O poder da oração - Prof.ª Dita

 

Rezar ou orar, como quer que pronunciemos, talvez seja o caminho mais curto  para se chegar até Deus. É através dela que as portas para um momento novo se abrem. É a conversa, o diálogo entre dois amigos que se amam e se entendem mutuamente (nós e Deus). 

Foi pensando em tudo isso que alguns cristãos perceberam o valor da oração em comum e que somente através dela chegaríamos mais perto do Projeto de Jesus Cristo: “um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16).

 

Alguns santos (cristãos) do passado,  comungavam o mesmo ideal: que todos fossem um, que todos fossem irmãos, que todos vivessem unidos num só coração. Neste projeto de rezarmos (orarmos) juntos (católicos e evangélicos),   foi criada a alguns anos, uma semana de oração pela unidade dos cristãos, o que acontece todos os anos, sempre na semana que antecede o Pentecostes.

 

Esta atitude nos leva também a concretização de um dos objetivos do Projeto trienal rumo ao Novo Milênio, onde a Igreja nos convida a prática do ecumenismo, e do diálogo inter-religioso (entre as diferentes religiões), fundamentados na própria prática divina. Deus  nos ama sem distinção, por que faríamos nós tal coisa?(At 15,8s).

 

Como cristãos comprometidos com o nosso batismo, devemos aceitar e nos preparar comunitariamente, levando muito a sério as orientações de João Paulo II: A IGREJA CRÊ NO DIÁLOGO ENTRE AS RELIGIÕES , E PRINCIPALMENTE ENTRE OS CRISTÃOS. ENTRE AS CULTURAS, DAS QUAIS A RELIGIÃO É A ALMA. 

 

Somente assim nos tornaremos uma Igreja mais missionária, mais viva e com a presença forte do Espírito Santo, reunindo todos no mesmo caminho, na solidariedade, na fortaleza e caridade apostólica. Para que tudo isso se torne uma realidade, a alternativa encontrada foi  a oração.

Algumas vezes não cremos o suficiente no poder da oração, até  que algo nos acontece e nos sacode da incredulidade  e então percebemos a infinita força e autoridade que a oração tem diante de Deus. Pelo menos quando é realizada com  fé, humildade e certeza do recebimento da graça. Jesus nos lembra sempre:pedi  e vos será dado, buscai e achareis, batei e vos abrirão.(Lc 11,9). Se tiverdes a fé do tamanho de um grão de mostarda, dirás a este monte: transporta-te daqui para lá e ele te obedecerá.(Mt 17,20)”.  Não será o momento certo de pararmos e pensarmos sobre a nossa vida como filhos de Deus tão amados?

 

Para o povo do Antigo Testamento, a oração se caracterizava como  uma conversa com Deus, o único, o Senhor de todas as Nações, o dono da vida, o que exigia obediência. O israelita quando orava  tinha a certeza de que Deus estava sempre pronto a ouvir suas queixas e súplicas. Não era comum fazer-se promessas ao Criador, esta vinha do próprio Deus. Percebemos isto nos acontecimentos da vida deste povo.

 

v       Na libertação do Egito. O povo clamou do fundo de sua servidão e Deus os ouviu, libertando-os”.(Ex 2,23s).

 

v       Na posse da terra prometida. Deus fala a Josué: “Levanta-te e vai, tu e teu povo para a terra que te dou. Jamais te abandonarei ou te desampararei”. (Js 1,15).

 

 

A oração  para o israelita era o recado infalível em direção a Deus, com a certeza de seu pedido ser atendido. Eles sabiam distinguir muita bem  a verdadeira  da  falsa oração. A verdadeira nascia no coração, abrangendo a pessoa por completo, e através da humildade e submissão chegava a Deus. A falsa era pronunciada apenas com os lábios, uma pura formalidade sem intenção nenhuma de cumprir a vontade do Pai. (Is 1,15-17).

 

Entre nós os cristãos de hoje, cultivamos vários tipos de oração. Uma delas são aquelas lançadas no decorrer do dia, segundo as nossas necessidades. Diz São Paulo:Sejais sempre alegres e orai sem cessar. Por tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus” (1Tess 5,16).

 

O próprio Jesus rezava continuamente. Mesmo tendo um dia ativo e cheio de preocupações, encontrava um tempo calmo e sozinho para  falar com o Pai. Em cada ocasião importante, Jesus rezava antes.

v                   Na caminhada sobre as águas. Jesus forçou os discípulos a embarcarem e aguarda-lo na outra margem, retirando-se foi orar a sós”.(Mt 14,22).

 

v                   Nas pregações nas sinagogas e em toda a Galiléia. De madrugada, ainda escuro, Jesus se levanta  e vai para um lugar tranqüilo  para rezar” (Mc 1,35-39).

 

 

É comum cada vez que resolvemos rezar algum fato ou barulho externo nos tirar a concentração. Jesus nos aconselha:Orai e vigiai para que não caias em tentação. O espírito é forte mas a carne é fraca”.(Mc 13,38-42). O importante é termos a certeza de que Deus (Pai, Filho e Espírito Santo), estará nos ouvindo como ouviu ao seu povo no Antigo Testamento, no tempo de Jesus ao cego Bartimeu (Mc 10,46-52),  a Nicodemos um alto membro do Sinédrio em Jericó, (Jo 3,1-21) ou a um miserável  ladrão pendurado ao seu lado.(Lc 23,39-43).

 

Qual  a maneira mais correta para se conhecer alguém?  Conversando e convivendo com ela. Descobrindo os seus costumes e preferências. Jesus Cristo está se dando a conhecer todos os dias, através da oração, dos nossos pensamentos, convicções, pela mensagem de alguém  ou pela Bíblia. Devemos nos policiar para exercitarmos sempre os nossos ouvidos, muito mais que a nossa boca. Aprendermos a ouvir a Deus, permanecer quietos e silenciosos na oração para poder ouvir o que realmente Deus quer de nós. É  através deste diálogo silencioso que estaremos mais próximos do que o Pai quer, a santidade.

 

Um poeta popular (Gilberto Gil) nos diz numa canção:

 

Se eu quiser falar com Deus,

Tenho que ficar a sós.

Tenho que apagar a luz,

Tenho que calar a voz...