FACETAS DO DEMÔNIO

 

O primeiro rascunho do Rabudo teria surgido no século VI antes de Cristo (época da volta do Exílio babilônico) na Pérsia. Ali, o profeta Zoroastro (Zaratustra) descreveu a figura de Arimã, o "príncipe das trevas" em seu permanente conflito com Mazda, o "príncipe da luz".

Eram essas duas divindades, que expressam a polaridade existente no universo, que regiam o mundo de Zaratustra. Durante o cativeiro na Babilônia, os hebreus tiveram contato com o masdeísmo (Religião antiga dos iranianos (persas e medos), caracterizada pela divinização das forças naturais e pela admissão de dois princípios em luta, aura-masda e arimã), fato que, conforme alguns historiadores, foi fundamental para a concepção do que viria a ser o Satã do judaísmo e do cristianismo.

 Na antiga língua hebraica, Satanás quer dizer apenas acusador, caluniador, aquele que põe obstáculos. E foi assim, sem a face aterrorizante que ganharia mais tarde, que o Diabo estreou no antigo Testamento.

 Agia, então, como uma espécie de colaborador de que se servia Deus para testar a lealdade ou castigar os seus escolhidos. Diz a tradição que Deus permitiu que satanás infligisse pesadas perdas e sofrimentos ao rico e fiel Jó, no desenrolar de um aposta na qual Deus jogou todas as fichas na lealdade de seu servo.

 

A palavra Diabo – Vem do grego diábolos (o que separa) O chefe dos demônios,  representado, na tradição popular, como um ser meio homem e meio cabra, de orelhas pontudas, chifres, asas, braços, e com a ponta da cauda e as patas bifurcadas e todo vermelho.

 

Demônio, Satanás, Satã, Lúcifer, anjo rebelde, belzebu, bruxo do inferno, dragão, espírito das trevas, espírito maligno, gênio das trevas, gênio do mal, pai da mentira, pai do mal, príncipe das trevas, príncipe do ar, serpente infernal, serpente maldita.

            Lúcifer, foi considerado um deus romano, o condutor de luz, o espírito do ar, a personificação da iluminação espiritual. Na mitologia cristã ele se tornou sinônimo de demônio. Era um nome antigo da radiante estrela da aurora, Vênus, a que anuncia um novo dia. Lúcifer vem do latim, luciferus, o que transporta luz, ou ilumina. Na tradição mesopotâmica, assim como na judaico-cristã, Lúcifer se apresenta na forma na forma de serpente, um símbolo universal da sabedoria e astúcia que oferece ao casal primitivo o “fruto da árvore do bem e do mal”,

Eis como o profeta Isaías (16,2) narra a queda de lúcifer, anjo da luz, que por revolta se transformou em satanás, anjo das trevas:

"Como caíste lá dos céus, astro da manhã, filho da aurora? Exclamavas em teu coração: 'Escalarei os céus e acima das estrelas de DEUS assentarei o meu trono. Remontar-me-ei ao mais alto das nuvens. Serei semelhante ao Altíssimo...'. E eis-te precipitado no inferno, na profundidade dos abismos” (Is 16,2).

            Satã, em hebraico, é o mesmo que diabulus em latim. Outra variante de diabo é ”Satanás" é uma transliteração do hebraico satan, indicando um acusador no sentido legal, um queixoso que tem uma acusação a apresentar.

Em Zacarias 3,1 lemos "Deus me mostrou o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do SENHOR, e Satanás estava à mão direita dele, para se lhe opor."Numa palavra, Satanás é a força do mal que se opõe a nós, trabalha contra nós, ou "nos persegue", na tentativa de nos derrotar espiritual e moralmente.

Em João 8,44. Jesus chamou Satanás de homicida e mentiroso.

Em Apocalipse 12,9, João retrata Satanás como um grande dragão, uma representação que ressalta sua terrível natureza. Esse mesmo versículo identifica-o como a serpente (uma referência a Gênesis 3) e como o diabo, que é outro nome bíblico comum para ele.

 Talvez em 1 Pedro 5,8 nos diga o que mais precisamos saber a respeito dele: "O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar". Portanto, a palavra “Satan”, em grego significa adversária. Diábolos, em latim, que  quer dizer opositor.

A palavra demônio (daimon), na sua etimologia grega significa espíritos humanos ou almas, passando a ser, posteriormente, entendida como espíritos maus. Tanto que alguns autores do alvorecer do Cristianismo usavam a expressão "maus demônios", ou maus espíritos (Santo Inácio de Loyola), como também São Justino, martirizado em 165 D.C, e que escreveu a Obra "Apologia da Religião Cristã".

