CIVILIZAÇÕES QUE INFLUENCIARAM O POVO HEBREU

 

 

           Muitas foram às civilizações que influenciaram o povo hebreu gerando mudanças em seu modo de viver, agir e expressar-se na religião, conseqüentemente isto veio afetar e diferenciar através da escrita, mesmo havendo resistência por  parte deste povo que sempre se conservou separado do que eles chamavam de “estrangeiros”.

 

           Estas aproximações sejam através de casamentos, invasões, ou outros motivos, geraram mudanças no comportamento, nos costumes e na escrita deste povo. Muito do que lemos em nossa Bíblia hoje vieram de outras civilizações.

 

           O que vamos estudar neste capítulo, vai nos esclarecer certos costumes que lemos na Bíblia e muitas vezes não entendemos. Como pode um povo tão seguidor dos preceitos de Deus agir daquela forma!

 

           Vamos conhecer oito dos principais povos que de certa forma tiveram grande influência nos escritos bíblicos e na vida do povo hebreu. Foram eles:

 

·        Sumérios

·        Arameus

·        Cananeus

·        Semitas (forma de linguagem)

·        Egípcios

·        Babilônicos

·        Filisteus

·        Persas

·        Árabes

 

 

1.      OS SUMÉRIOS

 

Os sumérios ao contrário dos outros povos da Mesopotâmia, não descendem em sua escrita aos povos Semitas. A origem deste povo é remota e desconhecida, apesar das especulações e teorias. Existe a probabilidade da sua linguagem ser anterior a época da Torre de Babel, quando os povos eram ainda unificados em sua linguagem (era patriarcal)

                                             

Eles não formavam exatamente uma civilização unificada, pois se dividiam (a exemplo dos gregos antigos), em Cidades-Estados, não possuindo um poder central. Estas Cidades-Estados lutavam entre si, o que causou seu enfraquecimento. Não se sabe exatamente como ocorreu seu desaparecimento, porém se crê que os Semitas (ancestrais do hebreu) aproveitando destas lutas internas tomaram estas cidades, o que reforça a crença em sua existência anterior a Torre de Babel.

 

As Cidades-Estados Sumérias possuíam a mesma escrita, arte, religião, técnicas agrícolas e de construção, que, por sua vez, foram aproveitados pelos povos que os subjugaram, entre eles o povo hebreu. Possuíam muitas categorias de divindades, cada uma satisfazendo uma necessidade específica. Cada cidade tinha o seu deus protetor, (seu padroeiro). Em Ur (cidade de Abraão) era a deusa Nana. Estes deuses  de certa forma se pareciam com o ser humano, eram ciumentos e vingativos.

 

Sua astronomia era incrivelmente avançada: seus observatórios obtinham cálculos do ciclo lunar que diferiam em apenas 0,4 segundos dos cálculos atuais. Na colina de Kuyundjick, antiga Nínive, foi encontrado um cálculo, cujo resultado final, em nossa numeração, corresponde a 195.955.200.000.000. Um número de quinze casas!...quase impossível de se acreditar! Os velhos e inteligentes gregos, no auge do brilho do seu saber, não passaram do número 10.000, o resto seria o "infinito".

 Na cidade de Nipur, 150 km ao sul de Bagdá, foi encontrada uma biblioteca sumeriana inteira, contendo cerca de 60.000 placas de barro com inscrições  cuneiformes. Nas traduções destas escritas seguindo a criação do mundo e do ser humano, diz-se que a Terra teve origem pela chegada de extraterrestres, através da colisão de dois corpos celestes. Parte dos destroços caíram aqui e no outro corpo celeste (outro planeta) o "Nibiru", onde teve  início a vida e com isso avançaram no estágio de evolução.

 Os Sumérios acreditavam que seus "deuses" vieram deste planeta (Nabiru) onde o sol para dar uma volta completa levava 3600 anos. Talvez por esta razão as contagens dos anos dos reis desse povo (que para eles eram divinos) eram imensas.

           As tábuas de argila sumeriana trouxeram informações precisas sobre os planetas do sistema solar. O mais impressionante são os dados sobre Plutão ( Planeta que só foi descoberto em 1930! ).Eles sabiam o tamanho de Plutão, sua composição química e orgânica e afirmavam que Plutão era na verdade um satélite de Saturno que se "desprendeu" e ganhou uma nova órbita. Eles chamavam a Lua de pote de chumbo e diziam que seu núcleo era uma 'cabaça' de ferro. Durante o programa Apolo, a NASA confirmou esses dados...Como seria  possível todo esse conhecimento há 3.000 anos atrás?

 A história diz ainda que após 35 milhões de anos Nabiru (planeta de onde os seus deuses vieram) corria risco de se acabar totalmente, então, como a Terra era o único planeta com condições favoráveis para sua sobrevivência, fizeram misturas genéticas entre os primatas e a sua espécie. Com o passar do tempo etes “extra terrestres” misturaram-se com os humanos gerando novas raças e etnias. Estes colonizadores tinham uma expectativa de vida de 20.000 anos (Gn 5?), período completamente incompreensível para o nosso saber, e eram humanóides gigantes ( ancestrais dos filisteus? “naquele tempo havia gigantes na terra...Gn 6,4. “Vimos ali (em Canaã) gigantes como gafanhotos...Nm 13,33. ...havia lá (filisteus) homens altíssimos...2Sm 21,20ss. (1Cr 20,8, texto paralelo).

           Os ETs também advertiram das calamidades que o planeta Terra iria passar. No caso o planeta Nabiru passaria muito perto de nós e a atração gravitacional iria provocar um cataclisma, um dilúvio que mataria quase todos os habitantes da terra ( será que os escritores do Dilúvio conheciam estas histórias?)

