A MULHER NA BÍBLIA, NA IGREJA E NA SOCIEDADE

             É por demais importante quando se fala na mulher, quer seja na sociedade bíblica, na Igreja ou sua atuação hoje, não nos esquecendo que a presença feminina em qualquer situação muda o ambiente; ela irradia feminilidade, leveza, cor, perfume, com seus dons diferentes e exclusivos (dados por Deus), vê detalhes que jamais seriam observados pelos homens; portanto, a mulher consegue espalhar beleza, ternura e amor onde quer que se encontre.

 Quando nos referimos a importância da mulher no Livro Sagrado, tal fato remonta desde os patriarcas até as comunidades de São João, no final do primeiro século. Aqui não vamos nos deter no lado negativo que pairou sobre as mulheres (é certo que existiu, por parte da sociedade centrada no homem).

Com algumas exceções, vemos que as histórias da Bíblia são narradas somente por uma perspectiva masculina. Elas giram em torno de homens, e as mulheres aparecem como complementos de algum deles (marido, pai, filho, etc., geralmente elas entram em cena como figurantes), mas não pelo que elas contribuíram verdadeiramente para o avanço da sociedade, costumes e tradições de cada povo.

Se falarmos sobre sua religiosidade e espiritualidade, sua contribuição na Bíblia, mesmo que em minoria, foi intensa, isso, através de histórias protagonizadas por elas em que se vê bem claro a preferência do Criador pelos pequenos, fracos e marginalizados preconizados nelas.

Diversas foram as mulheres que tiveram grande importância no cenário bíblico, entre elas as esposas dos patriarcas:

v     Sara => esposa de Abraão, mãe de Isaac, o antecessor do povo judeu. Foi considerada a ancestral de Israel (Is 51,2). Foi modelo de fé, uma mulher santa, esposa exemplar e muito bela (1Pd 3,6).

v     Agar, mulher egípcia, escrava de Sara (a quem ela ofereceu para que, por intermédio dela, seu marido tivesse um filho). Foi mãe de Ismael, o ancestral do povo árabe. Mesmo desamparada por Sara e Abraão, Deus nunca a deixou sozinha a mercê do seu destino, enviou um anjo para confortá-la. (Gn 21,15-19)

v     Rebeca, filha de Batuel, esposa de Isaac e sobrinha de Abraão (Gn 24,12-67). Foi a mãe dos gêmeos Esaú e Jacó (Gn 25,21-24). Preocupada com o futuro de Israel, ela se rebela contra a lei da primogenitura, impondo sua preferência e ajudando seu filho Jacó a liderar o povo judeu.

v     Raquel, filha de Labão (irmão de Rebeca), esposa predileta de Jacó (Gn 29,6-30). Dentre suas quatro mulheres, foi à única amada por ele. Sua contribuição na tradição patriarcal foi célebre. Teve dois filhos que se destacaram entre o povo de Israel: José e Benjamim.

v     Rute, moça moabita, mãe de Obed, o avô do rei Davi, personifica (como das outras vezes) a mulher desprezada e excluída pela sociedade, mas não esquecida por Deus em momento algum.

v     Débora, profetiza e juíza, foi chamada de “mãe de Israel” (Jz 5,7). Foi esposa de Lapidot. Mulher iluminada pelo Espírito de Deus; todos vinham até ela para aconselhar-se e julgar seus negócios, sua vida doméstica e religiosa.

v     Raab, prostituta em Jericó, foi aclamada como mulher temente a Deus por causa de sua fé (Hb11,31) e obras (Tg 2,25). Ela arriscou sua vida recebendo e escondendo em sua casa os espiões de Israel, salvando-os da morte (Jos 2). Figura na genealogia de Jesus como mãe de Booz, esposo de Rute.

v     Finalmente Tamar, que também consta na genealogia de Jesus. Ela se revelou como uma mulher de coragem, extraordinária para o seu tempo. Mesmo submissa ao masculino, consegue perseverar a fé no Deus único, ser ardilosa, contestadora, sem medo de lutar pelos seus direitos e pela preservação do seu povo, sabendo que Deus em todo o tempo estava com ela.

