemos que José desposou Maria e que não foi gerado através de fornicação".

 Pilatos disse aos judeus que afirmavam sua origem através de fornicação: "Isto que dizeis não é verdade, posto que os esponsais foram celebrados, segundo afirmam vossos próprios compatriotas". 

Então Anãs e Caifás disseram a Pilatos: "Todos juntos afirmamos e cremos que ele tenha nascido de fornicação; estes são prosélitos e seus discípulos". 

Pilatos chamou Anás e Caifás e disse-lhes: "Que significa a palavra prosélito?" 

Eles responderam: "Que nasceram de pais gregos e fizeram-se judeus agora". 

Ao que contestaram os que afirmavam que Jesus não havia nascido de fornicação (isto é: Lázaro, Astério, Antônio, Tiago, Amnés, Zeras, Samuel, Isaac, Finees, Crispo, Agripa e Judas): "Nós não nascemos prosélitos, mas sim somos filhos de judeus e dizemos a verdade, pois encontrávamo-nos presentes nas bodas de José e de Maria". 

Pilatos chamou estes doze que afirmavam não haver Jesus nascido de fornicação e disse-lhes: "Eu os conjuro pela saúde de César, dizei-me, é verdade o que afirmastes, que não nasceu de fornicação?" 

Eles responderam: "Nós temos uma lei que proíbe jurar, porque é pecado; deixe que estes jurem pela saúde de César que não é verdade o que acabamos de dizer, e seremos réus de morte". 

Então Pilatos disse a Anás e Caifás: "Nada respondem a isto?" 

Eles replicaram: "Tu dás crédito a estes doze que afirmam o nascimento legitimo de Jesus; enquanto isso, todos, em massa, estamos bradando que é filho de fornicação, que é feiticeiro e que se chama a si próprio Filho de Deus". 

Então Pilatos ordenou que toda a multidão saísse, à exceção dos doze que negavam a origem da fornicação, e ordenou que Jesus fosse separado. Depois lhes disse: "Por que razão querem dar-lhe a morte?" 

Eles responderam: "Têm inveja dele por curar no Sabbath". 

Ao que respondeu Pilatos: "E por uma boa obra querem matá-lo?" E, cheio de ira, saiu do pretório e disse-lhes: "Tomo por testemunha o sol de que não encontro nenhuma culpa neste homem". 

Os judeus responderam e disseram ao governador: "Se não fosse um malfeitor, não o haveríamos entregado a ti". 

E Pilatos disse: "Tomai-o vós e julgai-o segundo vossas leis". 

Então os judeus disseram a Pilatos: "Não nos é permitido matar ninguém". 

Ao que Pilatos contestou: "A vós sim Deus proibiu de matar, mas e a mim?" E, entrando de novo no pretório, chamou Jesus à parte e disse-lhe: "És o rei dos judeus?" 

Jesus respondeu: "Dizes isto por conta própria ou pelo que os outros te disseram de mim?" 

Pilatos replicou: "Mas será que também eu sou por acaso judeu? Teu povo e os pontífices puseram-te em minhas mãos, que fizeste?" 

Jesus respondeu: "Meu reino não é deste mundo pois, caso contrário, meus servidores teriam lutado para que eu não fosse entregue aos judeus; mas o meu reino não é daqui". 

Então Pilatos disse: "Logo, tu és rei?" 

Jesus respondeu: "Tu dizes que eu sou rei; pois para isto nasci e vim ao mundo, para que todo aquele que é da verdade ouça a minha voz". 

Pilatos disse-lhe: "Que é a verdade?" 

Jesus respondeu: "A verdade provém do céu". 

Pilatos disse: "Não há verdade sobre a terra?" 

E Jesus respondeu a Pilatos: "Estás vendo que os que dizem a verdade são julgados pelos que exercem o poder sobre a terra". 

E, deixando Jesus no interior do pretório, Pilatos foi até os judeus e lhes disse: "Eu não encontro culpa alguma nele". 

Os judeus replicaram: "Ele disse: ' eu sou capaz de destruir este templo e reedifica-lo em três dias'." 

Pilatos disse: "Que templo?" 

os judeus responderam: "Aquele edificado por Salomão em quarenta e seis anos; ele diz que vai destruí-lo e reedifica-lo ao final de três dias". 

Pilatos disse: "Eu sou inocente do sangue deste justo; vós vereis". 