Segundo alguns arqueólogos e pesquisadores das civilizações antigas,  se ligarmos a Arca de Noé com os documentos achados dos sumérios vemos alguma lógica... também quando vemos rastros de humanos gigantes, ou quando associamos os anjos e as luzes no céu que são mencionados na Bíblia com os contatos imediatos que temos hoje constantemente, percebemos que muita coisa faz sentido nesta escrita.

 

O DILÚVIO SEGUNDO OS SUMÉRIOS

Comparemos os escritos bíblicos contidos em Gn 6-9 (Dilúvio) e este episódio sumeriano sobre o dilúvio."...e depois veio o dilúvio e após o dilúvio a realeza tornou a descer mais uma vez do céu..." este trecho está em uma das placas com inscrições cuneiformes, gravado em seis colunas, que constituem a mais antiga descrição do dilúvio de que temos conhecimento, mais antiga até que o poema épico de Gilgamesh, 2700 a.C)Cinco cidades pré-diluvianas são nomeadas no texto: Eridu, Badtibira, Larak, Sitpar e Shuruppak. Duas dessas cidades até agora ainda não foram encontradas.

Na mais antiga das placas até hoje decifradas, o Noé dos sumerianos, chamado Ziusudra, morava em Shuruppak e lá construiu sua arca. Os sumérios teriam edificado, através de séculos, torres, pirâmides e casas com todo o conforto para seus "deuses" a quem ofereciam sacrifícios enquanto aguardavam o  seu regresso.

A CRIAÇÃO DO HOMEM

Vamos conhecer esse famoso lugar o Dilmun.

Sobre um tempo remoto na tradição sumeriana, do qual se tem rara notícia, ouviu-se a seguinte história: Moravam na cidade de Dilmun, Enki e sua esposa Ninhursag. Em Dilmun o corvo não grasna, O milhano não emite seus guinchos, O leão não mata, O lobo não devora o cordeiro, E desconhecido é o cão selvagem devorador de cabritos. Lá a pomba não curva a cabeça, O doente da vista não diz "eu sou doente da vista", O doente da cabeça não diz "eu sou doente da cabeça", A senhora idosa não diz "eu sou uma senhora idosa", E o homem idoso não diz "eu sou um homem idoso", tudo gira em torno da paz.

No princípio dos tempos, a deusa-mãe Nammu (mar primeiro) pariu Ki (Terra) e An (Céu), dando à luz uma montanha cósmica cuja base, pairando sobre o abismo das águas, era o fundo da terra, enquanto o seu topo era o zênite do céu.

Eis que o grande deus Anki gerou o deus-ar Enlil. Então Enlil, separou Terra e Céu, e dessa separação surgiu um panteão de deuses. Esses deuses viviam em sua cidade celestial cultivando seus campos de cereais.

Entretanto, houve um tempo em que as colheitas falharam devido à negligência dos deuses. A velha mãe-água Nammu percebeu a situação de sua progênie e procurou Enki, o mais inteligente de todos, o senhor do abismo das águas, que encontrava-se em profundo sono em seu leito. Ela o acordou e falou-lhe da tristeza dos deuses.

"Levanta-te desse leito e realiza uma grande obra de sabedoria. Fabrique servos para assumir a tarefa dos deuses."

E o sábio Enki, levantando-se disse: "Ó Mãe, isso pode ser feito!".

"Vá", ele disse, "e busca um punhado de barro do fundo da terra, logo acima da superfície do nosso abismo das águas e modela-o na forma de um coração. Produzirei bons e magníficos artesãos que darão a esse barro a consistência adequada. E então tu farás os membros. Acima de ti a mãe-Terra, minha esposa divina, estará parindo e oito deusas do parto estarão à disposição para assisti-la. Tu determinarás o destino do recém nascido. A mãe-Terra imprimirá em cada um deles a imagem dos deuses, e ele será Homem."

A obra foi realizada. A deusa-Terra, esposa de Enki (En "Senhor", ki "Terra"), assistida pelas oitos deusas do parto, deu à luz o barro. Bons e magníficos artesãos deram-lhe a consistência certa e Nammu modelou o primeiro coração e depois o corpo e os membros.

Mas, quem era este Enki?

Enki era filho de An e Nammu, Enki era o deus do oceano subterrâneo de águas frescas (o Abzu ou Apsu - o abismo aquático). Seu nome pode ser traduzido como "Senhor  da Terra" (En - Ki), mas ki pode também referir-se ao "Abaixo", em oposição à an, o Céu, na cosmogonia dualizada.

A contradição do seu nome levou Samuel Krammer (pesquisador e escritor) e outros estudiosos a ponderarem que inicialmente ele devia ser conhecido como En-Kur, "Deus do Mundo Inferior". Ele realmente combateu o Kur (Mundo Inferior), como mencionado no prelúdio do mito de "Gilgamesh (este mito se encontra na íntegra em  minha página, na seção (“Curiosidades/Religiões”) Enkidu e o Mundo Inferior", e provavelmente saiu vitorioso - e portanto apto a portar o título de "Senhor do Kur". Assim dizia o texto:

Meu Pai, o Rei do Céu e da Terra, Me fez aparecer no mundo, Meu irmão mais velho, o Rei de Todas as Terras, Juntou e juntou ofícios, os colocou em minhas mãos. De Enkur, a Casa de Enlil, Eu trouxe as artes manuais para meu Apsu de Eridu,

Eu sou a Semente Verdadeira, emitida por um grandioso touro,

Eu sou o mais notável filho de An,

Eu sou a Grande Nuvem surgindo do mundo inferior,

Eu sou o grande gerenciador do país,

Eu sou o oficial da irrigação para todas as autoridades dos tronos,

Eu sou o Pai de Todas as Terras,

Eu sou o irmão mais velho dos deuses,

Eu torno a abundância perfeita.