 A mulher na Igreja

Nas comunidades dos apóstolos uma mulher em especial se destaca entre todas as outras, falo de Nossa Senhora que desde a entrega por seu filho a João, na cruz, até sua presença no cenáculo, se dedicou inteiramente a cada um deles, como mãe, como orientadora nas orações, no comando feminino da organização familiar, na sensibilidade e responsabilidade com a evangelização, na devoção e no amor a Deus e a todos eles. Maria merece o título honroso que implicitamente recebeu de São João como “Rainha dos apóstolos” (Ap 12,1) continuando até hoje tal reconhecimento por parte de todos nós.

 Também nas comunidades de Paulo a presença das mulheres é por demais marcante, mesmo que nos pareça que alguns de seus escritos digam o contrário (não podemos, porém, nos esquecer que ele estava inserido numa cultura radicalmente diferente da nossa). Nessa época (metade do primeiro século), muita mulheres (como hoje) eram chefes de família, como por exemplo, Lídia (At 16,11-40), que resolve dedicar sua vida ao Senhor, encontra Paulo e convida-o gentilmente para hospedar-se em sua casa e levar o Evangelho a todos.

Ninfa foi outra mulher que fez de sua casa “uma Igreja” (Col 4,15). A partir desse texto percebemos que essa mulher era a chefe de família, independente em suas ações como também uma grande líder da Igreja doméstica de Laudicéia.

Dezenas de outras mulheres importantes encontram-se em toda Bíblia Em algumas situações só pela interferência feminina foi possível mudar a sociedade convencional numa mais humana e igualitária, mesmo que na literatura interpretativa do Antigo e Novo testamentos, as mulheres mais do que os homens tenham sido relegadas a uma maior obscuridade.

A mulher hoje

No contexto atual, a mulher é co-autora de tudo e sem ela a sociedade não existiria. Este foi o pensamento de Sua Santidade João Paulo II em sua Encíclica "Dignidade da mulher", na qual exorta-a a conquistar novos espaços de igualdade. "A mulher muitas vezes ficou calada, olhando de longe o homem conquistar todas as áreas de batalha, apesar de estar lado a lado com o ele. Ela tem consciência de que sua participação é importante nas lutas, nas comunidades, sindicatos e na política, para criar um mundo mais humano e mais fraterno"

A mulher na sociedade de hoje empenha-se lado a lado com os homens, de igual para igual (na intelectualidade). Já foi provado cientificamente que a mulher é dotada de uma inteligência igual à do homem e que está capacitada a desempenhar muitas das funções tidas como exclusivas dele.

A mulher de hoje não recebe informações de terceiros, mas vai a luta pelos esclarecimentos ligados a conscientização e fortalecimento dos valores éticos, da educação e cultura, da saúde e trabalho, por uma política decente e justa, como também no âmbito religioso, ela defende os direitos e deveres do ecumenismo (tão valorizados por João Paulo II), em que todos possam viver em harmonia, como o próprio Jesus nos pede: que todos sejam um...(Jo 17,21).

Além disso, não podemos deixar de perceber que mesmo atuando como filhas, esposas, mães e donas-de-casa, e mesmo desenvolvendo muitas vezes jornada de trabalho dupla ou até mesmo tripla, conseguem desempenhar muito bem o seu papel como empresárias, estudantes, profissionais liberais, escritoras, jornalistas, esportistas, artistas, enfim, são parte essencial da engrenagem que move qualquer sociedade no mundo.

Concluindo a nossa reflexão sobre o papel da mulher na Bíblia, na Igreja e na sociedade, vimos que em toda Bíblia elas exerceram importantes papéis, como também nas  atividades eclesiais, servindo na igreja como discípulas, diaconisas, missionárias, profetisas, etc. Diante de tantos exemplos, é impossível negarmos o chamado e a unção das mulheres ao chamado do Senhor, inclusive, continuando em nossos dias. Acredito que mesmo que não houvesse nenhuma citação na Bíblia endossando o chamado feminino, ainda assim seria descoberta nossa atuação, pois todas nós mulheres fomos reveladas pelo poder do Espírito Santo de Deus, o verdadeiro edificador da igreja.