Nossa Senhora menina

Queridos catequistas, vamos refletir  um assunto que nunca se esgota no meio cristão católico, mas que pouco falamos sobre ele, o nascimento da Virgem Maria celebrado em 08 de Setembro.

A curiosidade, acrescido de um grande carinho, fez com que os cristãos indagassem sua chegada ao mundo. Como ela teria nascido? O que Deus Pai lhe tinha preparado? Ela nasceu para ser a mãe do Messias?

A tradição literária dos primeiros cristãos nos conta que o seu nascimento se deu pelo amor e bondade de Deus a um casal de judeus que viviam na Galiléia, religiosos e tementes a Deus, Joaquim e Ana (pais da Virgem Maria) que há muitos anos pediam ao Senhor um filho. Diziam que se o pedido deles fosse cumprido seu filho seria consagrado ao Senhor. Vinte anos depois um anjo apareceu a Joaquim e Ana dizendo-lhes que eles seriam pais de uma menina. Ao nascer lhe deram o  nome de Maria, Miriam no Hebraico, que significa “Amada por Deus”.

Como tinha sido consagrada por seus pais ao Senhor antes do nascimento, ao completar três anos, Maria foi conduzida ao Templo, onde permaneceu até os 13 anos, quando foi entregue a São José como sua noiva.

Existe outro documento sobre o assunto no tempo de São Leão Magno no século V d.C. Nesta época o nascimento de Maria já era celebrado com missas, procissões e orações próprias. Segundo os cristãos deste período, a mãe de Jesus e nossa, representava o canal de todas as graças.

Dois milênios se passaram e hoje lembramos que Maria, por uma graça de Deus nos foi presenteada também como mãe, no acontecimento aos pés da cruz quando Jesus, olhando para João, disse: “Eis aí tua mãe”... (Jo 19,27). Desta forma, na pessoa de São João, somos também seus filhos, felizes herdeiros desta graça, e assim nos sentimos abençoados, procurando expressar de tantas formas o amor, admiração, respeito e veneração que sentimos por ela.

Intimamente ligados a este assunto, temos acesso hoje uma vasta literatura dos primeiros cristãos a respeito, entre elas o “Evangelho da Natividade de Maria”, “evangelho do pseudo Mateus”  traduzido do hebraico por S. Jerônimo, “o evangelho secreto da Virgem Maria”, o “Proto-evangelho de Tiago” etc. Em minha obra “Histórias de Maria que a Bíblia não conta”, composta de três volumes sobre a vida da mãe de Nosso Senhor como pessoa, filha, mãe, esposa, discípula e amiga dos apóstolos, dedico mais da metade do primeiro volume ao nascimento, infância e adolescência de Maria, pois considero de suma importância conhecermos bem a quem amamos.

Outro elemento importante a ser considerado na chegada da menina Maria ao mundo foi o motivo maior. Deus, por amor, através de Maria veio trazer definitivamente o SEU Projeto à humanidade na última tentativa de cumprir a promessa aos seus filhos desde o princípio (Gn 1 e 2), quando o homem e a mulher fizeram uso da liberdade e optaram por caminhar longe de Deus. Desta forma, seu Projeto não tinha sido suficientemente cumprido, mas ELE não nos abandonou, demonstrou a sua maior expressão de amor, enviando primeiro Maria, que nos traria Jesus. A esse respeito diz São João em seu evangelho (13,16) “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu filho unigênito para que todo aquele que n'Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Para isso escolheu um casal, Ana e Joaquim, que aos seus olhos foram merecedores de tal graça, trazer ao mundo aquela que seria a mãe do nosso Salvador, Maria.

Em virtude disso, principalmente nós os catequistas não podemos deixar de celebrar o nascimento de Maria e festejarmos juntos aos nossos catequizandos esta festa, tendo em vista que Maria também foi a primeira catequista de Jesus, tendo sido preparada no ensino das Escrituras no Templo, dos três aos doze anos, para a sua maior missão na terra, ser a mãe do salvador do mundo.

Diante de tudo que refletimos, fica incontestável que Maria foi escolhida pelo Pai para a realização do Mistério da Encarnação do Verbo de Deus, sendo revelada como a Mãe do Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, e nossa mãe.