Os temas que são apresentados neste terceiro volume de Histórias de Maria que a Bíblia não conta, servem para completar o circuito investigativo em torno da vida de Maria, a partir das experiências que foram vividas por pessoas que conviveram com ela, e que vivenciaram a experiência de amá-la com toda intensidade.

            As temáticas contidas nestes três volumes envolvem a vida de Maria desde o seu nascimento até sua partida deste mundo.

Neste volume em especial, é mostrada a vivência dela no ministério de Jesus, junto com a paixão, morte e ressurreição Dele, além de detalhes sobre a sua “dormição”.

            O diálogo entre João, Maria e Jesus na cruz, é retratado como prenúncio de uma adoção coletiva de todos aqueles que viriam a fazer parte da igreja. Adoção esta que foi posteriormente ratificada e serve para justificar a criação de dogmas que a elevaram à figura hoje aclamada e venerada no seio do catolicismo.

Aos livros escritos à época coube socializar Maria para a posteridade, retratar a gênese de movimentos, idéias e conceitos a ela direcionados. Assim, não são poucas as referências paralelas e a intertextualidade entre tais manuscritos, como, por exemplo, quando retrata sua morte e Assunção - todos são unânimes ao afirmar os mesmos fatos de forma insistente, embora com pequenas diferenças entre um e outro.

A referência à sua morte não é suficiente para excluir o apelo à sensibilidade dos cristãos primitivos em relação à sua Assunção. O que fica claro é que morte e Assunção não se confundem, não são temas excludentes, mas se complementam, trazendo à tona conceitos profundos que reinaram no cristianismo primitivo em relação à morte e ressurreição do justo.

Esta obra, embora sem qualquer peso doutrinário, senão histórico, é, contudo, um importante subsídio para as questões de fé, porque há um esforço em associar os temas aqui resgatados àqueles apresentados nos canônicos. Talvez por isso há uma grande preocupação em citar os acontecimentos pela perspectiva histórica, mas também teológica, resgatando textos e associando ambas as literaturas, que se complementam – os canônicos trazendo os fatos, os históricos aprofundando-os.

Por exemplo: quando a autora cita as bodas de Caná (Volume II, p. 85), ela leva o leitor ao livro canônico (Jo 2, 1-22), mas quando aprofunda o tema, o faz a partir dos manuscritos. Ou ainda: quando fala da morte de Jesus retoma os canônicos (Jo 19, 26s; Lc 23, 27); os pormenores, porém, estão nos históricos.

São ricos os detalhes apresentados nesta obra em relação à última Páscoa (Lc 22, 28). Todavia, é nos livros apócrifos que este acontecimento tão importante para o povo de Deus é contado com minúcias.

            Ao terminar esta trilogia (Histórias de Maria que a Bíblia não conta volumes I, II e III), o povo católico ganha mais uma ferramenta importante e esclarecedora para que possa consolidar seu amor, admiração e veneração por esta importante personagem da história humana, Maria.