O Santo sudário -  Profa. Dita.

O que é?  É um lençol de linho, provavelmente o pano que serviu de mortalha para envolver o corpo de Jesus em sua morte, nos três dias em que ele ficou no sepulcro (túmulo). Os detalhes do mistério deste pano , o SANTO SUDÁRIO, só foi revelado ao mundo do século XX pela alta tecnologia que existe hoje. Foram feitos vários exames do carbono 14 (fórmula química de descobrir a idade de qualquer objeto, ou pessoa), num laboratório dos Estados Unidos em 1969. Este sudário mede 4,36m por 1,10m. Supõe-se que era maior, uma vez que foram retirados alguns fragmentos, talvez como relíquia ou para exames. 

No exame feito, percebeu-se no lençol a imagem clara de um homem ferido, traumatizado, com filetes de sangue escorrendo pelo rosto, com as chagas dos pulsos bem delineadas de onde escorriam fluxos de sangue, e que datava da época de Jesus. Este sudário foi adquirido por José de Arimatéia, um judeu rico admirador e seguidor de Jesus. Era costume entre os judeus desta época, enterrar os seus mortos nus e ungidos com óleos e essências perfumadas. Depois enrolava-os num grande pano de linho branco, em média 5 metros. 

Conforme está escrito na Misnah (documento judaico), quando o morto era um condenado executado, não se podia colocar o seu corpo no sepulcro da família, usava-se uma sepultura nova, nunca utilizada, até que o corpo se decompusesse e estivesse só os ossos. Colocava-se então no jazigo da família. Supõe-se que Jesus tenha sido pregado na cruz ao meio dia (hora sexta), morrido as três horas (hora nona) e enterrado antes das 6 horas (12ª hora),  final do dia para o judeu e já  Sábado. As mulheres foram três dias depois ( madrugada do domingo) ao túmulo, para limpar o corpo do morto, ungí-lo com os óleos perfumados e as essências. Fontes históricas afirmam que foram colocados 40 quilos de essências aromáticas (mirra, aloés) no corpo de Jesus, para evitar sua decomposição,  até que chegasse o Domingo. O completo ritual funerário não seria deixado, mas apenas adiado. As fotos perfeitas do SANTO SUDÁRIO, foram realizadas em 1931 por um fotógrafo italiano, Guiseppe.

Este SUDÁRIO é mesmo de Jesus? 

Sabemos que todos os judeus eram enterrados envolvidos num pano de linho, mas torna-se muito difícil afirmar com certeza que este pano é o de Jesus, contudo a Igreja está buscando mais provas para afirmar com precisão absoluta. Uma evidência de que seja realmente o de Jesus é que, o único caso de um crucificado Ter recebido uma coroa de espinhos foi Jesus, e isto está registrado no SUDÁRIO. Nele há marcas nítidas de ferimentos pontiagudos em volta da cabeça.

Parte histórica da Crucifixão

A crucificação de pessoas foi herança de dois povos, os persas e romanos. Em Dt 21,23 fala sobre o tipo usado pelos persas (empalado) "Quando alguém tiver cometido um crime de pena capital e for executado, será suspenso numa árvore". 

A real imagem de como Jesus foi crucificado foi pesquisada, chegando-se a conclusão que Ele carregou a parte horizontal a qual pesava 50 quilos, o que daria a cruz completa mais de 100 quilos, impossível para um homem comum carregar. No tempo do Antigo Testamento, as pessoas eram colocadas suspensas numa peça única que eles chamavam de estaca (stipes). Geralmente era o tronco de uma árvore e chamava-se a este tipo de morte de empalamento. Vamos confirmar em Jos 8,28-29 (Josué crucifica o rei de da cidade de Hai). 

