O Filho revela o Pai - Profª Dita e Paulo de Tarso.

"Nos tempos antigos, muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos antepassados por meio dos profetas. No período final em que estamos, falou a nós por meio do Filho. Deus o constituiu herdeiro de todas as coisas, e por meio dele também criou os mundos. O Filho é a irradiação da sua glória e Nele Deus se expressou tal como é em si mesmo..." (Hb 1, 1-3).

A Semana Santa aproxima-se, e com ela recordações dos feitos do nosso Deus Encarnado, Jesus Cristo. Como num filme, os acontecimentos de sua vida vão passando por nós, levando-nos a refletir as diferentes maneiras de cultuá-lo, amá-lo, segui-lo e diferenciá-lo, mesmo que, por diversas vezes nos sintamos confusos diante de tantas formas pelas quais Ele nos é apresentado. Finalmente nos perguntamos: em que Deus acreditamos?

a) No Deus da vida? "Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens"(Jo 1, 4). Cremos que a vitória total sobre a morte, só foi trazida ao mundo por Jesus Cristo, através de um mistério maior chamado Ressurreição. O Filho de Deus foi sacrificado pelo próprio Ser humano a quem veio oferecer a vida eterna. Todo o processo do seu martírio culmina com a ressurreição, transformando-se depois em Sacramento. Ele continua presente conosco na Eucaristia. É o Deus vivo no meio de nós "Eis que estarei convosco todos os dias até o final dos tempos" (Mt 28, 20).

b) No Deus da história? De fato, se buscarmos as raízes do povo de Israel no Antigo Testamento, especialmente na experiência do Êxodo, comprovaremos que eles foram escravizados no Egito por muitos anos, mas libertados pela mão poderosa de Deus através do seu mensageiro e profeta, Moisés. O povo sofreu, mas conseguiu libertar-se; e quando livre, prostra-se diante de tanta misericórdia e amor. Num gesto de agradecimento pelas maravilhosas graças recebidas, celebram a sua Páscoa (passagem da escravidão para a libertação). 

O israelita acreditava que o seu tempo de liberdade havia chegado e permaneceria para sempre. Ao saírem do Egito, segundo o Êxodo 12,1-14, o povo comeu pão sem fermento, por não terem tempo de levedar a massa. A fuga tornava-se primordial para a sobrevivência de todos. Mas, os riscos continuavam. Deus permanece com eles, protegendo-os de todos os perigos e da morte, através do sangue do cordeiro aspergido nas portas. Finalmente, Deus os conduz para bem longe em total segurança. No tempo de Jesus, a fé do povo judeu e a celebração da sua páscoa continuavam vivas. Não podemos esquecer de que Jesus era também um judeu e um personagem do Antigo Testamento, e como tal possuía costumes e tradições do seu povo. Todavia, que Deus Ele trouxe aos seus?

c) No Deus da Eucaristia? Jesus relembra estes fatos e "sinais" do Antigo Testamento, em sua última ceia, último jantar com seus discípulos. O Mestre lhes apresenta um pão sem fermento, como no tempo da páscoa do antigo povo de Israel. O vinho servido também por Ele naquela refeição, é o seu sangue que será derramado. Jesus agora é o cordeiro que vai ser imolado por todos. Ele é aquele que vai tirar o pecado do mundo(Jo 1,29).

 Novamente o sangue do cordeiro, vem libertar a cada um de todo o mal e para sempre. Jesus Cristo neste gesto de doação total de si mesmo, faz uma Nova Aliança com seu povo, substituindo a antiga aliança de Deus com Moisés. É notório percebermos como Jesus une o acontecimento do Êxodo(a saída do Egito) com a sua Paixão, morte e ressurreição. Por esta razão, a Igreja hoje conserva na comunhão o pão sem fermento da última ceia do Senhor, através da hóstia (partícula). O vinho que nos é oferecido na comunhão, também apresenta o verdadeiro sentido do sacrifício de Jesus derramando o seu sangue por nós. E como fica a nossa fé neste novo milênio?

d) No Deus do futuro? Diante do que o mundo moderno nos apresenta todos os dias, às vezes não conseguimos visualizar como será o Deus do futuro. A cada dia surgem novas religiões, novas invenções tecnológicas criadas pelo homem, e até no que concerne a criação do ser humano. Isto nos confunde as idéias: será que o homem está querendo ser Deus? Será que Deus vai deixar que isso aconteça? São dúvidas que nos povoam a mente constantemente a cada novidade surgida. Já dizia o poeta popular: "o futuro a Deus pertence", mas entender os seus desígnios, somente pela força e pela graça dos dons(carismas)do Espírito Santo. 

Entendemos e acreditamos que nosso Deus nos foi revelado na história através de Jesus Cristo. Para o nosso tempo cheio de "prisões", somente o Cristo é o libertador, no qual funde-se o Deus da história, da vida, Eucaristia e do futuro. "É o amor de Cristo que nos une". É através da história do povo de Israel no Êxodo, que vamos entender hoje o Cristo libertador na nossa história de povo latino-americano. Devemos sempre nos lembrar de seguir o Cristo Vivo, Aquele que todos os dias nos convida a segui-lo, a retomar de onde paramos no dia anterior, de repetirmos juntos com o apóstolo  Paulo: " Se eu não acredito que Cristo ressuscitou, vã será a minha fé"(1Cor15,14). 

Por isso, a libertação da qual falamos não é apenas espiritual, mas envolve todos os aspectos de nossa vida. O Cristo vivo e libertador , deve ser um sinal de esperança e de força na construção do Reino que Ele mesmo preparou, mas que cabe a nós construí-lo.