O que é uma Missa - Profª Dita

O que significa a Missa? É a lembrança dos últimos fatos da vida de Jesus. São Paulo em (1Cor 11,24s) e são Lucas 24,27-32, nos dizem que: "Ele tomou o pão", "tomou o vinho", e interpretou com suas palavras, o que as Escrituras diziam Dele. A Missa é celebrada a partir dessas realidades. Jesus veio ao mundo para quê? Para restabelecer a Aliança entre Deus e a humanidade, para colocar na prática o seu Projeto, instituído desde Abraão.

A Missa além de ser um encontro com Deus e com os irmãos, é a celebração da última Ceia de Jesus com seus discípulos, portanto é uma festa, e como tal tem que ser bem preparada.

Jesus, segundo Lucas 22,7-13, mandou os discípulos prepararem a sua Páscoa com antecedência.  Nós também, iniciamos os preparativos para a missa, geralmente uma semana antes. Alguém encomenda as flores, outros limpam a Igreja, outros preparam a liturgia, alguém cuida dos objetos litúrgicos, do vinho, das partículas e da Hóstia. Alguém cuida do altar, que deve(segundo a instrução nº 79 da introdução do Missal usado pelo padre) estar coberto com uma toalha, e sobre ele ou ao seu redor, pelo menos dois castiçais com velas acesas. Quando a celebração for pelo Bispo, as velas serão sete. Deve ter também uma cruz perto dele. Os castiçais e a cruz devem ser trazidas na procissão de entrada. Pode-se colocar também sobre o altar a Bíblia (A liturgia da Missa, Alberto Beckhauser, Vozes, 1988, p.18).

OBJETOS LITÚRGICOS, Usados durante a missa e em outros momentos celebrativos:

a) O cálice: é um costume judaico. É uma peça(geralmente de metal dourado) onde o sacerdote consagra o sangue de Cristo.

b) Patena: é uma peça(também dourada), em forma de pires, que recebe a hóstia sobre o altar, para ser consagrada na Missa. Quando a comunhão for dada diretamente na boca, usa-se a patena sob o queixo, por precaução.

c) Pala: Cobertura quadrangular, feita de linho branco, para cobrir o cálice(seu uso é facultativo).

d) Corporal: Pano de linho branco (ou cãnhamo), com uma cruz no centro, para ser colocado sobre ele o corpo de Jesus. Há um modo certo para dobrar-se o corporal, que é dividido em três partes. Dobra-se primeiro a parte da frente(para cobrir qualquer partícula que tenha ficado), depois a de trás, em seguida a do lado direito e por último a do lado esquerdo.

e)  Cibório/Âmbula/Pixide: Um pouco maior que o cálice, mas quase com a mesma forma, só que com tampa para a conservação das partículas. Geralmente é também dourada. É chamada de âmbula porque nela se levava o Santíssimo, e de Pixide porque era por vezes em forma de caixinha.

f) Teca: Caixinha sagrada onde se leva as partículas aos doentes.

g) Ostensório/Custódia: Objeto cultual(dourado), para exposição solene do Santíssimo Sacramento. Geralmente usado na procissão de Corpus Christy, ou em festas solenes.

h) Galhetas: Duas jarrinhas, geralmente de cristal, vidro ou metal. Numa é colocado o vinho e na outra a água. As galhetas devem ser levadas na procissão do ofertório. É chamado pratinho o recipiente que sustenta as galhetas.

i) A água para a purificação das mãos do sacerdote ou de quem vai distribuir a comunhão:  Deve estar em outro recipiente. Nunca se deve distribuir a comunhão sem antes lavar os dedos. É uma forma de higiene e um símbolo de purificação.

j) Bacia: Usada com jarro nas purificações litúrgicas. Pode ser usada para purificar as mãos do sacerdote, em missas solenes, (em tamanho menor), e na missa do lava pés (em tamanho maior).

k) Manustérgio: Costume judaico. Qualquer toalha, grande ou pequena, usada na purificação das mãos, antes , durante ou depois da missa, ou em outra celebração litúrgica.

l) Bursa: Uma bolsa quadrangular para colocar o corporal. É pouco usada, mas não foi abolida.

