O PROFETA DE TODOS OS TEMPOS

         Junho é um mês rico em comemorações festivas, tanto populares como religiosas e, acrescentadas às celebrações do ano vocacional, podemos estar certos de que junho é só alegria!

Temos a figura de Sto. Antonio, que além de um nome tradicional português “Fernando de Bulhões y Taveira de Azevedo”, foi presbítero (sacerdote), doutor da Igreja e um grande amigo de São Francisco de Assis, que o chamava de “meu bispo”. Foi monge agostiniano e um homem por demais culto. Conhecia profundamente a filosofia, a teologia e o idioma hebraico. Foi chamado pelo Papa Gregório IX “arca do Testamento”, pelo acúmulo de sabedoria que possuía. Apesar de toda esta pompa foi um homem humilde e desprendido de qualquer prazer do mundo.

Outra personagem que figura de maneira singular neste mês é São Pedro. Grande homem judeu. Nasceu em Betsaida. Impetuoso, arrojado, simples, decidido, de enorme fé, humilde, mas ao mesmo tempo indeciso, medroso, como todo Ser humano. Foi um grande orador. Seus discursos sobre Jesus empolgavam platéias conseguindo converter milhares de pessoas ao evangelho. At 2, 41, nos diz que no discurso proferido no dia de Pentecostes, foram agregadas à Igreja quase três mil almas.

Mas, de quem queremos nos deter em especificações é em São João. É o único santo em que se comemora a data do seu nascimento. João, o famoso batista (aquele que batiza).

Podemos atribuir a vida de João Batista a um “sinal” ou milagre do alto. As condições reais de sua família eram contrárias à chegada de um bebê. Seus pais eram idosos, e como agravante sua mãe era estéril. Este fato é fartamente observado em outras histórias da Bíblia, aonde grandes homens vieram de mulheres estéreis, pelo milagre de Deus: Sansão, Samuel, Isaac, Maria (Mãe de Jesus) etc.

A intervenção divina no casal se inicia com a visita do anjo Gabriel a Zacarias, trazendo uma mensagem de Deus: “Isabel tua mulher dará a luz um filho e lhe darás o nome de João”. Lc 1, 13. A notícia teve tal impacto na vida do sacerdote, que nos diz as Escrituras que ao terminar seus serviços no Templo, o povo o recebeu fora mudo Lc 1, 22.

A partir daí todo um processo na vida daquela criança a direcionava a uma missão muito semelhante a do profeta Elias que foi enviado para preparar “um povo perfeito” para a chegada do Messias. Por esta razão, encontramos algumas vezes referindo-se a ele como sendo “Elias”.

João é enviado à terra para “endireitar os caminhos do Senhor”, conforme a profecia de Isaías (4, 6; 40, 3 – 5). Foi um profeta austero e duro em suas palavras de como ser solidário e fraterno com o irmão. É nele que percebemos afirmações como “raça de víboras” e “ira futura”. Por outro lado, pregou  como viver verdadeiramente a vontade de Deus “quem tiver duas túnicas dê uma a quem não tem nenhuma e o mesmo faça com alimentos”. (Lc 3, 11).

João preocupava-se com a chegada do Messias Jesus e prepara o seu caminho. Esse costume era observado sempre que uma pessoa importante, quase sempre um rei, chegava a uma cidade. Era costume enviar alguém antes, para que preparasse o caminho que o rei iria percorrer. Desta forma, João, quando interrogado acerca de ser ele ou não o Messias, diz: “Eu sou a voz que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor e endireitai as suas veredas”. Jo 1, 23. Dizia ainda: “Eu batizo com água, mas vem outro mais forte do que eu, de quem não sou digno de desatar a correia de suas sandálias. Ele batizara a todos vocês com Espírito Santo...” (Lc 3, 16). Foi o escolhido por Deus para batizar a Jesus Cristo, seu filho unigênito.

João torna-se muito amigo de Jesus. Seus discípulos convivem em paz e, quando percebe que seus dias na terra estão contados, ordena a seus seguidores que fiquem com Jesus. João e seu irmão Tiago, antes de seguirem Jesus, foram discípulos de João Jo 1, 35-37. O Mestre o considerou como alguém muito especial e, um certo dia, disse: “João é mais que um profeta, é o maior profeta entre os nascidos de mulher”. Mt 11, 11.

O exemplo deixado por  São João Batista a todos os cristãos de hoje é que ele soube viver o verdadeiro testemunho profético. Criticava e denunciava a hipocrisia e injustiças de seu tempo, admoestava e orientava para o bom caminho. Vivia o que pregava, colocava em prática suas convicções, sem ceder diante de ameaças e da morte. Vale ressaltar que o que o levou à morte, foi justamente a denúncia de algo que ia contra os preceitos divinos (o adultério de Herodes com sua cunhada) Mt 14.

Assim, 24 de Junho, além de nos lembrar dos festejos juninos, das guloseimas de milho, da alegria, da música e da dança, nos faz ver que muito além das festas passageiras, permanece a figura de um profeta que soube viver sua missão de filho de Deus, e que apesar de muitos “ventos contrários” ele “mergulhou em águas profundas “ em busca da verdade.