A FORÇA DA PALAVRA!

“Não só de pão vive o homem, mas de toda Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

 O documento de Estudos da CNBB 86 tem no seu início a frase: “Com alegria, vemos hoje a Bíblia nas mãos do povo. Ela é celebrada, amada, lida, e usada como iluminação”.

            Refletindo essas palavras com os catequistas, percebemos que a Bíblia como Palavra de Deus presente na vida cristã, na ação missionária e catequética da Igreja, esta (a Igreja) se apropria do mês de Setembro no intuito de incentivar e divulgar mais amplamente o compromisso de cada cristão na intimidade com o Livro Sagrado.

            Segundo Dom Eugênio Rixen, Presidente da Comissão Episcopal para a Animação  Bíblico-catequética, e usando como base o Documento do Concílio Vaticano II denominado Dei Verbum, 22, “percebemos assim que a preocupação da CNBB na divulgação da Bíblia vai muito mais além do que apenas incentivar a leitura em nossa Igreja, se estendendo ao valor ecumênico”. Diante disso, é bom que lembremos que a Campanha da Fraternidade para 2005 será voltada ao Ecumenismo tendo como tema: “Solidariedade e paz” e como lema: “Felizes os que promovem a paz”.

            O dia 30 desse mês é considerado como o dia da Bíblia, por sugestão de São Jerônimo, um grande vulto de nossa história eclesial. Ele foi teólogo, filósofo, gramático, escritor, apologista, além de padre e doutor da Igreja. Levou boa parte de sua vida traduzindo a Bíblia dos originais hebraico e grego para o latim, num tempo (século IV d.C) em que essa tarefa apresentava imensas dificuldades. Com enorme sacrifício e por amor a Palavra de Deus e aos irmãos, São Jerônimo realizou esse trabalho à luz de velas nas grutas de Belém sem o  conforto e as facilidades que temos hoje. O legado que nos deixou foi a versão latina da Bíblia chamada “Vulgata = popular”. Seu nome e seus feitos são venerados por toda a Igreja, destacando-se em especial o mês de Setembro.

Todos os anos a Igreja propõe nesse mês o estudo de um tema ou de um livro da Bíblia. Este ano estaremos refletindo e vivenciando os livros do segundo e terceiro Isaias, ou seja, os capítulos 40-55 e 56-66. Segundo os estudiosos, o Dêutero-Isaias (40-55) é do século VI a.C, pertencendo a um poeta-teólogo que em estilo lírico anuncia a salvação, aconselhando o povo a entoar um cântico; enquanto que o Trito-Isaias (56-66), foi de um profeta desconhecido que teria vivido em Jerusalém depois do Exílio, entre os anos 537 e 515 a.C.

Estes livros nos apresentam como contexto os oráculos (respostas de Deus ao profeta) de Javé voltados à Libertação ou Redenção, no sentido da total libertação do ser humano de tudo que o aflige. O Deus libertador está se dirigindo com amor e compaixão à uma nação arruinada, mergulhada na ganância e na busca do poder, no orgulho e em suas próprias riquezas materiais. Um povo pecador, perdido em si mesmo, mas que pode contar com o amor inesgotável de Deus que se inclina pessoalmente até ele, o qual se tornou rebelde, enfermo e vencido por sua própria culpa, restituindo-lhe a saúde e a esperança.

Existem ainda nesses dois livros de Isaias (40,9-31), alguns cânticos (salmos) sobre a libertação de Israel do poder da Babilônia, como também uma Teofania (manifestação de Deus), os quais nos levam a pensar: estamos também hoje “doentes” “enfermos” e necessitando do amor de Deus? Somos realmente livres? Qual seria nossa Babilônia hoje? Deus ainda nos ama como ao povo da Bíblia? Como Deus se manifesta hoje para nós? Como se dão suas revelações? Como vemos, são muitos os questionamentos que se deparam conosco diante da leitura séria desses textos os quais nos levam a refletir o nosso compromisso do batismo, o cumprimento da missão que Ele nos confiou.

O centro desses dois livros de Isaias, profeticamente nos apresenta o HOMEM REDENTOR, Jesus Cristo, que oferece sua vida para todos, inclusive seus assassinos. O segundo Isaias nos traz também uma mensagem de BOA NOVA: nos convida a crer, nos chama a esperar, apresentando um Deus Pai e mãe, além de nos fazer saber quem é o “servo de Javé”, Jesus Cristo, o qual, por seu sacrifício e sua morte, salvará a todos os homens e mulheres do mundo.

Estudando esses dois livros proféticos vamos perceber que todas as mensagens contidas neles são Boas Novas (evangelho) sempre atuais, vindas de Deus, o qual continua se comunicando conosco através de sua Palavra e desejoso de que ouçamos a sua voz: “prestai-me ouvidos e vinde a mim, escutai-me e vivereis!”. (Is 55, 3). A Bíblia é o único Livro que não se lê, escuta-se, e isso deve ser observado por todos os homens e mulheres, em todos os tempos e em toda a terra: “Terra! Terra! Terra! Escuta a Palavra do Senhor”. (Jr 22, 29).

Disse um dia Sto Ambrósio referindo-se  a Bíblia: “a Ela falamos quando rezamos, a Ela ouvimos quando lemos”. Dessa forma não devemos esquecer que não basta comprar uma Bíblia, o que importa na verdade é lê-la.

É importante que “escutemos” sempre o que Deus quer nos dizer através da sua Palavra e agradecê-lo por termos hoje a Bíblia à mão em qualquer lugar que estejamos. Vamos aproveitar esse mês não para iniciarmos a leitura (já fazemos isso), mas para intensificarmos o nosso compromisso com o Pai. Como catequistas temos o dever não de apenas ler a Bíblia, mas propagá-la a todos que não a conheçam. Sabemos que o mês da Bíblia tem como patrono São Jerônimo, padre e doutor da Igreja e que ele tinha um grande interesse em que todos tivessem acesso a Palavra de Deus. Disse ele um dia: “quem ignora as Escrituras ignora o poder de Deus e sua sabedoria. Ignorar as Escrituras é ignorar o próprio Cristo”.

Terminamos nossa meditação desse mês, relembrando as palavras de Paulo a seu filho na fé, o catequista Timóteo , e que é extensiva a todos nós que temos o compromisso de levar adiante o conhecimento da Palavra de Deus: “...aplica-te à leitura (da Bíblia), ao conselho e ao ensino, não descuides da graça que tens”. (1º Tm 4, 13-14).