m) Véu de cálice: Um pano(de preferência branco) para cobrir o cálice da missa quando não está sendo usado.

n) Véu de cibório: Capinha (de preferência de seda branca), muitas vezes ricamente bordada, que envolve todo o cibório. É sinal de respeito e reverência ao Santíssimo.

o) Turíbulo: (Incenso e símbolo de fumaça é costume judaico).Vaso de metal ou prata, com um depósito para brasas, uma tampa com furos e correntes. Usa-se em celebrações solenes, ou na Bíblia antes de ser lida. É um costume judaico. A fumaça do incenso para este povo, simbolizava um recado deles para Deus.

p) Naveta: Peça em forma de naviozinho, com uma colherinha. É o depósito do incenso.

q) Cruz processional: Cruz com haste longa, levada na procissão de entrada na missa.

r) Aspersório/Aspergil: tubo de metal com vários furos. É colocado na caldeirinha com água benta e aspergido no povo, por ocasião de uma bênção especial.

s) Credência: Mesinha colocada no presbitério, ao lado do altar. É onde se colocam os objetos litúrgicos a serem usados na Missa.

t) Púlpito/Ambão: Tribuna para o pregador e o comentarista. Pode ser de alvenaria ou madeira. Geralmente há dois no presbitério: Um onde fica permanentemente a Bíblia, para ser lida durante a missa, e o outro para o comentarista . Os nossos irmãos evangélicos só fazem a homilia no púlpito.

u) Acólito/ Coroinha: é a pessoa(ou pessoas) que acompanha e serve o celebrante durante a missa.

v) Presbitério: Local considerado Sagrado no interior da Igreja. Fica geralmente num plano mais elevado. Esta também é uma tradição judaica do Santo dos Santos. É o local onde o sacerdote ou ministros junto com seus acólitos permanecem durante toda a missa. Compõe-se do altar, a credência, os púlpitos, o Sacrário, e a luz permanente do Santíssimo.

x) Campainha/Carrilhão: Objeto de metal, composto por um sino(campainha) ou vários sinos (carrilhão), tocados antes da Consagração, quando o sacerdote impõe as mãos para as oferendas, na elevação da hóstia e do cálice. É também o momento solene para ajoelhar-se. No Tríduo Sacro, usa-se a matraca, instrumento de madeira que faz um barulho surdo.

w) Círio Pascal: Uma grande vela enfeitada com as letras Alfa e Ômega (primeira e última letra do alfabeto grego), a cruz com os grãos de incenso, representando as cinco chagas de Cristo e a data do ano. É usado na bênção do fogo, no Sábado de aleluia (Sábado Santo) e no anúncio da Páscoa na vigília pascal. Fica permanentemente aceso no presbitério durante todo o tempo pascal. Após Pentecostes, é retirado e levado para o batistério, para ser usado em todas as celebrações do batismo.

y)  Sacrário/Tabernáculo: Pequeno armário de metal, alvenaria ou madeira, artisticamente ornado. Geralmente é colocada no presbitério. Nele são guardadas as partículas consagradas para a comunhão. É uma herança judaica. No tabernáculo judeu era guardada a Arca da aliança, o elo entre Deus e os homens.

z)  A santa reserva: São as partículas consagradas conservadas no Sacrário, a quem os fiéis ao passarem diante do altar curvam-se em sinal de respeito. São usadas nas celebrações realizadas pelos diáconos, onde não há Consagração.

a)  Lâmpada do Santíssimo/Lamparina:  Costume judaico. Ela nos lembra a presença constante do Cristo ressuscitado no meio de nós. É a luz (geralmente vermelha) que nunca se apaga. Pode ser lamparina de óleo, vela, ou lâmpada elétrica, embora a Igreja ache que com a luz elétrica perde-se um pouco da simbologia sagrada.

b)  Conopeu: costume judaico. Cortina que em geral pende diante da porta do tabernáculo. Não é obrigatório quando a porta for cheia de desenhos artísticos. Mas, com a cortina, o seu significado litúrgico é maior.

c) Piscina/Sacrário: Fica na sacristia. É um sumidouro para a água. Serve para a lavagem dos vasos sagrados que foram usados na Missa, e para uma pré-lavagem dos panos litúrgicos usados também durante a missa.

