Revendo os valores

        Os valores de cada um (a) de nós são o resultado de como foram os princípios adquiridos da família no decorrer da vida. Como cristãos comprometidos com o nosso batismo devemos cultivar, como valores essenciais, a verdade, a justiça, a ética, a disciplina, a integridade, o desapego, a paz e o amor “ágape” (aquele que nos fala o apóstolo Paulo em 1Cor. 13).

Sem sombra de dúvidas, em cada início de ano nos parece que tudo é novo, desde a agenda que carinhosamente adquirimos, como as promessas que fazemos a nós mesmos de mudar para melhor. No entanto, se faz necessário estarmos preparados para as surpresas do dia a dia. Nosso propósito é lutar pelos valores que caracterizam a plenitude da vida, mas nas dificuldades esta luta poderá ser difícil sem a presença de Jesus, que estabeleceu um padrão entre os valores presentes no Evangelho e os do mundo, os quais são completamente contrários.

        Nós catequistas, a cada novo ano que se inicia sentimos uma sensação boa de que temos que realizar tudo o que não tivemos oportunidade e tempo de fazer no ano que passou. É o momento de novos planos e projetos, vontade de acertar, coragem de reiniciar. Contudo, como evangelizadores, além de tudo isso não podemos perder o foco dos verdadeiros valores do evangelho, pois tudo do que possuímos nessa terra só se reveste de importância se associado à busca dos valores do Reino. Jesus nos adverte: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça, e todas as demais coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33).

        Portanto, neste começo de ano, temos que estar atentos ao excesso, pois à medida que passamos a viver em função do olhar crítico do outro, menos vamos nos importar com os valores do evangelho, em ser humilde, simples, sincero, moderado, misericordioso, não colocando os valores do mundo acima de Deus.

Para que isto aconteça, precisamos reconhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus, a força do Espírito Santo. Este Espírito que habita em nós é o recurso de Deus para que saibamos usar os nossos dons com sabedoria, não a do mundo, mas a que nos é enviada pelo altíssimo, como diz o apóstolo Paulo (1 Cor 2,12).

        Se assim procedemos será fácil rever nossos valores neste princípio de ano, pois ainda como disse São Paulo aos cristãos de Corinto, sabemos que tudo na vida é permitido, mas nem tudo nos convém como filhos de Deus; que tudo pode ser lícito, mas não podemos nos deixar dominar por coisa alguma (1Cor 6,12).

        Portanto meus irmãos e irmãs catequistas, é importante que saibamos usar com sabedoria o “livre arbítrio”, a liberdade de pensamento a ações que nos foi presenteado por Deus. Ele é uma benção e uma graça, que pode se tornar a nossa maldição se não agirmos com o dom do discernimento. Deus nos deu o livre arbítrio para ser usado com toda responsabilidade, sempre lembrando que o meu direito e a minha liberdade se encerra quando começa o direito e a liberdade do outro.

        Façamos com humildade é fé uma reavaliação de nossos valores e, se por acaso encontrarmos excessos, colocá-los aos pés do Senhor Jesus; pedir sabedoria, força, moderação, mansidão, amor e  fé na Trindade. Não esqueçamos que somente o Senhor pode nos manter firmes e fortes nestes tempos difíceis.