Os demônios podem ser vistos também como projeções de sensações internas que resultam das experiências do homem, sendo limitado diante das forças da natureza, diante da morte, doenças ou desgraças; demônios, pois, são experiências personificadas que fazem medo ao homem, já que continuam inexplicáveis suas imprevisíveis atuações.

A tradição sobre o demônio entrou no AT porque o antigo Israel participou das concepções do antigo Oriente em que se acredita nele. No AT podemos distinguir alguns tipos de demônios que quase não apresentam individualidade nenhuma: são forças desagradáveis, tanto mais perigosas quanto anônimas. Podemos mencionar, p.ex., os siyin (Is 13,21; 23,13; 34,14; Jr 50,39; Sl 72,9; 74,14) que apresentam intimas relações com o deserto e seus habitantes.

 São mencionadas também várias vezes os se'irim, os "cabeludos", espíritos em forma de bodes (Lv 17,7; 2Cr 11,15; 2Rs 23,8; Is 13,21; 34,14) e os sedim (Dt 32,17; Sl 106,37).

Esses siyin e se'irim provam também que não existe distinção nítida entre demônios e animais; os próprios animais podem até ser vistos como demônios (p.ex., chacais, corujas, avestruzes, os bodes). Isso tem a ver também com o lugar onde os demônios atuam: encontram-se de preferência em lugares ermos e lugares fora da terra cultivada, geralmente no deserto e na escuridão e nos cemitérios (cf. também Baruc 4,35)

Ao lado desses grupos encontramos também figuras isoladas, por exemplo, Lilit (Is 34,14, cf. Zc 5,9), que tem sua origem numa demônia sumeriana da tempestade; mas, na base de uma etimologia popular virou demônia da noite ganhando conotações sexuais. Embora apenas uma vez mencionada na Bíblia, ela ficou conhecida mais tarde, no judaísmo, como a primeira mulher de Adão e como figura simplesmente demoníaca; afinal, sobreviveu até na Idade Média, em forma de bruxa.

É preciso citar também Azazel (o bode) (Lv 16,8.10.26), mencionado como demônio do deserto no rito purificador do Dia da Expiação.

No NT, o termo mais usado é daimonion (demônio) 63 vezes. mas freqüente é também a palavra espirito (pneuma) que pode ser bom e santo, mas também junto com algum adjetivo pejorativo, por exemplo; "mau","impuro", “imundo”.

A posição de Jesus com relação aos demônios é sem dúvida a mesma do judaísmo antigo.  Mt 12,43-45 (Lc 11,24-26). Nos sinóticos, Jesus é descrito como poderoso exorcista que derrota os demônios e destroça sua força (Mt 9,33; 17,18; Mc 7,29s; 9,25; Lc 9,42).

O número de demônios expulsos de um ser humano pode ser de até sete (Mc 16,9; Lc 8,2) ou mesmo incontável (Mc 5,9; Lc 8,30). Ao mesmo tempo Jesus é qualificado por seus adversários como possuído por um demônio ou espírito impuro (Mc 3,22.30; Jo 7,2O; 8,48s.52; 10,20s) ou como aliado do príncipe dos demônios (Satanás), a fim de eliminá-lo da comunidade (religiosa) como possesso (Mt 9,34; 12,24.26s par.).

Já que Jesus expulsa demônios por sua poderosa palavra (Mc 1,25s; etc), e isso, simultaneamente com a cura de outros doentes (Mc 1,34. 39 par.; Lc 12,32), aparece claramente a conclusão teológica: o poder de Jesus sobre os demônios torna-se o símbolo da salvação e do Reino de Deus (Mt 12,28; Lc 11,20), que com ele se iniciou. Até os demônios reconhecem Jesus como Filho de Deus (Mc 3,11; 5,7 par.; Lc 4,41) e tremem diante dele (Mc 1,24s. par.; cf. também Tg 2,19).

A fim de que possam colaborar com Jesus, os apóstolos recebem a missão de expulsar demônios e curar enfermos, em seu nome (Mt 10,l.8; Mc 3,15; 6,7.13; Lc 9,1; 10,17), e depois da Páscoa e de Pentecostes a comunidade há de continuar essa obra de salvação (Mc 16,17; cf. At 5,16; 8,7). Assim continua a luta contra os demônios, que podem ser vistos como personificação de tudo o que é contra Deus.