Vestes Litúrgicas

a) A alva: Costume judaico. Uma túnica branca usada pelos sacerdotes e ministros por ocasião das celebrações litúrgicas. Geralmente são amarradas na cintura por um cíngulo (cordão).

b) Casula: Capa usada pelo sacerdote, sobre a alva e a estola. Somente é permitida ao sacerdote. Ela é símbolo do Sacramento da Ordem. Não é obrigatório o uso da casula nas celebrações das Missas. A CNBB, na XII assembléia Geral de 1971, aprovou a substituição da casula pela alva com a estola da cor do tempo litúrgico. O sacerdote a usa somente em missas solenes.

c) Estola: Paramento litúrgico em forma de tira, colocado em volta do pescoço nos bispos e sacerdotes, e em diagonal no ombro esquerdo para os diáconos.

As cores dos Paramentos

a) Os paramentos devem ser sóbrios e sem muitos enfeites. Os ornatos devem ser figuras, imagens ou símbolos que indiquem o Sagrado. As diferentes cores litúrgicas visam manifestar externamente o caráter dos mistérios celebrados e também a consciência dos vários tempos do Calendário litúrgico. Observam-se as cores, pela toalha do altar e a estola usada pelo celebrante.

b) O branco (ou prata): Simboliza alegria, vida, felicidade, por isso é usado no tempo pascal, no Natal, festas de memória (exceto na paixão), nas festas à Virgem Maria, dos anjos, dos santos não mártires, na festa de todos os santos, casamentos, batizados.

c) O vermelho: Simboliza e lembra o sangue e o fogo. É usado no Domingo da Paixão e de Ramos, na Sexta-feira Santa, nas festas dos apóstolos e evangelistas, nas festas do Espírito Santo e dos Santos mártires.

d) O verde: Está ligado ao crescimento espiritual e a esperança. É usado nos ofícios e missas do Tempo comum.

e) O roxo: Lembra a seriedade e a penitência. É usado no tempo do Advento e da Quaresma e em missas pelos defuntos.

f) O preto: É sinal de tristeza e luto. Pode ser usado nas missas pelos defuntos.

g) O rosa: Pode ser usado no 3º Domingo do Advento e no 4º Domingo da Quaresma.

Os Livros Litúrgicos

A liturgia não se encontra em livros, ela é uma ação da comunidade. Porém os ritos (como se deve agir) estão distribuídos de várias formas:

- O Missal - O livro do Presidente da celebração. 

- Os Lecionários -  Onde são proclamados os diversos textos bíblicos usados na liturgia nos anos A .B. C. É  chamado, Lecionário dominical-festivo.  Existe também o Lecionário ferial, para as missas do dia da semana.  Há também o Lecionário Santoral, para as festas dos Santos. 

- Rituais dos Sacramentos: Livro usado na preparação e celebração dos Sacramentos.  Rituais da profissão religiosa.  Rituais da consagração das virgens.  Rituais de um abade ou Abadessa. 

O Pontifical: É o livro usado pelo Bispo no rito das ordenações, da Crisma, na dedicação das Igrejas e altares. 

O Gradual: É um livro que contém os cantos da missa. - O Antifonal: contém o canto da liturgia das horas.

Os dias considerados Litúrgicos

O dia litúrgico é contado da meia-noite à meia-noite. Contudo, algumas solenidades são consideradas a partir da véspera, é o caso da missa do Domingo que pode ser celebrada Sábado à tarde, e a missa da ressurreição Sábado à noite. O Domingo é considerado por excelência na tradição apostólica, o dia do Senhor. É o dia da ressurreição de Jesus Cristo, portanto, o nosso dia litúrgico.

Como devemos nos comportar ao chegarmos à Igreja?

- Ao entrar, fazer uma genuflexão (uma reverência, baixando o joelho direito até o chão com o sinal da cruz), ou benzer-se com água benta.

- Antes do início da missa, faça uma breve oração preparando-se para o encontro com o Senhor.