Outra explicação para seu nome vem de Thorkild Jacobsen, que traduz ki como "solo". Portanto, o "Senhor do Solo" reflete o poder da água em fertilizar a terra. Esse poder da água era considerado semelhante ao do sêmen masculino, e os Sumérios não diferenciavam entre as palavras sêmen e água. Assim, Enki é também o senhor do sêmen, representando o poder da fecundação.

Prece para a fertilidade dedicada a Enki: “ Oh, Pai Enki, jorre para fora dos campos semeados, e que eles façam surgir a boa semente! Oh, Nudimmud, jorre para fora da minha boa ovelha, e que ela dê à luz um bom carneiro! Jorre para fora da vaca prenha, e que ela dê à luz um bom bezerro! Nesse caso, Enki era visto como a "Água da Vida", isto é, o líquido amniótico.

Enki é usualmente retratado com duas fontes de água, a do rio Tigre e o Eufrates, jorrando do seus ombros ou de um vaso que carrega. Muitas vezes aparecem peixes nadando nesses jorros. Algumas vezes ele segura um pássaro semelhante a uma águia, o Pássaro da Tempestade, o indugud, significando as nuvens surgindo das águas, e seus pés descansando em um ibex (cabra montanhesa), símbolo das fontes doces subterrâneas.

Para o sumeriano, o poder de fertilizar não é o único poder da água. Também ela tem o poder de, umedecendo o barro, dar-lhe forma. Em Enki essa habilidade era representada pelo nome Nudimmud ("Formador de Imagens"), e parece ressaltar o seu caráter como deus dos artistas e artesãos.

 O terceiro poder da água é o poder da limpeza, e assim Enki é o deus das libações rituais e das purificações contra o mal. Existiam umas séries de encantamentos que diziam respeito à purificação do Rei após um eclipse, chamadas “A Casa do Banho", que eram dedicadas a Enki, onde ele tomava o partido do rei na assembléia dos deuses, como um advogado em uma corte judicial.

        Enki é também o deus da sabedoria, faculdade que incluía habilidades manuais práticas (as artes e trabalhos manuais), habilidades intelectuais, habilidade de decretar os destinos e o comando de poderes mágicos.

         Ele também tinha o domínio sobre as terras, e era o guardião das leis divinas. Essas leis foram reunidos em Enkur e dados a Enki para serem guardadas e distribuídas ao mundo, começando na cidade de Eridu, seu centro de culto.

         Como provedor de águas frescas, deus criador e determinador dos destinos, Enki geralmente era visto como favorável à humanidade. No mito de Atrahasis, por exemplo, foi a intervenção de Enki que salvou a humanidade do dilúvio e da pestilência ordenada por Enlil, competiu com Ninhursag para saber quem conseguia criar um homem sem nenhuma utilidade. Essa inconstância de caráter de Enki pode ser explicada pela inconstância de temperamento da própria água: Muitas vezes a chuva benéfica pode se transformar em uma arrasadora tempestade..


        
Deuses Sumerianos

Sabemos que todos os deuses sumerianos correspondiam a determinados astros. Marduk = Marte, era o deus que controlava as águas das enchentes, tão comun na Mesopotâmia, cidade onde Noé vivia. Este deus supremo, consta ter tido uma estátua em ouro puro, de oitocentos talentos de peso; isso correspondia, se acreditarmos em Heródoto, a uma imagem de 24.000Kg de ouro puro.

Ninurta = era o deus e o juiz do Universo, pronunciava sentenças sobre os homens mortais. Há placas com inscrições cuneiformes dirigidas a Marte e  Ninurta. Em hinos e orações dos sumérios estão mencionadas armas divinas que, em estilo e efeito, deveriam ter sido completamente absurdas para a época. Um canto de louvor a Marte narra que ele fazia chover fogo e aniquilava seus inimigos com um relâmpago reluzente.

Inana, deusa está descrita como algo glorioso acima do céu: "... irradiando um terrível clarão que cega e destrói as casas do inimigo" (nos lembra a destruição dos primogênitos egípcios). Foram encontrados desenhos e até uma maquete de uma residência, assemelhando-se a um abrigo antiatômico pré-fabricado, redondo, tosco e com uma única abertura estranhamente emoldurada. Da mesma época, cerca de 3.000 anos a.C, os arqueólogos encontraram uma parelha com carro e cocheiro, além disso, dois esportistas lutadores, tudo com acabamento impecável e limpo. Os sumérios, isso é comprovado, eram mestres de um artesanato perfeito.

O décimo segundo planeta

 

Segundo o legado astronômico dos Sumérios, contado por Zecharia Sitchin em seu livro "O 12o. Planeta", um grande planeta invasor ( MARDUK ) que (para o povo babilônico séculos depois, Marduk era o deus da chuva) teria passado muito perto da órbita terrestre e arrancado pedaços da Terra ( TIAMAT ), entre eles a nossa atual.

        Em uma segunda passagem, o tal planeta teria empurrado a órbita da Terra de sua posição entre Marte e Júpiter para a órbita atual. Os destroços que sobraram desses dois encontros continuam na órbita original e formam o cinturão de asteróides que existe entre
.Marte.e.Júpiter.