No tempo de Jesus o stipes (estaca) permanecia fincada no chão. A parte horizontal chamava-se patibulum. Esta parte continha um furo para o encaixe no stipes, portanto a cruz em que Jesus foi crucificado não era em forma de cruz, mas em forma de T.  O condenado era colocado com seus braços já pregados. Antes, ele trazia esta parte horizontal por toda a cidade, presa a ele por cordas. Os pés de Jesus foram pregados juntos. A placa chamada de títulus era posteriormente pregada no stipes, explicando algo sobre o crucificado e o seu nome. O INRI na placa da cruz de Jesus, significa, Jesus Nazareno Rei dos Judeus. No alfabeto hebraico e no latim substitui-se o I por J. Usaram em Jesus três pregos de 17 cm, este era o costume. 

CURIOSIDADE: Numa escavação realizada em 1968 na cidade velha de Jerusalém descobriu-se um enorme cemitério judeu do tempo de Jesus. Entre os esqueletos encontrados algo espantoso chamou a atenção dos arqueólogos e pesquisadores. Acharam um esqueleto cujos pés estavam unidos um ao outro, por um enorme prego de aproximadamente 17 cm. Estudos detalhados do esqueleto, permitiram aos cientistas concluirem que se tratava de um jovem de aproximadamente 26 anos e que teria pertencido a classe alta. Nos objetos encontrados perto do seu corpo estava o seu nome Iehohanan bem Hagkol (João filho de Hogkal), e causa da morte, crucifixão. Suas pernas apresentaram fraturas, características do chamado crurifrágio ( com golpes de pesados bastões quebravam as pernas do crucificado, impedindo assim que ele usasse as pernas como apoio e morresse mais rápido). 

O mecanismo de morte na cruz se dava por asfixia, mas havia muito sofrimento antes, o que eles chamavam de causa preparatória. Além das dores das chibatadas havia a fraqueza pela perda sangue dos ferimentos. Em seguida vinha a longa caminhada debaixo de um sol forte o ocasionava inúmeras quedas. Quando o condenado chegava ao local da crucificação se encontrava um verdadeiro trapo humano. Os dois pregos são pregados no carpo (região entre a palma da mão e o punho). A cada movimento do condenado dores horríveis ele terá. Isso vai apressar a sua morte. A posição dos braços para cima dificultam a respiração o que obriga o condenado a soerguer o seu corpo para cima apoiando-se nos cravos dos braços, pois só assim consegue respirar melhor. Começa a faltar oxigênio no cérebro, a asfixia é total, a cabeça tomba para frente. Está morto.

Roteiro do SUDÁRIO pelo mundo

Jesus foi crucificado na véspera da páscoa judaica e por esta razão seu sepultamento foi feito às pressas. Segundo a tradição o Sábado Santo começava quando surgisse a estrela Vesper no céu. Esta estrela, segundo o judeu, marcava o tempo em que todo judeu deveria interromper suas atividades e começar os preparativos para o shabbath e a Pessah. Na madrugada de Domingo as mulheres chegaram ao túmulo e encontraram os lençóis postos no chão... a partir disso, três motivos nos levam a pensar sobre a historicidade da ressurreição de Jesus. O corpo jamais seria roubado pelos judeus e muito menos pelos discípulos:

1. Se alguém fosse roubar um corpo provavelmente não levaria o cadáver nú, mas enrolado nos lençóis, seria mais fácil transportá-lo.

2. Profanar uma sepultura e tocar numa pessoa morta era considerado para o judeu como crimes passíveis de pena de morte.

3. Como explicar que discípulos medrosos que correram e o abandonaram por medo das conseqüências, depois de sua morte tivessem coragem para profanar o sepulcro e roubar o seu corpo?

