As pragas do Egito (Um alerta contra os deuses)- Profª Dita

Ex 7, 14-11,10 nos apresenta as pragas que vieram contra  a opulência Egípcia. São  também chamadas de golpes, flagelos, prodígios, sinais, milagres. São apresentadas na Bíblia com a inserção escrita de três povos de diferentes épocas: 1º) O javista  (J)- no século X,   2º) O Eloísta (E) no século VIII, e  3º) O sacerdotal (P) no século VI.

Na Tradição Javista ( as pragas são 7):

1. Nilo => 7,14-18.21-24.              2. Rãs. 7,25-29; 8,4-10.             3. Moscas. 8,16-20. 

4. Morte dos animais. 9,1-7.        5. Chuva de granizo. 9,13-21.23b-34. 

6. Gafanhotos. 10,1-11.13b-19.24-29.             7. Primogênitos. 11,4-8; 12,29-34.

As tradições Eloísta ( E) e Sacerdotal (P), só conheciam 5 pragas.

O salmo 105 (104),27-36, indica 9 pragas.

As 10 pragas, vem de uma tradição posterior . É um acréscimo de todas as tradições:

1. Nilo manchado de sangue. (J /E/P).               2. Rãs. (J/P)             3. Parasitas (P).

4. Moscas.(J).                5. Morte dos animais (J).                 6. Úlceras (P).

7. Chuva de granizo(J/E).             8. Gafanhotos (J/E)                     9. Trevas (E).

10. A morte dos primogênitos (J/E/P).

O que as pragas nos revelam?

Um grande conhecimento do clima do Egito. Uma cheia anormal do Nilo. O Nilo vermelho era normal em Julho/Agosto, causado pela lama deixada da enchente, porque a terra era vermelha, e as moscas atacavam os animais em Dezembro/Janeiro.  As feridas são causadas por uma doença chamada ANTRAZ, que é  uma lesão na pele pela picada de alguns tipos de mosquitos.  Tempestade de areia é muito comum no deserto. A morte dos primogênitos sempre foi a praga mais discutida pelo povo judeu. Na realidade o que os autores pré-mosaicos (antes de Moisés) tentam justificar com este ato cruel de Deus, é a contestação aos ritos de sacrifícios infantis executados por povos pagãos, incluindo os egípcios.

Era costume entre os cananeus, ao levantar-se uma casa ou uma cidade, oferecer-se em sacrifício aos deuses um menino, para aplacar os espíritos do mal:

- 2Rs 3,26s => Meshá o rei na cidade de Moab se vendo perdido numa guerra contra os israelitas, tomou seu próprio filho primogênito o qual devia suceder-lhe no trono, ofereceu-o em holocausto sobre a muralha da cidade.

- 1Rs 16,34. O rei Hiel de Betel,(cananeu) reconstruiu Jericó pelo preço da morte do seu primogênito Abiran. E pelo preço da morte de seu último filho Segub, assentou-lhes as portas.

- Jr 7,30s. O profeta denuncia o culto do sacrifício de crianças ao deus Moloc.

- Gn22. O sacrifício de Isaac é um fato polêmico que diz a estes povos que o Deus do Israelita é o Deus da vida e não da morte, e que jamais aceita sacrifício de crianças. Na perspectiva mais primitiva, a praga da morte dos primogênitos egípcios era como que uma mortandade sagrada que o Deus dos hebreus realizava contra eles , vingando-se da maldade que por mais de 200 anos haviam feito ao seu povo. Os primogênitos hebreus salvos por Deus eram portanto "sua posse". Cada primogênito israelita a partir daquele dia pertencia a Deus, podendo ser resgatado pela família. Ex 13,10-16. Concluimos que: o objetivo maior para as pragas do Egito é mostrar a todos quem era o verdadeiro Deus, e para que todos cressem Nele. Ex 14,30s. Elas são o símbolo da mão poderosa de Deus. É o dedo de Deus que salva o seu povo. (escreve nas tábuas da Lei).

Deus é reconhecido até pelos magos do faraó que dizem: O bastão de Aarão é o dedo de Deus. Ex 8,15.