          Segundo este escritor, a Lua, umas planetas em formação agora extintas, ficaram presas a órbita terrestre e a acompanhou desde então. Assim eles explicam a imensidão do Oceano Pacífico, local do planeta que teria sofrido a colisão com os satélites de Marduk e de onde saíram os destroços que formaram o cinturão de asteróides.

          Também dizem que os diversos satélites originais da Terra teriam sido jogados fora de suas órbitas pelo encontro com Marduk, originando os atuais cometas, errantes pelo sistema solar. Tudo isso são deduções, hipóteses...

 

 2. Os Arameus

Povo Semita de origem nômade.  As tribos de Israel, Edom, Amon e Moab vieram dos arameus.

Aram era filho de Sem (neto de Noé), Gn 10,22ss ; 1Cr 1,17; am 9,7 onde diz: Deus trouxe o israelita do Egito, os filisteus de Caftor e os arameus de Quir. Na Bíblia é citado Quir apenas mais uma vez em Is 22,6.  Segundo as evidências cuneiformes, os primitivos arameus pode ter sido o nome de um grupo tribal que pela primeira vez atravessou o rio Tigre para as regiões a oeste do país. Possivelmente  os  arameus sejam os ancestrais dos sírios de hoje.

Durante os séculos XI e X a.C. os Arameus dominavam a bacia do Rio Eufrates, cercando quase inteiramente a Assíria e criando condições para que um usurpador arameu ocupasse por algum tempo o trono da Babilônia. Mas nunca formaram uma unidade política. Criaram na Síria e no Eufrates, também na Região Hitita, pequenos reinos, dos quais Damasco é a mais importante, porém estes pequenos reinos desapareceram nos séculos IX e VIII a.C, com a volta do poderio Assírio. Desde então  este povo ficou sob dependência das potências Orientais que se seguiram.

Os Patriarcas hebreus após deixarem Ur,estabeleceram-se primeiro em Aram (Gn 11,28-32). Ali ficou uma parte da família (Naor, Betuel, Labão) enquanto a  outra parte formada por Abraão, seguiu para Canaã. As esposas, tanto de Isaque como de Jacó vieram do ramo arameu (Gn 24; 28 ss).

Em Dt 26,5, o povo israelita se diz descendente de um arameu que viveu como estrangeiro (Jacó). As línguas faladas pelos filhos de Jacó (filho de Abraão e nascido em Canaã) e Labão (vivendo em Aram), já demonstravam diferenças (cananeus/arameus, cf. Gn 31,47).

O aramaico se tornou a língua mãe de muitos hebreus a partir do século IX a.C. em 701 a.C, os oficiais do rei Ezequias exigiam que lhes falassem em aramaico (2Rs 18,26; esdr 4,7; Nee 13,24). Em Dn 2,4 o profeta se dirige ao rei Nabucodonosor em aramaico, o que nos prova que no século VI a.C ainda esta língua predominava entre o povo hebreu.

No século V a.C o aramaico era a língua diplomática para grande parte do reino persa. A língua falada pelos judeus no início da era cristã era o aramaico, com dialetos diferentes para a Galiléia (norte) e Jerusalém (sul).

O aramaico ocidental falado pelos cristãos palestinenses era chamado por São Jerônimo de caldaico (vindo dos caldeus?). Foi usado como língua sagrada para o Targun e o Talmude.

Mesmo no tempo de Jesus o aramaico predominava nas famílias judaicas mais simples. Jesus falava o aramaico. Os evangelistas colocam algumas de suas palavras em aramaico deixando-as como Ele as pronunciou.

·        Talita Kumi (levanta-te ovelhinha).

·        Abba (paizinho)

 

3. Semitas

 

Descendentes de Sem o primogênito de Noé (Gn 5,32; 6,10). Foi um das 8 pessoas a escaparem do dilúvio, segundo os escritos do Gênesis. Modernos filólogos (pesquisadores da língua) têm aplicado este termo aos descendentes de Abraão e aos povos que viveram na Ásia Central cuja língua se assemelhavam entre si. Entre eles, fenícios, cananeus, arameus e árabes. A palavra hebraica para “nome” é Shem que vem de Sem.

Adendo:     A simbologia dos números na Bíblia

É sempre muito curioso observar como o escritor bíblico trabalha e brinca com os números e as letras numa maestria que nos deixa intrigados. Que fontes usaram para escreverem daquela forma?

A tradição judaica diz: "Deus criou as letras da Torá e criou o Universo", por isso, a importância do significado de cada letra do alfabeto hebraico. Elas são no sentido espiritual, uma porta de entrada para o Divino.

O interessante é verificar que existe uma identificação muito forte entre o nosso código genético (DNA) e as 22 letras do alfabeto hebraico. As 22 letras se refletem no número de cromossomos da semente humana. O nosso código genético possui 46 cromossomos, 22 masculinos, 22 femininos, mais 1 do pai e 1 da mãe, para definir o sexo.

Observe que a palavra dam = sangue, possui valor numérico 44. O d = 4, o a = 2 e o m = 40. Se colocarmos o a na frente, temos a palavra Adam (homem em hebraico), sendo que o a tem valor numérico 1, mas que conjuga o masculino e o feminino (humanidade), portanto 2. Assim,a palavra Adam não foi colocada para o primeiro ser humano criado por Deus aleatoriamente, além de ser tirado da adamah (terra fértil). Ele tem o valor numérico 46 (homem e mulher), igual aos cromossomos.

 Não é sem pensar que o judeu coloca o nome nos seus filhos. Para eles a junção das letras hebraicas, forma um nome através do qual descem à raiz espiritual até o corpo físico. É o poder herdado do Criador para que possam anuncia-lo no mundo. O nome de uma pessoa contém o segredo de sua missão aqui na terra. Cada uma das 22 letras do alfabeto hebraico pode ser interpretada segundo sua forma, seu nome ou valor numérico, que muitas vezes só eles o sabem.