- Durante a missa fique atento aos momentos de levantar, ajoelhar e sentar. Não porque seja uma obrigação, ou porque os outros inventaram este costume, mas porque são atitudes adequadas para as diferentes partes da missa.

- Não se distraia, não converse e nem dê risadas. Se precisar, fale baixinho. Adote dentro da Igreja uma atitude de respeito, veneração e amor filial, pois você está na casa do Pai. Deus quer ver sinceridade em nossos corações e não apenas um ritual exterior.

Freqüentar e participar da Missa todos os domingos e comportar-se adequadamente não é, por si só, religião. Contudo, não se entende um verdadeiro católico sem estas atitudes. Vamos conhecer com detalhes as 18 partes da missa.

Partes da Missa:

1ª). ACOLHIDA (entrada):  De pé. Há uma procissão de entrada, que simboliza a caminhada do povo para perto de Deus. É a lembrança da caminhada do povo no deserto em busca da Terra Prometida. Ao mesmo tempo em que o celebrante, os acólitos e ministros entram em procissão, canta-se um hino com a finalidade de abrir a celebração, promover a união da assembléia, criando um clima de união e oração. É a alegria por estarem todos reunidos, louvando o mesmo Deus. Chegando ao presbitério, o celebrante saúda a assembléia e dá boas vindas a todos os irmãos. Todos fazem o sinal da cruz, expressando a presença da Trindade.

2ª) ATO PENITENCIAL (continuamos de pé): O sentido do Ato Penitencial, como o próprio nome diz, é o de pedir perdão a Deus pelos nossos pecados. Não podemos participar bem de uma celebração, se não estivermos em paz com Deus e com os irmãos. É hora de nos colocarmos diante do Pai numa atitude de humildade, percebendo que tudo que somos e temos é pela sua graça. É opcional, mas, antes do ato penitencial o celebrante pode aspergir água benta sobre os fiéis. Este rito lembra a aliança batismal que se renova em cada celebração Eucarística.

3ª) O GLÓRIA (continuamos de pé): Agora já nos sentimos perdoados e em paz, vamos portanto dar Glória a Deus por isso. O Glória é um Hino, um Salmo antiqüíssimo composto pela Igreja do Oriente. Era um cântico da oração matinal. Foi usado pela Igreja do Ocidente, por ocasião do Natal, Por causa de suas primeiras palavras, "Glória a Deus nas alturas..." mas depois estendeu-se á todas as missas. No início só era permitido ser cantado pelo Bispo, depois os sacerdotes e hoje todos os fiéis o entoam nas missas dominicais, exceto no Tempo do Advento e na Quaresma. Foi venerado pelos cristãos primitivos do Oriente e do Ocidente, podendo ser entoado na forma de reza ou de canto.

4ª) LITURGIA DA PALAVRA (Agora podemos sentar): Em todas as missas, são lidos quatro trechos da Bíblia:

- Um texto do antigo Testamento (costume judaico). 

- Um texto de uma carta apostólica. 

- Um Salmo

- Um texto de um dos três evangelhos Sinóticos (Mateus, Marcos, e Lucas) com Palavras de Jesus Cristo. O evangelho de João é lido na Quaresma e no Tempo da Páscoa. 

É através destas quatro leituras que Deus fala ao seu povo, revela os seus mistérios da Redenção e Salvação e oferece o alimento espiritual que é a sua Palavra.

A Igreja possui dois esquemas de Leituras: o da liturgia dominical, e a dos dias da semana. Na liturgia dominical e festiva, há os tempos fortes e o Tempo comum. Nos tempos forte, as leituras são escolhidas conforme os mistérios celebrados e o Tempo litúrgico. No Tempo comum, são proclamados os três evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas) - num ciclo de três anos. · Ano A => Mateus,  Ano B => Marcos (insere-se João 6),  Ano C => Lucas. 

Observação: A Igreja dá preferência que sejam lidos todos os textos bíblicos na própria Bíblia. Por isso deve-se levar em procissão o Livro Sagrado e colocado sobre o altar. Ele é a presença de Deus, de Jesus Cristo e do Espírito santo no meio dos fiéis. Ele deve ser incensado e beijado pelo celebrante.

