“PELO FRUTO SE CONHECE A ÁRVORE”   Mt 12,33

 Dita

(Estudo desenvolvido como introdução à campanha dos idosos)

 Frase de Jesus muito rica e que nesta reflexão se torna ainda mais rica e preciosa pelo fato de nos referirmos a seus avós como a “árvore”,  e sua santa mãe Maria, como “fruto”, que durante o mês de Maio recebeu merecidas homenagens, e em nossa caminhada  na Igreja está sempre presente. Uma mulher agraciada onde Deus depositou toda a sua confiança, e com sua cooperação teve início a prática do plano de Salvação.

            Queremos priorizar aqui a importância de Ana e Joaquim, pais de Nossa Senhora que no próximo dia 26 a Igreja os celebra e ao mesmo tempo em nosso calendário secular se comemora o dia dos avós. Eu diria que é o dia dos agradecimentos. O dia onde devemos agradecer a Deus a bênção de ainda termos conosco pessoas sábias e experientes da vida que muito têm a nos ensinar.

            Pouco ou quase nada conhecemos sobre os pais de Maria, e o que temos advém da Literatura Apócrifa (textos não canônicos, não constando na Bíblia), onde uma das obras “ O Nascimento da Virgem Maria” durante a Idade Média foi atribuída a São Jerônimo, como também o “Proto-Evangelho de Tiago”, Apócrifo do segundo século da nossa era, que nos conta a história de Ana  a piedosa esposa de Joaquim que após um longo período de esterilidade obteve do Senhor a graça de ser mãe [E o anjo de Deus veio até ela dizendo: Ana, Ana, o Senhor escutou seus rogos: Conceberás e darás a luz, e de tua prole se falará em todo o mundo].  Após algum tempo, Ana deu a Luz a uma linda menina, a qual seus pais colocaram o nome, Maria, a criança que mais tarde seria a mãe do nosso Salvador Jesus Cristo.

            O próprio nome de Ana, que em hebraico significa  Javé compadeceu-se, nos sugere o amor e a misericórdia de Deus para com aquela mulher especial que desejava tanto um filho.

            Poucos se lembram ou festejam o dia dos avós,  talvez porque de certa forma não os valorizamos como deveríamos. A CNBB, pensando nisso, colocou o idoso em destaque este ano na Campanha da Fraternidade, o que veio nos chamar a atenção para tão importantes pessoas em nossa vida, nosso avós, bisavós e quem sabe...tetravós. Eles são “os troncos” firmes de muitas “árvores” que geraram lindos “frutos” para a humanidade.

            No Antigo Testamento entre os Patriarcas, verificamos que o ancião, o mais idoso da tribo, era digno de respeito, obediência e veneração. Ele representava a experiência, sabedoria e exemplo de vida para os mais novos. Talvez por isso, em questão de importância na hierarquia dava-se mais valor ao pai que ao filho, pelo menos até que este se tornasse adulto e emancipado. O sobrenome do filho era o nome do pai.  Desta forma os nomes geralmente vinham fazendo menção do pai. Ex.: Isaac filho de Abraão (Gn 25,19); Josué filho de Num (Js 2, 1); Abimeleque filho de Jerubaal (Jz 9, 1); Quis filho de Abiel (I Sm 9, 1); Jeú filho de Hanani (I Rs 16, 1); Tiago e João, filhos de Zebedeu (Lc 5,10). Conhecia-se o filho pelo pai. Talvez por esta razão Jesus, ao ser questionado por Filipe: - Mostra-nos o Pai, tenha lhe respondido com o costume conhecido: quem me viu, viu o Pai...Jo 14,9. Percebe-se que Filipe não conhecia tão bem a Jesus e nem a sua união íntima com o Pai.

            Pais e avós entre os antigos povos do Oriente tinham um valor especial para seus descentes, desta forma, Ana e Joaquim estão entre estes que ultrapassaram séculos servindo de exemplo de fé e perseverança no que eles acreditaram. Mesmo que sua história não se encontre nos evangelhos canônicos, podemos imaginar a importância que tiveram diante de Deus.

            O culto e celebrações na Igreja do Oriente em homenagem a Sant’Ana, vem desde o século VI, chegando ao Ocidente lá pelo século X. São Joaquim foi colocado junto com a esposa somente a partir de 1913.

            A frase que deu título a reflexão “pelo fruto se conhece a árvore” como dissemos, veio de Jesus, o único neto de Ana e Joaquim. Quem sabe quando Ele disse essas palavras sua memória não teria retornado ao tempo de criança quando ia à casa dos avós que moravam ali mesmo pertinho, na cidade de Nazaré. Para Jesus, seus avós deviam ser como para toda criança, sinônimo de aconchego, segurança, bons conselhos, amor e proteção. Imaginemos o menino Jesus chegando a pequenina e humilde casa de Ana e Joaquim, sendo recebido com abraços e beijos, com a oferta de uma novidade culinária feita por ela, talvez algo preferido por ele. Imagine a conversa dos três. Que novidades  traria Jesus para eles e o que levaria consigo além da promessa de um breve retorno! Para aqueles avós, Jesus era uma criança especial como Ser humano. Jesus tinha elos familiares como qualquer um de nós, e o que é mais gostoso do que uma visitinha a casa dos avós?

            Conhecemos muita bem a flor que se transformou em fruto, a Virgem Maria, que veio da frondosa árvore, Ana e Joaquim, também muito amados pelo Pai. Pela santidade de Maria, deduzimos a santidade dos pais, e agradecemos a Deus a oportunidade de termos Maria como mãe e Rainha dos Apóstolos, mas também como nossa mãe.

            Nosso país possui leis (8842; 11517; 11242 etc), algumas das quais protegem o idoso de abuso e maus tratos, que infelizmente parte, na maioria das vezes, da própria família. No Brasil havia cerca de 10 milhões de idosos em 1990; 15 milhões no ano 2000 e estima-se aproximadamente 34 milhões em 2025. Isto significa que precisamos cada vez mais nos preparar para um relacionamento amadurecido com a terceira idade.

 Que o Tema da Campanha deste ano perdure em nossos corações, nos lembrando que os idosos (todos os temos na família), sejam exemplos vivos de uma extensa jornada, sugerindo e apontando a direção correta do caminho a seguir. Que seu exemplo de vida longa possa ser seguido e, por mais tempo que sejam os nossos dias, pequena será nossa gratidão àqueles que tanto fizeram e que apenas desejam afeto, carinho, compreensão, paciência. Que saibamos também ouvi-los quando sentem prazer em nos contar suas memórias e suas experiências de vida que muito nos encantam.

Parabéns a todos os avós do mundo!

 Refletindo:

1. Depois de vivenciarmos este ano a Campanha da Fraternidade, como temos visto nossos idosos?

1. Já paramos para pensar que um dia seremos idosos? Como desejaríamos que nossos filhos e netos nos tratassem?