Toda letra hebraica possui um ou mais significados, místico ou simbólico. Estes significados geralmente vem da Cabalah (os mistérios e segredos de Deus pelos números).  O sentindo de ouvir um som (ouvir no hebraico, significa compreender) é tão importante como a visão. Sua harmonia, ritmo e balanço, como na música, formam uma espécie de "mantra", de muito poder. Por esta razão o judeu reza balançando-se pra frente e pra trás. Cada palavra tem um poder, e a sua força desperta diferentes emoções.

O número tem na Escritura mais valor qualitativo do que quantitativo. Os números registrados na Bíblia Hebraica são escritos por meio de palavras. Sua simbologia era conhecida por uma ciência chamada Gematria. Fundamenta-se na interpretação de uma ou várias palavras de acordo com o valor numérico de suas letras no alfabeto hebraico. É o processo de transformar uma palavra em código, ao somar seu valor numérico das letras que a compõe.

Até o século XVIII da nossa era, todos os números contidos na Bíblia foram considerados significativos. Sto Agostinho foi um teólogo por demais interessado na numerologia. Os estudantes judeus da CABALA tinham seu próprio sistema numerológico fundamentado na Gematria.

CABALA, vem do hebraico caballah (tradição, transmissão). É uma doutrina esotérica ou secreta dos judeus do início da era cristã até o século XII d.C. Resulta da fusão de elementos bíblicos com o neoplatonismo panteísta e outros segmentos místicos da Antigüidade e da Idade Média.

Sua origem se explica desde Enoque (Gn 5,21-24). Quando este ensinou ao Patriarca Abraão (século XIX a. C),uma doutrina oculta e que esta foi transmitida de geração a geração, e que Moisés as escreveu no cinco livros do Pentateuco. Como Enoque nesta época se encontrava no Egito, país cheio de mistérios, tudo foi escrito  em símbolos, entregando a chave do entendimento aos seus homens de confiança. Estes segredos foram passando oralmente de geração a geração até a literatura escrita.

Dizem os cabalistas que Moisés escreveu em caracteres Vattam. Mais tarde no século VI a .C, o sacerdote Esdras o substituiu pelo hebraico e aramaico. Mais tarde, copistas, os "massorah" (massoréticos) as colocaram de uma forma mais simples juntamente com a Michnah, Gemará, Targum. Estes quatro documentos judeus (Massorah, Guemarah, Michnah e o Targum) constituem a chamada "cabala judaica".

 

Números cabalísticos e gemátricos usados pelos hebreus

Para o povo que escreveu a Bíblia os números ímpares eram sempre mais perfeitos que os pares.

             O número 1 para o povo judeu sempre representou Deus, ou a unidade entre o Ser humano e Deus portanto, um número perfeito. A origem de tudo.

·        Dt 6,4 – O Senhor nosso Deus é o único...

Para o judeu do AT a Gematria (numerologia atual) indica quantidade e qualidade. No NT o número 2 aparece 135 vezes, considerado pelo judeu o mínimo do plural. Jo 8,17 => Só o testemunho de duas pessoas é aceito; Mc 6,6b-7 => Jesus os discípulos dois a dois.

O 3 também tem uma grande influência na Gematria bíblica, é mais um número perfeito. Representa inicio-meio-fim/ passado-presente-futuro (1Jo 5,5-8; Ap 1,4; 1Sm 30,12; Mt 12,40; Mt 27,40). Representa  atos poderosos de Deus como também a Trindade. Quando o 3 está em decimal, geralmente mostra uma negatividade.

·        Mt 28,19...

·        Jo 14,26...

·        Jo 15,26...

·        1Pd 1,2...

·        1Cor 15,4- Deus ressuscitou Jesus no terceiro dia.

·        1Cor 13,13 – Paulo salienta  3 virtudes cristãs.

O 4 representa a totalidade da terra e do Cosmo. É o numero dos lados de um quadrado, algo completo. O nome de Deus em hebraico tem 4 letras YHWH (Javé). 4 é um símbolo forte na literatura apocalíptica.

·        Zc 1,18-21 -  4 ferreiros e 4 chifres;

·        Zc 6,1-8 – 4 carruagens;

·        Ap 9,14 – 4 chifres do altar;

·        Gn 2,10s - 4 rios;

·        Zc 1,8 - 4 Impérios;

·        Jr 49,36 - 4 ventos;

·        Ap 6,1 ; 20,18 – existem 4 cantos da terra;

·        Dn 2-7 – a História do mundo, desde o tempo do Império Babilônico é abarcado por 4 Reinos;

·         Ap 7,1 - 4 cantos da terra.

O número 5  ao contrário do 6 possue um significado poderoso  na relação Deus e nós. A primeira palavra da Bíblia hebraica é brashith (no princípio). Consta de cinco consoantes e uma vogal B, R, A, SH, I, TH. Dizem que estas seis letras significavam a criação, os seis dias (Gn 1,1-2,4). Os antigos seguiam o ano lunar com 355 dias. É o que indica o nome hebraico shanah (ano): Sh = 300 N = 50 H = 5 (As vogais não entram na contagem). Veremos com mais detalhes na explicação do número 10.

