JESUS RESSUSCITOU VERDADEIRAMENTE?

 Em nossa caminhada, um dos pilares que nos sustenta é a oração do Credo, tão bem denominada “Ato de fé”. Essa oração nos faz lembrar sempre que como cristãos  acreditamos :

 - Que a Bíblia Sagrada é a revelação divina, verbalmente inspirada pelo Espírito Santo, aos seres humanos.

 - Que Deus é único e trino - o Pai, o Filho e o Espírito - coexistindo em igualdade de eternidade a eternidade.

 - Que o Filho de Deus, sendo ele próprio Deus, encarnou-se com o nome de Jesus, nascido da virgem Maria, para ser nosso Redentor e Salvador.

- Que Jesus, o Cristo ungido por Deus com Seu Espírito Santo, morreu na cruz por nossos pecados e derramou Seu sangue para o cumprimento de nossa redenção.

-Que Jesus Cristo, depois de sepultado por três dias, ressuscitou dos mortos, tornou-Se o Espírito que dá vida. Que após Sua ressurreição, ascendeu aos céus e Deus O fez Senhor de todas as coisas.

            Este Símbolo da fé cristã acaba proclamando a “ressurreição da carne” e, após ela, a vida eterna. O cristão crê firmemente e espera que assim como Cristo ressuscitou de verdade dentre os mortos e vive para sempre, assim todos nós viveremos para sempre com Ele. Isto nós podemos observar no diálogo entre Jesus e Marta irmã de Lázaro, quando, após Jesus lhe falar “seu irmão ressuscitará”, ela lhe diz: “Sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia”. João 11, 23-24.

Essa mesma fé acompanhou a Igreja primitiva e foi uma das principais preocupações de Paulo, ao perceber que  muitos cristãos tinham dúvidas quanto à ressurreição. Quando escreve sua primeira carta aos tessalonicenses, por volta do ano 51 d.C (primeiro texto do Novo Testamento), ele busca reanimar a fé dos fiéis na ressurreição, quando lhes diz: Irmãos não queremos que ignoreis coisa alguma a respeito dos mortos, para não vos entristecerdes, como os outros homens, que não têm esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, cremos também que Deus levará com Jesus os que nele morreram”. 4, 13-14.

       Ainda o apóstolo Paulo, certa vez questiona a validade da fé cristã sem a crença da ressurreição, quando se dirige aos cristãos de Corinto: “E como andam dizendo alguns dentre vós que não há ressurreição dos mortos? Se não há ressurreição dos mortos, também Cristo não ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, vã também é a nossa fé...  Mas, não! Cristo ressuscitou dentre os mortos como primícias dos que adormeceram” (1 Coríntios 15,12-14.20).

O mesmo apóstolo, possuído pela certeza da ressurreição, chegou a montar a cronologia de como ela se daria. Ele diz: “...como primícias, Cristo, em seguida os que foram de Cristo por ocasião de sua vinda...”. 1 Cor. 15, 23.

            Crer na ressurreição da carne, portanto, tem sido, desde o começo dos tempos, um elemento essencial da fé cristã. Mesmo fora das páginas do livro santo, encontramos homens e mulheres comentando a respeito dela, como por exemplo, São Tertuliano, um dos pais da Igreja, que no século III escreve: “A ressurreição dos mortos é  esperança dos cristãos; somos cristãos por crer nela”.

Jesus Ressuscitou?

Por mais que cogitemos motivos, verdades, dúvidas ou incertezas sobre a ressurreição de Jesus, percebemos que o mais poderoso sinal confirmando ser Jesus quem ele diz ser, o Filho de Deus, está em Romanos 1,4 “Constituído filho de Deus, poderoso segundo o Espírito de santidade a partir da ressurreição dos mortos... “. Diante disso nos perguntamos:  A ressurreição realmente aconteceu?