E os judeus disseram: "Seu sangue seja sobre nós e sobre nossos filhos". 

Então Pilatos chamou os anciãos, os sacerdotes e os levitas e disse-lhes em segredo: "não agi assim, pois nenhuma das vossas acusações merece a morte, já que elas referem-se às curas e a profanação do Sabbath". 

Os anciãos, sacerdotes e levitas responderam: "Se alguém blasfema contra César é ou não digno de morte?" 

Pilatos disse-lhes: "É digno de morte". 

Os judeus disseram: "Pois se alguém que blasfema contra César é digno de morte, saiba que este blasfemou contra Deus". 

Depois o governador mandou que os judeus saíssem do pretório, e chamando Jesus, disse - lhe: "Que vou fazer contigo?" 

Jesus respondeu: "Faz como te for ordenado". 

Pilatos disse: "E como me foi ordenado?" 

Jesus respondeu: "Moisés e os profetas falaram sobre a minha morte e sobre a minha ressurreição". 

Os judeus e os ouvintes perguntaram a Pilatos: "Por que continuas ouvindo essa blasfêmia?" 

Pilatos respondeu: "Se estas palavras são blasfêmias, prendei-o por blasfêmia, levai-o à vossa sinagoga e julgai-o segundo a vossa lei". 

Os judeus contestaram: "Está escrito em nossa lei que se um homem peca contra outro homem merece receber quarenta açoites menos um; mas diz que se alguém blasfema contra Deus deve ser apedrejado". 

Pilatos disse-lhes: "Tomai-o por vossa conta e castigai-o como quiserdes". 

Os judeus replicaram: "Nós queremos que seja crucificado". 

Pilatos contestou: "Não merece a crucificação". Então o governador lançou um olhar ao seu redor sobre a turba de judeus que estava presente e, ao ver que muitos deles choravam, exclamou: "Nem toda a multidão quer que morra". 

Os anciãos dos judeus disseram: "Por isso viemos todos em massa, para que morra". 

Pilatos perguntou-lhes: "E por que deverá morrer?" 

Os judeus responderam: "Porque chamou a si próprio Filho de Deus e rei". 

Um certo judeu de nome Nicodemus pôs-se diante do governador e disse: "Rogo-te, bondoso como és, permite-me dizer umas palavras". 

Pilatos respondeu: "Fala". 

E Nicodemus disse: "Tenho falado nestes termos aos anciãos, aos levitas, à multidão inteira de Israel reunida na sinagoga: 'Que pretendeis fazer com este homem? Ele opera muitos milagres e prodígios como nenhum outro foi nem será capaz de fazer. Deixai-o em paz e não trameis nada contra ele; se os seus prodígios têm origem divina permanecerão firmes; porém, se têm origem humana, dissipar-se-ão. Pois também Moisés, quando foi enviado da parte de Deus ao Egito, fez muitos prodígios, previamente assinalados por Deus, na presença de Faraó, rei do Egito. E estavam ali alguns homens a serviço de Faraó, Jamnes e Jambres, os quais operaram, por sua vez, não poucos prodígios como os de Moisés, e os habitantes do Egito tinham Jamnes e Jambres por deuses. Mas como os seus prodígios não provinham de Deus, eles pereceram, bem como os que lhes davam crédito. E agora, deixai livre este homem, pois não é digno de morrer'." 

Os judeus disseram então a Nicodemus: "Tu te fizeste discípulo dele e por isso fala em seu favor". 

Nicodemus disse-lhes: "Mas então também o governador fez-se discípulo dele porque fala em sua defesa? Não o colocou César neste cargo?" 

Os judeus estavam com muita raiva e rangiam os dentes contra Nicodemus. 

Pilatos disse-lhes: "Por que rangeis os dentes contra ele ao ouvir a verdade?" 

Os judeus disseram a Nicodemus: "A ti sua verdade e sua parte". 

Nicodemus disse: "Amém, amém, que assim seja como haveis dito". 

Mas um dos judeus adiantou-se e pediu a palavra ao governador. 

Este lhe disse: "Se queres dizer algo, diz". 

E o judeu assim falou: "Eu estive durante trinta e oito anos deitado numa liteira, cheio de dores, quando Jesus veio, muitos dos que estavam endemoninhados e sujeitos a diversas doenças foram curados por ele. Então alguns jovens compadeceram-se de mim, e, pegando-me com liteira e tudo, levaram-me até ele. Jesus, ao ver-me, compadeceu-se de mim e disse-me: 'pega tua maca e anda'. Eu peguei minha maca e comecei a andar". 