O 7 é a plenitude/um período cumprido/a totalidade/a perfeição infinita. Pode também significar algo voltado a negatividade o que é mais comum encontrarmos no N.T

·        Gn 1 e Ex 20,10 - Deus fez o mundo em  e descansou no sétimo dia;

·        Ex 12,15-19 ; Nm 29,12 – a festa dos pães ázimos se prolonga por 7 dias

·        Lv 1,29 – O dia do Yom Kipur (dia do perdão) se dá no sétimo mês;

·        Is 4,1 – 7 mulheres para um homem;

·        Rt 4,5 – Uma nora amorosa é preferível a 7 filhos;

·        Mc 8,1-9 – Nesta multiplicação foram empregados 7 pães para 4 mil homens

·        Ap 12,3;  13,1 e 17,7 a besta têm 7 cabeças.

Parece que o 5, o 10 e seus múltiplos era empregado como equivalente a “bastante vezes”. O povo contava somente até 10 pelos dedos das mãos. Uma maneira primitiva de contar, e também pelo fato de na Palestina ser usado com mais freqüência o sistema decimal.

·        As 10 pragas no Egito...

·        Os 10 mandamentos...

·        Mt 25,2 – As 10 virgens, 5 eram prudentes e 5 insensatas...

·        Na multiplicação havia 5 pães para 5 mil pessoas...

·        Gn 31,7 – Labão mudou o salário de Jacó muitas vezes;

O 12 é a cifra da eleição e missão dados por Deus.O ano dos hebreus está dividido em 12 meses e o dia em 12 horas. Jacó (Israel) teve 12 filhos.

·        12 tribos de Israel (Gn 35,22-26)

·        12 Apóstolos (Mt 10,1-5)

·        Ap 7,4  - 12x12 = 144. Esta simbologia apresenta quem serão os salvos. O povo do AT simbolizado pelas 12 tribos e o povo do NT simbolizado pelos 12 apóstolos, portanto, todos.

O 40 na Gematria significa a duração de uma geração em busca de uma nova vida e missão. Longos períodos/ período indeterminado.

·        Ex 16,35 - 40 anos no deserto;

·        Mt 4,2 - 40 dias Jesus ficou no deserto;

·        At 1,3 - 40 dias Jesus permaneceu com o povo após a ressurreição; Gn 6-9 - 40 dias choveu...

·        Nm 14,22 – Saul, Davi e Salomão reinaram 40 anos...

·        Jz 3,11; 6,31; 8,28 -  a terra teve descanso por 40 anos...

O 70 significa a universalidade/ período de turbulência/transição. Geralmente é associado com a administração de Deus sobre o mundo.

·        Gn 10 - 70 são os descendentes de  Noé. Sem, Can e Jafé que formam 70 tribos.

·        Gn 46,27 – 70 pessoas desceram ao Egito.

·        Nm 11,16 – 70 anciãos foram nomeados para ajudarem a Moisés administrarem Israel.

·        Jr 25,11; 29,10 – 70 anos o povo ficou exilado na Babilônia.

·        Jr 25,11 - 70 anos foi o tempo do Exílio na Babilônia

·        Dn 9,24 - 70 semanas é o tempo da redenção messiânica

·         Ex 1, 1-7 - 70 foram os filhos de Jacó que vieram para o Egito.

·        Lc 10,1 – Jesus envia 70 discípulos para preparem o seu caminho

·        Mt 18,22 – Jesus disse para perdoar 70x7...

A primeira palavra da Bíblia hebraica é brashith (no princípio). Consta de cinco consoantes e uma vogal B, R, A, SH, I, TH. Dizem que estas seis letras significavam a criação, os seis dias (Gn 1,1-2,4). Os antigos seguiam o ano lunar com 355 dias. É o que indica o nome hebraico shanah (ano): Sh = 300 N = 50 H = 5 (As vogais não entram na contagem).

Portanto, a Gematria, Numerologia ou a Cabala admitem um estudo muito mais aprofundado sobre a simbologia dos números no antigo Testamento e em toda Bíblia.

Percebemos também que os números em toda a Bíblia ainda causam muitas dúvidas e mistérios, mas atrai muita gente, talvez pela força mística que os envolvem.

 

Fazendo memória:  A História do povo de Israel.

Vamos relembrar a linha de tempo? Estas datas são apenas aproximadas. São pontos de referência do que propriamente datas. As datas mais reais são a partir dos juízes (1200 a.C).

·        1850 a.c =»  Abrão sai de UR, na Caldéia e vai para Haran, cidade que fica entre os rios Tigre e Eufrates.

·        1800 a.C =» Abrão sai de Haran e vai para a Palestina (terra de Canaã), a Terra Prometida.

·        1700 a.c =» Jacó e seus filhos foram para o Egito, onde José já estava, que tinha sido vendido por seus irmãos a um mercador.

·        1250 a.C =»  Moisés tira o povo do Egito e vai a caminho da Terra . Os hebreus peregrinaram pelo deserto até chegar a  Canaã por 40 anos.

·        1240 a.C =»  Deus renova sua Aliança com o povo através de Moisés, que recebe o Decálogo no Monte Sinai.

·        1200 a.C =» Moisés não entrou na Terra Prometida. Morreu quando avistava as Montanhas de Canaã. Este foi também o período dos juízes, que durou 75 anos.

·        1025 a.C =»  Termina aqui o período do Juízes. Samuel foi o último Juiz em Israel. Inicia-se aqui a Monarquia.

·        1000 a.C =»  substituindo Saul foi ungido Davi. Teve grande e graves pecados, mas, soube pedir perdão publicamente.

·        971 a.C =» Salomão é sagrado rei em Israel. Foi ele quem construiu o Templo. Aqui  a Monarquia na  Palestina atinge o seu ponto máximo.