Função dos Leitores

A primeira e segunda leituras, qualquer um dos fiéis pode fazer. O evangelho fica a cargo do celebrante. Os irmãos que vão participar das leituras, devem ter uma preparação prévia:

a) Espiritual: Meditar o texto várias vezes antes de lê-lo na Missa.

b)  Moral:  Tornar-se merecedor do privilégio, procurando viver o seu conteúdo.

c)  Técnica: Ter boa articulação (pronunciar bem as palavras para que todos entendam),  saber usar microfone, saber usar a voz. Cabe a equipe litúrgica da comunidade tomar estas providências.

5ª) ACLAMAÇÃO DO EVANGELHO (agora devemos ficar de pé): A primeira e Segunda leituras da Bíblia, ouvimos sentados, para prestarmos muita atenção no que vamos ouvir em seguida e poder ligar ao que Jesus Cristo vai nos falar pelo evangelho.

Adendo: sempre no início da leitura do Evangelho, o celebrante diz: "Evangelho de Jesus Cristo, segundo...(ele cita o evangelista do tempo). Imediatamente fazemos três cruzes em nosso corpo que possuem os seguintes significados:

- A cruz na testa: significa que tudo o que agora vou ouvir deve permanecer em minha mente.

- A cruz na boca: para que eu possa anunciar a tua Palavra aos outros.

- A cruz no coração: além de anunciar-te, que o teu evangelho permaneça em meu coração para sempre.

A Proclamação do Evangelho e a Homilia, são pontos fortes da Missa. Pode ser incensada a Bíblia antes da leitura. A Homilia católica é diferente da Pregação ou Sermão. A Palavra Homilia, vem do grego e significa: conversa familiar, conversa informal sobre um assunto. Ela não constitui uma aula de exegese de Teologia ou moral. Ela uma conversa íntima sobre o a Palavra de Deus e a vida da comunidade. Pela Homilia o celebrante evoca os benefícios de Deus em favor do povo. Desperta a fé, o compromisso e a esperança, ajudando a todos a tomarem atitudes de conversão. A Homilia serve para animar, dar esperança, e conscientizar, mostrando a todos a distância existente entre "O Projeto de Deus" e o Projeto do mundo. A Homilia evoca os benefícios de Deus para a humanidade pela fé em Jesus Cristo, por esta razão reza-se o "Ato de fé" em seguida.

6ª) PROFISSÃO DE FÉ (Vamos ficar de pé?): "O Creio", "O ato de fé", "Profissão de fé", "Credo", é uma oração que a comunidade reza junta após a Homilia. No Missal Romano, há a seguinte explicação, porque rezar o Credo após a Homilia: "ele é o símbolo ou profissão de fé, na celebração da Missa, tendo por objetivo levar ao povo a dizer sim a Palavra de Deus ouvida nas leituras e na Homilia, bem como recordar-lhes a regra de fé antes do início da celebração Eucarística"(n.43).

A forma mais comum de profissão de fé na Missa é o chamado símbolo Niceno,(foi adotado no 1º Concílio Oficial da Igreja, no ano 325, em Nicéia, convocado pelo Imperador Constantino e o Papa Silvester I. Após o término do Concílio foi lançado um documento chamado: " Símbolo de Nicéia" ou "o Credo".) que diz: creio em um só Deus e num só senhor Jesus Cristo... 56 anos depois, no ano 381, na cidade de Constantinopla, foi acrescentado as últimas palavras deste Credo, no II Concílio dos cristãos.

O outro "Credo", veio pelos cristãos que se converteram através dos apóstolos. Supõe-se que sua elaboração se deu no II século da nossa Era, portanto anterior ao de Nicéia. É chamado de: "o símbolo dos apóstolos". Creio em Deus Pai todo poderoso... era rezado pelos primeiros cristãos na liturgia batismal e nas devoções populares, inclusive antes de se rezar o rosário.

No Brasil, após o Vaticano II, foi adotado permanentemente o ato de fé dos apóstolos. É o Credo rezado em quase todas as missas, com algumas exceções, onde se reza o Credo constantinopolitano.

