Evangelho de São João

Total de Capítulos - 21 

Autor - João - QUEM FOI O APÓSTOLO JOÃO?

Seu caráter - João foi conhecido como o apóstolo do amor. As características atribuídas a ele são: coragem, lealdade, percepção espiritual, amor e humildade. O amor é o assunto central de suas 3 Epístolas.

Sua família - João e seu irmão Tiago, o apóstolo, ambos foram chamados de “Boanerges” (filhos do trovão) por Jesus, Mc. 3,17.

Segundo a tradição, sua mãe, Salomé, era irmã de Maria, mãe de Jesus; portanto, João era primo de Jesus. De pescador, no mar da Galiléia, tornou-se líder da Igreja de Jerusalém, Gl 2,9.

Sua atuação - Após a destruição de Jerusalém, entre os anos 70/95, João provavelmente começou a liderar a comunidade de Éfeso e Província da Ásia. Foi exilado na Ilha de Patmos, na costa da Ásia, onde escreveu o Apocalipse, mais ou menos no final do I século. De acordo com  a  tradição, voltou a Éfeso, onde morreu e foi sepultado por volta do ano 100 d. C.

CARACTERÍSTICAS DO EVANGELHO DE JOÃO

1 - Simplicidade de linguagem João consegue trazer-nos grandes mensagens, numa linguagem bastante compreensível. O estilo é único entre os quatro Evangelhos. Ele utiliza com freqüência os contrastes ou dualismo: luz e trevas; fé e descrença; verdade e mentira; bem e mal; aceitação e rejeição; etc. Além dessas, João também usa as palavras crer, mundo, testemunha, verdade e Filho de Deus, dando-lhes um sentido todo especial.   

2 - Ênfase na pessoa de Jesus - Enquanto os três evangelhos anteriores são chamados sinóticos, porque contêm material bastante semelhante entre si, João tem 92% de narrativa original. Ele dá maior cobertura ao ministério de Jesus na Judéia. Põe mais ênfase na pessoa de Jesus e no seu ensino acerca da vida eterna. Revela Jesus especialmente como Filho de Deus. Inclui longos sermões de Jesus.

O Evangelho segundo João é ímpar entre os quatro Evangelhos. Relata muitos fatos do ministério de Jesus na Judéia e em Jerusalém que não se acham nos Sinóticos, e revela mais a fundo o ministério da sua pessoa. O autor identifica-se indiretamente como o discípulo "a quem Jesus amava" (13,23; 19,26; 20,2; 21. 7,20). 

 

O testemunho dos primórdios do cristianismo bem como a evidência interna deste Evangelho, apresentam João o filho de Zebedeu, como o autor. João foi um dos doze apóstolos originais de Cristo, e também um dos três mais chegados a ele (Pedro, Tiago e João). 

Segundo testemunhos muito antigos, os presbíteros da Igreja da Ásia Menor pediram ao venerável ancião e apóstolo João, residente em Éfeso, que escrevesse esse "Evangelho espiritual" para contestar e refutar uma perigosa heresia concernente à natureza, pessoa e divindade de Jesus, propagada por um certo judeu de nome Cirino, o gnosticismo.

O Evangelho, segundo João, continua sendo para a Igreja uma grandiosa exposição teológica da "verdade", como a temos personalizada em Jesus Cristo.

Propósito

João deixa claro o propósito do seu Evangelho, em 20.31, a saber: "para que creiais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome". Alguns manuscritos gregos deste Evangelho apresentam, nessa passagem, formas verbais distintas para o tempo do verbo "crer".

- Pode ser no tempo subjuntivo => para que comecem a crer,

- Pode ser o presente do subjuntivo => para que continuem crendo.

No primeiro caso, João teria escrito para convencer os incrédulos a crerem em Jesus Cristo e serem salvos. No segundo caso, João teria escrito para consolidar os fundamentos da fé de modo que os cristãos continuassem firmes, apesar dos falsos ensinos de então, e assim terem plena comunhão com o Pai e o Filho (cf. 17,3).

Estes dois propósitos são vistos no Evangelho segundo João. Contudo, o peso do Evangelho no seu todo favorece o segundo caso como sendo o propósito predominante.

Também o propósito desse Evangelho foi:

Para superar os conflitos

O Evangelho de João foi escrito para ajudar a superar alguns conflitos. Um destes conflitos foi com os “judeus”. João e Jesus também eram judeus. O fato é que, com o passar do tempo, várias pessoas de outras raças foram fazendo parte das comunidades. Muitos samaritanos também.

E acontece que alguns grupos de rabinos e de autoridades judaicas, apegados ao sistema legalista do Templo, não aceitavam abrir-se para a fraternidade universal. Embora o Templo de Jerusalém já havia sido destruído pelos romanos desde o ano 70, muitos rabinos se organizaram ao redor das sinagogas e mantinham firmemente o sistema de pureza que determinava a exclusão de toda pessoa estrangeira...

Um outro conflito se refere ao “mundo”. Esta palavra é usada dezenas de vezes nesse evangelho. Na maior parte das vezes, é para indicar o projeto contrário ao de Jesus. Por isso, o “mundo” representa todo o poder político, econômico, religioso e ideológico que oprime as pessoas. Este “mundo” é de “trevas” que tenta apagar a “luz”, que é ação de Deus na história humana através de Jesus.