·        933 a.C =» Aqui se dá a divisão do Reino, pela morte de Salomão. O Reino do norte (Israel), capital Samaria. e o Reino do sul (Judá) capital Jerusalém. Esssa cisão vai até 722.

·        746 a.C =» Inicia-se o longo período dos profetas. Começa com Isaías e Miquéias que profetizam no sul.  No norte profetizam Elias, Eliseu, Amós e Oséias.

·        727 a.C =» é fundada a cidade de Roma

·        722 a.C =» queda da Samaria. Fim do Reino do Norte.

·        641 a.C =» Reinado de Josias. Um rei zeloso e guardador da Lei de Deus. É filho de Acaz, um rei ruim e perverso.

·        626 a.C =» é o tempo dos profetas Sofonias, Naum, Habacuc, Jeremias e Baruc. Jeremias profetiza a queda de Jerusalém.

·        587 a.C =» queda de Jerusalém. Milhares de de israelitas são deportados para a Babilônia. No Exílio profetizam Ezequiel e Daniel.

·        538 a.C =» Ciro rei da Pérsia derrota os Babilônios e decreta a volta dos exilados.

·        520 a.C =» Ageu e Zacarias profetizam. Unem o povo junto ao Templo que é reconstruído. Por esta época profetiza também Malaquias.

·        445 a.c =» Neemias reergue os muros de Jerusalém.

·        398 a.C =» O sacerdote Esdras dedica-se a reconstrução da comunidade dos judeus repatriados. Como escriba consegue realizar a nova Lei (Deuteronômio).

·        331 a.C =» começa um  breve período de dominação grega.

·        323 a.C =» Israel agora está sob o domínio egípcio sob a dinastia dos Ptolomeus.

·        200 a.C =» começa a tradução da Septuaginta (LXX), em Alexandria no Egito.

·        198 a.C =» Os judeus ficam sob o domínio dos Sírios. Dinastia dos Selêucidas.

·        167 a.C =» A família dos Macabeu oferecem grande resistência  aos gregos.

·        40 a.C =» Herodes , o Grande é feito rei dos judeus, e reina até 4 a.C.

·        20 a.C =» Nova reconstrução do Templo. Tinha sido destruído pelos sírios.

·        6 a.C =» Nascimento de Jesus. Domínio romano.

 

4. Cananeus

            3000 - 2500 Chegada dos Cananeus no litoral libanês e região meridional da Síria, Ugarit. Os gregos passaram a chamá-los de "Fenícios". Nascimento das cidades-estados fenícias.

 

5.      Egípcios

Sua origem:

Por volta de 4.000 a.C., formaram-se as primeiras tribos junto às margens do fértil Nilo, estas tribos formavam  cidades estados governadas por reis. Disputas entre estas cidades causaram guerras. Ao norte os reis de Buto conquistaram as cidades vizinhas, fundando o chamado reino do Baixo Egito, detentores da coroa vermelha. Ao sul, os reis de Hiracômpolis, conquistaram outras cidades, fundando o reino do Alto Egito, coroa branca.

Narmer, governante do Alto Egito, venceu o reino do Norte (3200 a.C.), unificando os povos do alto e baixo Egito. Narmer tornou-se o primeiro faraó e fundou a primeira dinastia do Antigo Egito.

O Egito unificado adotou a forma de governo teocrata, ou seja, seu governante, o faraó, era aclamado como um deus. Teo em grego = Deus, crata = cracia ou Teocracia. Portanto era um governo de Deus, no caso do rei que se dizia deus.

 

O Antigo Egito

 

A formação do estado egípcio (5000/3000 a.C.)

O Egito está situado no nordeste da áfrica, entre os desertos de Saara e da núbia. é cortado pelo rio Nilo no sentido sul-norte, formando duas regiões distintas: o vale, estreita faixa de terra cultivável, apertada entre desertos, denominada alto Egito; o delta, em forma de leque, com maior extensão de terras aráveis, pastos e pântanos, denominado baixo Egito.

Por volta de 5000 a.C, com o progressivo ressecamento do Saara, bandos de caçadores e coletores de alimentos se fixaram às margens do Nilo. Iniciaram o cultivo de plantas (trigo, cevada, linho) e a domesticação de animais (bois, porcos e carneiros), favorecidos pelas inundações notavelmente regulares e ricas em húmus do rio.

Os grupos humanos constituíam-se em clãs, que adotavam um animal ou uma planta como entidade protetora o Tótem. A cerca de 4 000 a. C., as aldeias de agricultores passaram a se agrupar, visando a um melhor aproveitamento das águas do rio, formando os as aldeias, primeiras aglomerações urbanas. Desenvolveu-se a partir daí um trabalho coletivo de construção de reservatórios de água, canais de irrigação e secamento de pântanos. A agricultura passou a gerar excedentes, utilizados nas trocas entre os agricultores. Os egípcios aproveitavam também a riqueza mineral da região, extraindo granito, basalto e pedra calcárea das montanhas que margeavam o vale.

As aldeias eram independentes entre si e dirigidas pelos líderes que exerciam ao mesmo tempo a função de rei, juiz e chefe militar. Gradualmente, estas aldeias foram se reunindo em dois reinos, um no delta, baixo Egito como já foi citado acima, que mais tarde irão constituir um só Império. Nesse período anterior à unificação, os egípcios já haviam criado a escrita hierográfica e um calendário solar, baseado no aparecimento da estrela sírius, dividido em 12 meses de 30 dias cada, mais cinco no final do ano semelhante ao que temos hoje.