7ª) PRECES DA COMUNIDADE (Podemos sentar): Já ouvimos o que Jesus Cristo quer de nós, pela Homilia, já professamos no que cremos, agora chegou o momento de rezarmos uns pelos outros, de pedirmos a Deus para que nos ajude na resolução dos problemas e necessidades de todos. Podemos também agradecer e louvar pelas graças recebidas, não precisa ser só de intercessão. Por isso todos respondem: Senhor, escutai a nossa prece.

O Concílio Vaticano II, adverte que seria importante, que as comunidades na oração dos fiéis se inspirassem na Palavra de Deus proclamada e na caminhada da Igreja local e de todo o mundo.

8ª) APRESENTAÇÃO DAS OFERTAS(OFERTÓRIO) (Continuamos sentados): Este é o momento de ofertarmos a Deus o que somos e o que temos, em agradecimento pelas graças recebidas durante a semana. O celebrante oferece o pão e o vinho; o povo oferece o fruto do seu trabalho ou objetos que os simbolizem. Normalmente há uma procissão das ofertas.

Para entender melhor o sentido das oferendas, é necessário compreender o simbolismo da ceia fraterna celebrada pelos primeiros cristãos, e ceia fraterna ou agape (ágape), é o mesmo que confraternização entre amigos hoje. Pode significar: uma festa, um encontro entre amigos, uma comemoração, uma homenagem, uma confraternização, ou até mesmo um cafezinho. A ceia fraterna na Missa, é isso, comer e beber juntos no Senhor, tendo o seu corpo e o seu sangue como alimentos.

Tudo o que dissemos sobre a ceia fraterna em nosso meio social, podemos aplicar à  Missa. Participar bem da Missa exige: a presença, o aconchego, o receber bem, a ação em comum, um convívio no Senhor. A Missa constitui o Banquete do Reino para o qual todos são convidados. O pão e o vinho simbolizam a vida do ser humano, aquilo que ele é: sua vida, sua existência como Dom de Deus. Significa também o que ele faz. Ninguém vai colher pão na roça ou buscar vinho na fonte. Eles são frutos de um trabalho árduo, criativo e de muita dedicação.

O pão e o vinho a partir da última Ceia, receberam mais um significado, que dá sentido aos outros mencionados. Significam, o corpo e o sangue de Cristo. Evoca o mistério pascal da morte e ressurreição de Cristo. Ele com seu gesto, deu novamente valor e sentido ao trabalho do ser humano. Por isso, neste momento o celebrante diz: " Bendito sejais Senhor, Deus do Universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos, e que para nós vai se tornar o pão da vida".

O acontecimento da última Ceia de Jesus com seus discípulos é tão importante para os cristãos, que no Novo Testamento ela aparece de forma diferente por 5 vezes.

1. Mt 26,26-28.  2. Mc 14,22-24.  3. Lc 22,19-20.  4. Jo 13,2s.  5. 1Cor 11,23-25.

Por que colocar algumas gotas de água no vinho?

É um costume que herdamos dos judeus. Eles em suas refeições não tomavam o vinho puro mas, misturado com água. Assim Jesus também na última Ceia também deve ter usado o vinho misturado com água. Na missa é recordado este momento da Ceia do Senhor. O sacerdote coloca a água no vinho, dizendo baixinho: "Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade". Neste caso o vinho representa Jesus Cristo e a água somos nós. Estamos diante de um momento muito importante da Missa, o qual vai nos preparar para a liturgia Eucarística, por isso o padre nos convida a rezar juntos: ele diz: Orai irmãos...

(é hora de levantar)... para rezarmos juntos. Aqui se encerra o rito de preparação para as oferendas. Chegamos ao "coração da Missa".

9ª) ORAÇÃO EUCARÍSTICA(CONSAGRAÇÃO) (Podemos ficar ajoelhados ou de pé): É o mistério Pascal de Cristo. O termo Oração Eucarística, vem de Eucaristia, é o mesmo que dar graças, é a tradução da palavra hebraica berakah. Para entendermos o que significa Berakah para o judeu, podemos ler Gn 24, que é uma Oração Eucarística.

