OS TRÊS PILARES DO CRISTIANISMO

 

No mês de junho a Igreja celebra e festeja três grandes pilares do cristianismo: Santo Antônio, São João e São Pedro. Trata-se de um mês importante para a Igreja e também uma ótima oportunidade para os catequistas de falarem da importância que recai sobre esses três grandes homens de Deus, cujas vidas se sobressaíram em ambientes marcados por desconhecimento bíblico, ausência de fé e materialismo.

É fato que eles possuem muitas histórias agregadas ao folclore brasileiro, aos costumes antigos e lendas, contudo, o que mais nos importa é falar de suas virtudes como cristãos, do testemunho de suas vidas e dos exemplos que nos deixaram. Então vejamos:

        Santo Antônio, homem humilde. Pertencia a uma Congregação e quando descobriu como viviam os seguidores da Ordem de São Francisco, em extrema pobreza, humildade e serviço, abandonou a antiga Ordem tornando-se um franciscano. Era admirado por seus dotes de ótimo orador, pois quando pregava a palavra de Deus ela era entendida por todos. Aplicava-se aos serviços mais simples da comunidade, tais como o trabalho doméstico, a limpeza da casa, servir aos outros etc.

O que ele queria era falar da Bíblia a todos que encontrava. Conta uma lenda que um dia, por ter a rejeição dos homens à Palavra de Deus, foi a um lago e pregou para os peixes, que levantavam suas cabecinhas, como se estivessem entendendo o que ele lhes dizia. Embora sendo lenda, no entanto reflete a vida de consagração e dedicação a Deus que ele levou. A Igreja o comemora no dia 13 de Junho dia de sua morte.

         João Batista era primo de Jesus. Pela tradição da Igreja ele nasceu no dia 24 de junho (é o único santo em que se comemora o nascimento) alguns anos antes de seu primo Jesus Cristo, e morreu em 29 de agosto do ano 31 d.C., na Palestina. Foi degolado por ordem de Herodes Antipas a pedido de sua enteada Salomé (Mt 14,1-13), pelo fato de que sua pregação incomodava a moral da época.

Antes mesmo de Jesus, João Batista já pregava publicamente às margens do Rio Jordão, convidando o povo a se arrepender de seus pecados, serem solidários e fraternos com os outros (Mt 3,1-2). Era valoroso pregador, amigo da justiça e da verdade, humilde ao extremo, se vestia com peles de animais, morava no deserto e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre (Mt 3,4-6). Envolvendo sua pessoa existem algumas lendas que vale a pena citar:

       Da fogueira: Isabel (mãe de João Batista) e Nossa Senhora eram muito amigas e costumavam visitar-se. Uma tarde, Isabel foi à casa de Maria e José e aproveitou para contar-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho, que se chamaria João Batista. Maria então perguntou: “Como poderei saber do nascimento dessa criança, pois moramos tão longe uma da outra?” Respondeu Isabel: “não se preocupe, vou mandar acender uma grande fogueira; assim você poderá vê-la de longe e saberá que João nasceu”.

       Os fogos de São João: Antes de João nascer, seu pai, Zacarias, andava muito triste e envergonhado diante dos anciãos por não ter filhos. Retirou-se para orar e pedir a grande graça. Um anjo de asas coloridas, envolto em uma luz misteriosa, apareceu à frente de Zacarias e anunciou que ele seria pai. A alegria de Zacarias foi tão grande que ele perdeu a voz desse momento em diante. No dia do nascimento do filho, perguntaram a Zacarias como a criança se chamaria. Fazendo um grande esforço, ele respondeu "João" e a partir daí recuperou a voz. Todos fizeram uma grande festa, com muita comida, cantos, danças, e muito barulho. Vem daí o costume das bombinhas, das danças e comidas típicas tão apreciadas por todos, fazerem parte dos festejos juninos.

       Simão (São Pedro), nasceu em Betsaida, assim como o seu irmão André. Possuía um gênio forte e temperamento impulsivo, mas um coração generoso e repleto de bondade. Não se deixava vencer pela adversidade, revelava uma fibra invejável, embora a sua coragem e iniciativa pessoal estivessem fundamentadas na própria força humana.

Foi um dos doze apóstolos de Jesus. Pescador, exercia sua profissão no lago de Genezareth (mar da Galiléia). Homem simples, humilde e rude, de pouca instrução, mas muito forte, pois tinha que puxar a rede tantas vezes abarrotada de peixes; acostumado a tomar sol, a levantar cedo e sair de madrugada para pescar. Pescava geralmente nu (Jo 21,7), pelo fato de aquela região é muito quente no período do verão, assim se sentia melhor e com os movimentos mais livres.

Homem de temperamento enigmático: às vezes medroso, às vezes destemido. Pelo grande amor que tinha a Jesus, certa vez quando os soldados romanos vieram prendê-lo, ele, revoltado com tal injustiça, corta a orelha de um deles (Jo 18,10). Em outra ocasião Pedro nega Jesus por três vezes (Mt 26, 69-75). Sua vida familiar é muito escassa, mas Marcos nos conta que Pedro era casado e sua sogra morava com ele. Certa vez ela estava muito doente, e Jesus a curou (Mc 1,30).

Não podemos nos esquecer do episódio envolvendo o nome deste apóstolo. Antes de ser chamado por Jesus, era Simão, mas, ao escolhê-lo como chefe da Igreja, o Mestre troca o seu nome para Pedro, que em aramaico significa Kefas (pedra, rocha). Disse Jesus: “Tu és Simão, filho de João; chamar-te-ás Kefas” (Jo 1,42), o que traduzindo para o português significa Pedra - Pedro. O nome prediz o futuro primado de Pedro na Igreja como o primeiro Papa.

Tais palavras (Pedra-Pedro), talvez não façam tanta diferença no português, mas no aramaico significa que Jesus quis fundar a sua Igreja edificando-a sobre uma Pedra, sobre uma Rocha, para que seja firme e inabalável, e por isso mudou o nome de Simão.

Encerrando nossa reflexão sobre os três grandes pilares do mês de Junho, devemos lembrar que eles não devem ser comemorados somente pelas festas juninas (folclore, comilanças, danças e fogos). Devem ser lembrados também pelo que eles foram como verdadeiros cristãos, pela fé em Deus, pelas experiências de vida que tiveram, pelo amor ao próximo, pela vida de oração, pela humildade e pelo grande testamento que nos deixaram.