Os antigos habitantes atribuíam a unificação do país, que ocorreu por volta de 3 000 a.C., a um personagem lendário, Menés, rei do baixo Egito, que teria conquistado o alto Egito e formado um só reino com capital em Mênfis. Segundo a crença, o responsável pela unificação era considerado sobre-humano, verdadeiro deus a reinar sobre o alto e o baixo Egito. Este foi  o primeiro -faraó- (rei-deus ).

Ora, isso não pode ser comprovado arqueologicamente. A unificação decorreu da necessidade de uma direção centralizada para o melhor controle das enchentes do rio, que tanto podiam trazer a fartura das colheitas, como a destruição das aldeias e das plantações. De todo modo, a crença serviu para divinizar os governantes que se utilizaram muito bem dela para se impor à população e manter um domínio direto sobre todas as terras do Egito.  Recebendo impostos e serviços dos camponeses das aldeias, que cultivavam as terras, os faraós  acumularam grande soma de poder e de riqueza.

 

DINASTIA    ANTIGA

Com a unificação das aldeias em um único Estado, iniciou-se o período dinástico da história do Egito, que se divide em três eras principais o antigo império, o médio império e o novo império -separados por períodos intermediários em que a autoridade faraônica decaiu, trazendo anarquia e descentralização.

O antigo império, entre 2 700 e 2 200 a.c., foi a época em que o poder absoluto dos faraós atingiu o auge, principalmente durante a IV dinastia, dos faraós quéops, quéfren e miquerinos, que mandaram construir as enormes pirâmides (sepulcros) da planície de gizé, perto da capital, mênfis.  Este é o tempo de Moisés.***********

O médio império, com  capital em tebas, aproximadamente de 2 000 a. C., a 1 700 a.C., foi uma época de expansão territorial, de progressos técnicos nos canais de irrigação e de exploração de minérios na região do sinai. a mando do faraó amenemá i, da xii dinastia, foi construída uma grande represa para armazenamento das águas, que ficou conhecida como lago méris ou faium.  no período intermediário que se seguiu, houve aumento do poder dos -nomarcas - rebelião de camponeses e escravos e ocupação do delta pelos hicsos, povo de origem asiática, iniciando um período que durou cerca de um século e meio.

o novo império começa com a expulsão dos hicsos por volta de  1 580 a.c., e marcou o ponto culminante do país como potência política. os faraós do novo império, destacando-se tutmés ii e ramsés ii, deram início a uma política externa expansionista, com a conquista da núbia (ao sul), da síria, da fenícia e da palestina, formando um império que chegava até o eufrates.

seguiu-se um período denominado baixo império, de sucessivas invasões por povos estrangeiros: assírios (671 a.c.), persas (525 a.c.), macedônios (332 a.c.) e romanos (30 a.c.) que liquidaram o império egípcios, uma civilização que perdurou por cerca de 35 séculos (3 500 anos).

o rio nilo e a economia do egito antigo

     O rio nilo exerceu importância fundamental na economia do egito, oferecendo água e terra cultivável a uma região situada em pleno deserto. mas era preciso utilizar a inundação, distribuir a água eqüitativamente, aumentar a superfície irrigada e drenar pântanos. isso foi feito a partir dos nomos, num trabalho coletivo que envolvia a população de várias aldeias.

     O grande rio fornecia a alimentação, a maior parte da riqueza e determinava a distribuição do trabalho das massas camponesas nas aldeias. durante a inundação (jul /out), com os campos alagados, os homens transportavam pedras para as obras de construção dos faraós, escavavam poços e trabalhavam nas atividades artesanais. na vazante (nov / fev), com o reaparecimento da terra cultivável, captavam as águas e semeavam. com a estiagem (mar / jun), colhiam e debulhavam os cereais. a alimentação era complementada pela pesca e pela caça realizada nos pântanos do delta do nilo. a agricultura produzia cevada, trigo, legumes, frutas, uvas  e linho.

as atividades artesanais, de artigos destinados ao consumo da população, eram realizadas nas oficinas das aldeias. desenvolviam-se em função das matérias primas e dos produtos agrícolas oferecidos pelo rio: tijolos e vasilhames fabricados com a argila úmida das margens; vinho, pão, cerveja e objetos de couro; fiação e tecelagem do linho; utilização do papiro para a produção de cordas, redes, papel e barcos. o delta era o principal centro pecuário e vinícola.

o artesanato de luxo, de consumo da aristocracia, de alta especialização e qualificação excepcional, ouriversaria, metalurgia, fabricação de vasos de pedra dura ou de alabastro, faiança, móveis, tecidos finos, concentrava-se em oficinas mais importantes, pertencentes ao  faraó e ao templo. a cidade de mênfis possuía a melhor metalurgia.

os funcionários do faraó eram responsáveis pela circulação dos produtos entre as diversas regiões do país e pela organização do trabalho de mineração e das pedreiras, exploradas através de expedições ocasionais.

o pequeno comércio local trocava produto por produto; em transações maiores usavam-se pesos de metal. o grande comércio externo, por terra ou por mar, era realizado com as ilhas de creta e chipre, com a fenícia e com a costa da somália, para a importação de madeira para a construção naval, prata, estanho, cerâmica de luxo, lápis-lazúli. organizava-se através de grandes expedições ordenadas pelo faraó, mobilizando mercadores, funcionários e soldados.

o faraó, através de seus funcionários, controlava diretamente todas as atividades econômicas, proprietário que era das terras do egito: planejava as obras de irrigação, a construção de tempos, pirâmides e palácios; fiscalizava a produção agrícola e artesanal; organizava o comércio e a exploração das minas; distribuía o excedente; cobra os impostos dos camponeses, usados para sustentar o estado. o palácio e o tempo dos deuses eram o centro da acumulação da riqueza