UM PLANO DE AMOR PARA A HUMANIDADE

 

Quando chega Setembro, a liturgia eclesial se ramifica para vários eventos importantes: o reconhecimento de é um cidadão católico num país cristão, o conhecimento real do dízimo e o estudo mais profundo da Bíblia, este ano dando continuidade ao Projeto “queremos ver Jesus”, com a finalidade de reafirmar que a Palavra de Deus é o centro de toda ação catequética.

Sabemos que o Projeto Nacional de Evangelização “Queremos ver Jesus Caminho, Verdade e Vida” (2003-2007) segundo a CNBB, nos indica que a Evangelização deve ser continuada e permanente, levando todos os cristãos ao encontro íntimo e pessoal com Jesus Cristo,  proporcionando aos batizados um conhecimento mais completo e uma experiência mais profunda da sua fé cristã, que se coaduna no “ver” no “conhecer” e no “seguir”.

No estudo de Mateus este ano, podemos comprovar que nele está inserido os três conceitos citados: “Ver”, quando tomamos conhecimento das palavras de Jesus, intenções e objetivos. “Conhecer”, quando procuramos nos aprofundar em sua Palavra, buscando caminhos, encontrando saídas, mudando o rumo de nossas vidas pela conversão permanente, ou seja, tendo uma relação íntima e experiencial com o Senhor através do discipulado, saber ouvir o Mestre como fez Maria irmã de Marta (texto). Finalmente, o “Seguir”, como o passo decisivo, o qual vai requerer uma decisão seguida da ação. São Mateus também nos relata tal seguimento nas palavras de Jesus, quando escolhe seus seguidores: “Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Eles, pois, deixando imediatamente as redes, o seguiram.” (4,19-20)

Dessa forma, tomarmos conhecimento de que Jesus Cristo é o enviado do Pai para trazer a Boa Nova da Salvação ao mundo e que devemos segui-lo sempre, o caminho mais simples é pela Bíblia, quando esta nos diz que não devemos simplesmente imitá-lo ou caminhar atrás dele, mas, nos sentirmos responsáveis pela missão que Ele nos confiou, estar atento ao seu chamado: “Segue-me”;  conseqüentemente o mês da Bíblia será para todos os catequistas, um incentivo a mais em sua caminhada, um exercício espiritual de renovação e reorientação nos caminhos em busca da salvação.

Diante disso, todos os catequistas devem ter em mente que a  ação pastoral da Igreja alimenta-se na Bíblia e na catequese permanente, tendo como parâmetro os Livros Sagrados, os quais são a grande escola de oração. Por isso, ele deve incentivar a leitura da Bíblia, não só no seu mês específico, mas,o ano inteiro, prognosticando que os objetivos principais são: a iniciação à leitura, reflexão, estudo e oração. "Tua palavra é lâmpada para os meus pés e luz para o meu caminho", diz o Salmo 118 (119), 105.

Diante do que foi dito, a Palavra de Deus deve penetrar na vida de todos nós, levar a um diálogo mais íntimo com Deus, uma experiência pessoal e a um compromisso com a realidade. É escutando com os “ouvidos do coração” o que Deus falou ao povo antigo e que repercute hoje, é que vamos perceber em nossa vida e na caminhada da comunidade a presença ou ausência do plano de Deus.

É incontestável que a Bíblia é também a luz que ilumina o discernimento de valores e o agir dos discípulos de Jesus e de todos nós hoje. Na Palavra de Deus estão contidos os ensinamentos que transformam e renovam a convivência humana. Sem a Palavra de Deus não alcançaríamos a verdade do perdão, da misericórdia e da mansidão, como bem o diz Jesus em Mateus 5, 1-10.

Diante disso, muitas vezes nos perguntamos: onde encontraremos força para rezar por quem nos calunia, para amar os que nos ofendem e para pagar o mal com o bem? Somente através das lições de Jesus presentes nos Evangelhos que nos fazem descobrir a beleza do amor gratuito de Deus e como praticar a paciência no sofrimento, a entender os “sinais” Dele na existência, colocando toda a nossa vida em suas mãos. Disse Jesus: “Vinde a mim todos vós que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei. Tomai meu fardo e aprendei de mim que sou tolerante e humilde, e vos sentireis aliviados. Pois meu peso é suave e minha carga é leve” (Mt 11, 28-30)

É importante saber que a Bíblia nos ensina a solidariedade fraterna, o conforto nas provações, a dimensão redentora da cruz e a esperança de vida eterna e feliz, não a felicidade que o mundo conhece e oferece, mas aquela que está no Sermão da Montanha, um discurso de Jesus dirigido à nova comunidade, que traz esperança e um convite especial a superação de si mesmo , além da oferta de transformação e misericórdia de Deus.

Convém lembrar que O Concílio Vaticano II já dizia que “É tão grande o poder e a eficácia que se encerra na Palavra de Deus, que ela constitui sustentáculo e vigor para a Igreja, e, para seus filhos, firmeza da fé, alimento da alma e fonte de vida espiritual” (Dei Verbum, 192).

Portanto, finalizando esta nossa reflexão sobre a importância da Bíblia na vida dos catequistas e de todos os cristãos, como um plano do amor de Deus para a humanidade, ela se torna por excelência o “livro da comunidade” sendo de suma importância sua leitura e estudo em grupo. É indispensável formar grupos de catequistas para ler e estudar a Bíblia de maneira perseverante. Em pouco tempo esses grupos adquirem gosto pela Palavra e encontram segurança para trabalhar a Bíblia na catequese e serem testemunhas vivas do amor de Deus.