Há um conflito que se refere aos seguidores de João Batista. João também tinha sido discípulo de João Batista. Muitos, porém, não aceitavam Jesus como o Salvador e, por isso, hostilizavam as comunidades. No evangelho João insiste que João Batista não é a Luz e sim apenas testemunha da luz... (João 1, 8).

Tem ainda o conflito relacionado às pessoas apegadas à instituição judaica que têm medo de confessar, publicamente, a fé em Jesus Cristo porque podem ser perseguidas. São cristãos que ficam “em cima do muro”. (Apocalipse 3, 14 – 22)

Visão Panorâmica

O quarto Evangelho apresenta evidências cuidadosamente selecionadas no sentido de Jesus ser o Messias de Israel e o filho encarnado (não adotado) de Deus.

1) Seu prólogo com o primeiro capítulo do Gênesis, mostrando que Jesus é o logos, o verbo, a Palavra... e que ele sempre existiu desde o começo do mundo.

2) Sete sinais (milagres)

- 2,1-12 => O casamento em Caná na Galiléia;

- 4,46-54 => Jesus cura o filho do funcionário do rei;

-  5,2-18 => a cura do paralítico;

-  6,1-15 => a multiplicação dos pães;

- 6,16-21 => Jesus caminha sobre as água;

- 9,1-41=> O cego de nascença;

- 11,1-46 => a ressurreição de Lázaro.

 

3) Sete sermões: pelos quais Jesus revelou claramente sua verdadeira identidade.

- 3,1-21=> Jesus e Nicodemos (é necessário nascer de novo)

- 4,4-42 => Jesus e a samaritana (como Deus quer ser adorado)

- 5,19-47 => O poder da ressurreição;

- 6,22-59 => Jesus é o pão da vida;

- 7,37-44 => Jesus é a água viva;

- 8,12-30 => Jesus é a luz do mundo;

- 10,1-21=> Jesus é o bom pastor.

 

3) Sete declarações "Eu sou": mediante as quais Jesus revelou figuradamente aquilo que ele é como redentor da raça humana, como também, sua ligação com o Antigo Testamento, no texto de Ex 3.

- 6,35 => Eu sou o pão da vida;

- 8,12 => Eu sou a luz do mundo;

- 10,7 => Eu sou a porta das ovelhas;

- 10,11=> Eu sou o bom pastor;

- 11,25 => Eu sou a ressurreição e a vida;

- 14,6 => Eu sou o caminho, a verdade e a vida;

- 15,1=> Eu sou a verdadeira videira.

 

4) A ressurreição de Jesus como o sinal supremo e a prova máxima de que Ele é o "Cristo, o Filho de Deus" (20,31).

João contêm duas divisões principais:

1) Capítulos 1-12 tratam da encarnação e do ministério público de Jesus. Apesar dos sete sinais convincentes de Jesus, dos seus sete grandiosos sermões e das suas sete majestosas declarações "Eu sou", os judeus o rejeitaram como o seu Messias.

2) Capítulos 13-21. Uma vez rejeitado pelo Israel da Antiga Aliança, Jesus passou a considerar seus discípulos como o núcleo dessa Nova Aliança, isto é, a Igreja que Ele fundou. Estes capítulos incluem a última ceia de Jesus (13), seus últimos sermões (14-16) e sua oração final com seus discípulos (17). A Nova Aliança se iniciou e se estabeleceu pela sua morte (18, 19) e ressurreição (20,21).

 

 

Características Especiais

Oito características ou ênfases principais destacam o Evangelho segundo João:

1. Jesus como "O Filho de Deus"; Do prólogo do Evangelho, com sua sublime declaração: "Vimos a sua Glória" (1,14), até a sua conclusão na confissão de Tomé: "Senhor meu, e Deus meu!" (20,28), Jesus é Deus, o filho encarnado.

2) A palavra "crer" ocorre 98 vezes, equivalente a receber a Cristo (1,12). Ao mesmo tempo, esse "crer" requer do cristão uma total dedicação a Ele, e não apenas uma atitude mental.

3) "Vida eterna" em João é um conceito-chave, referindo-se não tanto a uma existência sem fim, mas à nova qualidade de vida que provem da nossa união com Cristo, a qual resulta tanto na libertação da escravidão do pecado, como em nosso crescimento contínuo no conhecimento de Deus e na comunhão com Ele.

4) Encontro de pessoas com Jesus. Temos neste Evangelho 27 desses encontros individuais assinalados.

5) O ministério do Espírito Santo pelo qual Ele capacita o cristão comunicando-lhe continuamente a vida e o poder de Jesus após sua morte e ressurreição.

6) A "verdade". Jesus é a verdade; o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta (8,32); purifica (15,3). Ela é a antítese da natureza e atividade de Satanás (8,44-47,51).

7) A importância do número sete neste Evangelho: Sete sinais, sete sermões e sete declarações "Eu sou", dão testemunho de quem Jesus é: plenitude, perfeição. Conforme o que também está escrito no Apocalipse sobre o número "sete", verdadeiramente, os dois livros são do mesmo autor.

8) O emprego de outras palavras de destaque como: "luz", "palavra", "carne", "amor", "testemunho", "conhecer", "trevas" e "mundo" como já vimos antes são características do Evangelho de São João, o qual sem dúvida pode ser chamado o Evangelho do amor  a Trindade.