Muitos atualmente consideram a ressurreição de Cristo como um dos mais certos e seguros eventos da história. Um debate crucial sobre a questão tomou lugar recentemente entre o mundialmente renomado filósofo ateísta, Dr. Anthony Flew, e o erudito do Novo Testamento e cristão, Dr. Gary Habermas. Um júri de cinco filósofos de Universidades de destaque julgou o debate. Qual foi a conclusão? Um empate.

Como comprovar a ressurreição de Jesus?

Segundo o Dr. Habermas doze fatos históricos podem comprovar que realmente Jesus ressuscitou:

1. Jesus Cristo morreu devido aos rigores da crucificação.

2. Jesus foi enterrado.

3. A morte de Jesus Cristo levou os discípulos a perderem a esperança e se desesperarem.

4. Muitos eruditos afirmam que o túmulo de Jesus foi encontrado vazio uns poucos dias depois de sua morte e sepultamento.

5. A este tempo, os discípulos haviam tido experiências reais que eles acreditavam ser experiências literais de um Jesus ressureto.

6. Os discípulos foram transformados de homens cheios de dúvidas, receosos de se identificarem com Jesus, a corajosos proclamadores de sua morte e ressurreição querendo, inclusive, morrer por essa crença. Um exemplo disso é a história contada por Lucas (24, 13-35), a respeito dos discípulos de Emaús.

7. A ressurreição constituía o centro da mensagem dos apóstolos.

8. A ressurreição foi proclamada em Jerusalém, num dia de domingo, onde o túmulo vazio se encontrava. Como resultado:

9. A igreja nasceu e começou a crescer nessa cidade...

10. O  domingo tornou-se o dia principal para a adoração e celebração da Eucaristia.. (até então, se tinha o sábado como o dia de dedicação a Deus).

11. Tiago, o irmão cético de Jesus, converteu-se por causa da ressurreição.

12. Paulo, o grande perseguidor do Cristianismo, também foi convertido por causa da ressurreição. E, segundo seu relato posterior, o seu encontro foi com o próprio Jesus ressurreto que, dirigindo-se a ele diz: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ao que ele responde: quem és Senhor? E o Senhor lhe diz: Eu sou Jesus a quem persegues. Atos 9, 4-5.

Conclusão

             De tudo o que vimos aqui e comprovamos a respeito das diversas idéias e controvérsias acerca da ressurreição de Jesus, um fato não podemos deixar de considerar que, em nossa opinião, é o mais importante: a fé.

            Voltando ao tema central de nossa reflexão “Jesus ressuscitou verdadeiramente?”, devemos considerar alguns dados que tornam o cristianismo uma verdadeira religião de fé.

Todos conhecemos o incidente ocorrido entre Jesus e Tomé, no qual este só acreditaria que Jesus realmente havia ressuscitado se pudesse comprovar isto pessoalmente: “Se não vir nas mãos os sinais dos cravos e não puser os dedos no lugar dos cravos e minha mão no lado, não acreditarei”. João 20, 25.

            Posteriormente, Jesus retorna a cena e desta vez Tomé está presente, ao que Jesus, dirigindo-se a ele diz: “Põe aqui o dedo e olha as minhas mãos, estende a mão e põe no meu lado, e não sejas incrédulo mas homem de fé...porque me viste acreditaste, felizes os que não viram e creram”. João 20, 27. 29.

Isto nos sugere que, independente de qualquer prova que alguém tenha ou não encontrado, a ressurreição de Jesus deve se constituir um ato de fé, a base do cristianismo. Paulo menciona em Efésios  2,5. “Fostes salvos mediante a fé”. E o que é a fé? Segundo o escritor dos Hebreus: “A fé é o fundamento do que se espera, e a convicção das realidades que não se vêem”. 11, 1.           

            Portanto, a ressurreição de Jesus Cristo, não é algo para ser provado, antes é algo que deve ser crido por todo o verdadeiro cristão. Você crê? “Tudo é possível para quem crê”.  Mc 9, 23b.