Neste texto temos uma bênção, uma berakah, um benefício, uma graça alcançada, a manifestação da bondade de Deus. Os primeiros cristãos, traduziram a palavra berakah do hebraico para o grego, ficando euloguia. É uma palavra composta: Eu = belo, bom, boa. Loguia = vem de logos, e quer dizer, palavra. Euloguia significa, dizer bem ou bemdizer/louvar. Em português temos uma palavra que vem de Euloguia, é elogio, falar bem de alguém. (p. 62, a liturgia da Missa, Alberto Beckhauser, Vozes1988).

Berakah também foi traduzida para eucharistia, palavra composta de : Eu = bom, belo, boa. Charis = graça, dom, beleza. Eucaristia significa portanto, agradecimento pelos dons recebidos.

A oração Eucarística constitui o momento mais solene da Missa.

O dar graças foi ponto forte, na páscoa israelita, na páscoa de Jesus, na Igreja Primitiva e em nossas comunidades hoje. Quando Jesus diz: " fazei isto em memória de mim..." significa que assim como o povo judeu celebra a sua páscoa como um rito perpétuo deixado por Deus, assim também os cristãos possuem um memorial perpétuo deixado por Jesus Cristo.

Não deve haver música de fundo durante a Oração Eucarística, pois as palavras do sacerdote devem ser bem ouvidas. Na elevação da hóstia e do cálice, a Igreja deve permanecer no mais completo silêncio. É permitido apenas o som do carrilhão ou sino. Segundo o Direito Canônico, é reprovável dizer em voz alta: meu Senhor e meu Deus! Pode-se dizer na mente e no coração, mas nunca em voz alta.(Alberto B. p.. 84).

Se o espaço for pequeno ou a pessoa estiver impossibilitada de ajoelhar-se, deve fazer uma inclinação profunda na elevação da hóstia e do cálice. É aconselhável que o Santo, a aclamação depois da consagração e o amém, sejam sempre cantados.

10ª) O ABRAÇO DA PAZ (Se estivermos sentados, vamos levantar): É o momento da confraternização entre os irmãos presentes nesta eucaristia, é a preparação para a comunhão. É um momento de alegria.

11ª) CORDEIRO DE DEUS (Continuamos de pé): Mais uma herança judaica. No antigo Testamento oferecia-se o sacrifício de um cordeiro a cada vez que se queria pedir perdão pelos pecados. Jesus dispensou seus discípulos deste ritual, porque Ele se deu por nós. Ele foi o cordeiro imolado por nossos pecados. Por isso repetimos 3 vezes... antes de comungarmos: "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo..." pedimos emprestado as palavras do profeta João Batista(Jo 1,29).

12ª) CHAMADOS Á COMUNHÃO (Podemos ficar sentados até irmos á fila da comunhão): A oração do Pai Nosso está dentro do rito da comunhão. Ela é a transição da Oração Eucarística para a comunhão. Ele deve ser cantado pelo povo. Esta oração expressa a vocação integral do homem em seus quatro momentos de relacionamentos: Com Deus.  Com a natureza.  Com o próximo.  Consigo mesmo.

13ª) RITO DA PAZ: Terminada a oração do Pai-Nosso, devemos rezar pela paz no mundo. Agora todos se cumprimentam. Segundo a CNBB, este é um gesto simbólico. Pode ser um aperto de mão, pode ser um abraço, pode ser um beijo na face. Quem cumprimenta não deve sair do seu lugar. Sair do lugar distrai para o momento que vem a seguir.

14ª) FRAÇÃO DO PÃO/ CORDEIRO DE DEUS: Significa que, "Mesmo sendo muitos, pela comunhão nos tornamos um em Cristo". O canto "o cordeiro de Deus", é que acompanha a fração do pão eucarístico. Deve ser entoado, recitado ou cantado pelos fiéis. Não é função do sacerdote iniciar o cordeiro de Deus.

Por que colocar um pedacinho da hóstia no cálice? Este momento da missa passa despercebido por muitos. Depois de partir o pão sobre a patena, o sacerdote coloca uma parte da hóstia dentro do cálice de vinho, rezando em silêncio: Esta união do corpo e do sangue de Jesus, o Cristo e Senhor nosso, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna". Qual é o sentido de tudo isso?

