Pentecostes - Ontem e Hoje - Profª Dita

Desde o antigo Testamento que a aliança entre Deus e o povo, os impulsionou ao compromisso e missão neste mundo. O prosseguimento deste pacto, se deu com a Encarnação de Jesus Cristo, completando-se com a sua Ressurreição e Ascensão aos céus. Mesmo assim, Jesus sentia que o povo necessitava "de alguém" que lhes transmitisse força quando sua presença física não mais estivesse entre eles. Consolando seus discípulos dizia: "Convém a todos que eu me vá. Se eu não for, o Paráclito (Espírito Santo), não virá até vocês; e quando ele chegar, ficará com vocês para sempre". (Jo 14,16; 16,17). Em outra parte vemos mais claramente a missão deste paráclito: "Então eu pedirei ao Pai e ele dará a vocês outro advogado, para que permaneça com vocês para sempre. Ele é o  Espírito da verdade que o mundo não pode acolher porque nem o vê e nem o conhece, mas vocês o conhecem porque ele mora com vocês e estará convosco". (Jo 15, 16-17).

Jesus Cristo cria com sua presença de ressuscitado uma expectativa nova para a espera do Espírito Santo. E o grande dia chega! Aí está Pentecostes! Mas, antes gostaria de conversar com vocês sobre a origem desta festa:

Ela era tipicamente judaica. Dois séculos antes de Jesus nascer, o povo judeu em sua maioria campesinos, possuía suas festas fundamentadas na vida cotidiana do plantio e da colheita. A primeira festa , a da colheita da cevada, foi transformada liturgicamente na comemoração dos Ázimos,(pão sem fermento) a qual junto com o cordeiro formou a páscoa.

A Segunda festa, comemorava-se a boa colheita do trigo, sendo realizada 7 semanas após a primeira . Eles a chamavam de "festa das semanas". Para não perder definitivamente o vínculo sagrado de Deus com o povo, eles transformam esta festa comum numa comemoração de Ação de graças a Deus, pelos mandamentos concedidos a Moisés no Monte Sinai. Mais tarde deram o nome a esta festa de PENTECOSTES,( qüinquagésimo) por ser celebrada 50 dias após a páscoa (Ex 34,22).

No judaísmo rabínico (séculos I e II d. C), a colheita do trigo foi definitivamente ligada ao acontecimento do Sinai, formando a partir daí a comemoração de Pentecostes. As pessoas vinham em romaria dos mais diversos lugares, reunindo-se em Jerusalém, a fim de celebrarem juntas os rituais. Lia-se o capítulo 19 do Êxodo, onde se narra a chegada do israelita ao deserto, da Aliança e das promessas do Criador a eles. Deus se manifesta através de uma nuvem escura, trovões, relâmpagos e muitos ruídos. O Espírito do Senhor vem com grandes labaredas de fogo iluminando todo o povo.

Em 279 d. C, o rabino Johann afirma que: "A voz de Deus no Sinai se dividiu em 7 vozes e em 70 línguas, de modo que todas as Nações o ouviram, cada uma em sua própria língua". Portanto, esta era uma das explicações do judeu para as solenidades de Pentecostes. Pela sua tradição milenar, eles acreditavam ainda que um dia o Messias chegaria a terra enviado por Deus, e nele repousaria o seu Espírito, conferindo-lhe sabedoria, discernimento, justiça e fortaleza (Is 11,1-3), e que este mesmo Espírito era o que havia conferido aos profetas inteligência e senso de justiça. Para eles, somente o Espírito de Deus pode trazer organização onde existe o caos. "Quando Deus criou o céu e a terra, tudo era deserto e vazio, mas o SOPRO DIVINO (Espírito Santo) pairava sobre as águas, organizando-as"(Gn 1,1s).

Podemos deduzir que, o Pentecostes cristão foi para os apóstolos o início de uma Nova Aliança, e o cumprimento das promessas de Jesus Cristo. Existem diversas semelhanças entre o texto de Lucas (At 2,1-13) e o do Êxodo (19,16-25). Será que São Lucas teve consciência da associação entre o Pentecostes judeu e a outorga da Lei no Sinai? E que propositadamente coloca a cena do Cenáculo, na mesma data, reafirmando que Jesus é a Nova Aliança? O certo é que a Igreja dos apóstolos considerava este evento como o derramamento do Espírito prometido por Jesus: "Não se afastem de Jerusalém, esperem o cumprimento da Promessa do Pai a vocês, o Espírito Santo"(At 1,1-5).

PENTECOSTES HOJE

Através dos Carismas, percebemos a cada dia a presença real do Espírito Santo nos cristãos de hoje. Cada um desenvolve a sua missão com os talentos e dons recebidos de Deus. Procuremos permitir que em nossas comunidades o Espírito Santo possa agir com liberdade como o fez no Concílio Vaticano II, clareando os olhos de todos para uma nova maneira de ser Igreja. Que esta festa tão linda, nos aproxime do verdadeiro compromisso do nosso batismo, enxergando o irmão sem preconceito, discriminação ou posse de privilégios. Que a cada dia nos tornemos "pequenos" diante de Deus, mas ao mesmo tempo "grandes " em fraternidade, compreensão e aceitação do outro.