Então os judeus disseram a Pilatos: "Pergunta-lhe que dia era quando foi curado". 

E o interessado disse: "Era Sabbath". 

Os judeus disseram: "Já não te havíamos informado de que curava no Sabbath e tirava demônios?" 

Outro judeu adiantou-se e disse: "Eu era cego de nascença, ouvia vozes, mas não via ninguém, e, ao ver passar Jesus, gritei bem alto: 'Filho de Davi, apieda-te de mim'. E compadeceu-se de mim, impôs suas mãos sobre os meus olhos e imediatamente recuperei a visão". 

E outro judeu adiantou-se e disse: "Estava arqueado e endireitou-me com uma palavra". 

E outro disse: "Havia contraído lepra e ele curou-me com uma palavra". 

E certa mulher chamada Berenice (Verônica) começou a gritar de longe, dizendo: "Encontrando-me doente com hemorragia, toquei a extremidade de seu manto e a hemorragia que eu vinha tendo por doze anos consecutivos, parou". 

Os judeus disseram: "Existe um preceito que proíbe apresentar uma mulher como testemunha". 

E alguns outros, muitos homens e mulheres gritavam, dizendo: "Este homem é profeta e os demônios submetem-se a ele". 

Pilatos disse aos que afirmavam isto: "Por que também vossos mestres não se submeteram a ele?" 

Eles responderam: "Não sabemos". 

Outros afirmaram que havia ressuscitado Lázaro do sepulcro, defunto já de quatro dias. 

Então, cheio de medo, o governador disse à multidão de judeus: "Por que vos empenhais em derramar sangue inocente?" 

E depois de chamar Nicodemus e aqueles doze homens que afirmavam a origem limpa de Jesus, disse-lhes: "Que devo fazer, pois se está forjando um alvoroço entre o povo?" 

Disseram-lhe: "Nós não sabemos; eles verão". 

Convocou de novo Pilatos a multidão de judeus e disse-lhes: "Sabeis que tenho por costume soltar um prisioneiro durante a festa dos Ázimos. Pois bem, está preso e condenado um assassino chamado Barrabás, e tenho também este Jesus que está agora na vossa presença, e em quem não encontro culpa alguma. A quem quereis que solte?" 

Eles gritaram: "A Barrabás". 

Pilatos disse-lhes: "Que farei, pois, de Jesus, o chamado Cristo?" 

Os judeus responderam: "Que seja crucificado!" 

E alguns dentre eles disseram: "Não és amigo de César se soltas a este, porque chamou-se a si próprio Filho de Deus e rei; se assim procedes, queres a este por rei e não César". 

Pilatos então, encolerizado, disse aos judeus: "Vossa raça é revoltada por natureza e enfrentou vossos benfeitores". 

Os judeus disseram: "A quais benfeitores?" 

Pilatos respondeu: "Vosso Deus tirou-vos do Egito, livrando-vos de uma cruel escravidão; vos manteve sãos e salvos através do mar bem como através da terra, alimentou-vos com maná no deserto e deu-vos codornas, deu-vos de beber água tirada de uma rocha e deu-vos uma lei, e, depois de tudo isso, encolerizastes vosso Deus, fostes atrás de um bezerro fundido, exasperastes vosso Deus e Ele dispôs-se a exterminar-vos; porém, Moisés intercedeu por vós e não fostes entregues à morte. E agora acusais a mim de odiar o imperador". 

E, levantando-se do tribunal, dispôs-se a sair. 

Mas os judeus começaram a gritar, dizendo: "Nós reconhecemos como rei a César e não a Jesus. E ainda mais, os Magos vieram oferecer-lhe dons trazidos do Oriente como para o seu rei; e quando Herodes tomou conhecimento através desses personagens de que um rei havia nascido, tentou acabar com ele. Mas seu pai José tomou ciência do fato e levou-o juntamente com a mãe, e fugiram todos para o Egito. E quando Herodes soube disso, exterminou os filhos dos hebreus que haviam nascido em Belém". 

Quando Pilatos ouviu estas palavras, temeu, e depois de impor silêncio às turbas, já que estavam gritando, disse-lhes: "Então é este aquele a quem Herodes buscava?"....