1- Simboliza a UNIÃO E A PAZ(Tradição da Igreja do Oriente)

2- Simboliza a união das espécies consagradas. O corpo e o sangue de Jesus Cristo formam uma unidade transformando-se no corpo vivo e glorioso (Tradição da Igreja do Ocidente).

Chegou o momento onde o sacerdote convida a todos a chegarem á mesa da comunhão. "Felizes os convidados...

15ª) COMUNHÃO: Os ministros que vão distribuir a comunhão devem lavar as mãos e comungarem antes. Ao comungar, o cristão nunca pode esquecer de dizer Amém. Esta fórmula deve ser bem valorizada. O Amém é uma profissão de fé em Jesus Cristo, presente na Eucaristia. O Amém é um compromisso com Cristo e com a comunidade.

Como receber a comunhão?  Pode ser na boca ou nas mãos. Jesus distribuiu o pão em sua última ceia com as mãos, portanto relembra-se o gesto de Jesus. Não se pode levar a partícula á boca com as mãos, mas usar os dedos da mão direita para isso. Quando se comunga nas duas espécies, o sacerdote segura o cálice para que seja mergulhada a partícula no vinho; ou, se a comunidade for pequena, o sacerdote antes diz: "Eis aqui o corpo e o sangue de Cristo". O cálice e as partículas são colocadas sobre o altar, e cada um comunga sozinho.

Não se pode cantar qualquer canto na comunhão. O momento é de introspecção, de silêncio. O melhor seria apenas música instrumental de fundo, pois as pessoas após a comunhão devem conversar com o Senhor, e para isso o silêncio favorece. O canto não precisa ser em toda a comunhão e deve ser cantado bem baixinho, com uma alegria contida, que expresse comunhão no amor de Cristo, nunca alto ou gesticulando.

16ª) AÇÃO DE GRAÇAS/ VIVÊNCIA (Continuemos sentados): Após a comunhão deve-se fazer silêncio. O sacerdote se recolhe atrás do altar, permanecendo alguns momentos de interiorização. É o momento também onde cada um dos fiéis, em silêncio, deixa que Jesus fale em seu coração. Cada cristão neste momento, vai recordar o que viveu na Missa, o que tem para agradecer, e o que está levando para casa, para colocar em prática durante a semana que se inicia. Uma música suave pode ser entoada. Um canto de louvor, de agradecimento. Pode-se também fazer uma oração. A oração após a comunhão, é o momento onde termina as orações individuais e volta-se a oração comunitária. O padre levanta-se e diz: Oremos...

(de pé) acompanhamos a oração do sacerdote. Nela ele encerra o rito da comunhão.

17ª) BÊNÇÃO FINAL: Possuímos três tipos de bênçãos:

1. A bênção simples: abençoe-vos o Deus todo Poderoso...

2. A bênção sobre o povo, onde o sacerdote ou o diácono pode convidar o povo a inclinar-se para recebê-la. O sacerdote reza uma oração com as mãos estendidas sobre o povo, a que todos respondem , Amém; e segue a bênção comum.

3. A bênção solene, usada sobretudo nos tempos fortes, nas solenidades e em Missas rituais.

18ª) DESPEDIDA: Qual a riqueza da despedida? O envio. A cada final da missa, os cristãos são novamente enviados em missão. A missão de levar a paz, de levar o Senhor ao próximo, e de transformar sua vida numa ação de graças. Este momento não é uma mera despedida apressada, mas um novo envio para realizar a missão de cristão no mundo.

Conforme André Jungmann, um grande liturgista inglês, a palavra Missa vem de Missio (missão) ou demissio (demissão, despedida). Isto significa que, é na despedida que recebemos a grande missão de Jesus para durante a nova semana que se inicia colocarmos em prática o que aprendemos Dele na Missa. (p.101-106, Alberto Beckhauser).

A Missa terminou, ou melhor, A Missa continua, porque ela não é um ato isolado na vida do cristão. Durante a semana cada um vai tentar viver no seu cotidiano o Mistério de Cristo na sua própria vida. Tentar viver a união com seus irmãos através da ajuda mútua, de uma vida de caridade e fraternidade. Tentar alimentar sua fé em Cristo, através da oração e da luta contra as tentações e o pecado.