O sudário no decorrer dos séculos foi muito bem escondido pelos cristãos. Se qualquer judeu soubesse da sua existência teriam destruído. Talvez tenha sido esta razão porquê nenhum evangelista o citou em seus escritos. O caminho do Sudário foi muito difícil de segui-lo durante estes séculos, mas citaremos alguns:

-Logo após a morte de Jesus, um dos seus discípulos chamado Addai, ou Tadeu, foi até a cidade de Edessa (hoje Urfa, na Turquia), atendendo a um chamado de seu rei, Abgar V, que estava muito doente,  Lc 10,1. Tadeu levava consigo um misterioso retrato que tão logo foi visto pelo rei ficou curado. Abgar converteu-se ao cristianismo e Edessa tornou-se a primeira cidade cristã no mundo.

-Após este acontecimento o "misterioso retrato"( nesta época o sudário foi cuidadosamente dobrado deixando aparecer somente o rosto do crucificado, tinha a aparência de um retrato e era chamado de Mandylion) foi escondido pelos cristãos num nicho(cavidade feita numa parede com muro para abrigar uma imagem ou algo de valor sagrado) sobre a porta ocidental da cidade de Edessa (Escritos do século VI d .C). A partir desta época (século VI da nossa era), começaram a aparecer pinturas com o rosto de Cristo baseadas no Mandylon.

- No ano de 943 as tropas do exército bisantino, a mando do rei de Constantinopla cercam Edessa para uma guerra, mas misteriosamente recebem uma notícia do rei dizendo-lhes para pouparem a cidade, libertarem os prisioneiros em troca do Mandylon. Assim o rosto de Cristo foi para Constantinopla.

-Em 1204, por ocasião da 4ª Cruzada composta por franceses, estes invadem Constantinopla destruindo tudo o que encontraram. Neste tempo o Mandylon desapareceu. No fim do século XIII, surgem rumores de que uma Ordem dos cavaleiros Templários formada por antigos combatentes das Cruzadas, faziam reuniões secretas venerando uma estranha imagem que representava a cabeça de um homem barbado. Diante de tudo isso, o rei da França manda prender todos os cavaleiros templários e tirar deles o Sudário. Dois deles são queimados na fogueira em março de 1314.

- Em maio de 1356, realmente o sudário aparece com a família de um dos templários que, para suprir as despesas da Igreja, começa a fazer exibições do sudário com fins lucrativos. Eles resolvem abrir o lençol como o vemos hoje.

- Em 1389 recomeçam as exposições com a autorização do Papa Clemente VII.

- Em março de 1453 a família daquele templário que herdou o Sudário o doa para uma outra família, a dos Savóias a quem passa a pertencer definitivamente.

- Em Junho de 1502 ele é guardado no castelo de Chamberry, onde 30 anos depois acontece um incêndio que destrói algumas partes, mas sem comprometê-lo. Dois anos depois do incêndio (1455) as Irmãs clarissas do convento de Chamberry assumem o conserto do lençol, colocando um forro de linho para protege-lo.

- Em 1898 é realizada uma outra exposição do Sudário em Turim na Itália e desta vez ele é fotografado.

- Em 1931 é feita uma nova exposição do Sudário e tiradas as fotos por um profissional.

- Em Junho de 1969 começam os estudos científicos sobre o Santo Sudário.

- Em 1972 um desconhecido tenta incendiar o sudário, não consegue pois existe um sistema de alarmes eletrônicos super moderno guardando-o.

- Em Setembro de 1978 foi a última exposição. Ele permaneceu por 40 dias e mais de três milhões de pessoas puderam contemplar o Santo linho.

Ritual de um Crucificado

1º) Fundamentado na Lei Romana, o condenado era açoitado até aguentar. Contudo, os carrascos tinham muita prática, sabiam onde e até quando bater. Não podiam açoitar na região anterior ao tórax, região do coração, pelo fato de ser morte imediata.

2º) Na Lei judaica, eles seguiam o que dizia Dt 25,1-3, que determinava 40 chibatadas. Usava-se o flagrum, composto de um cabo curto ao qual estavam ligadas duas ou três tiras de couro, em cujas extremidades se fixavam ossos ou pedaços de chumbo.  Era o juíz quem determinava se o crucificado deveria ser sepultado ou não. Os que não eram sepultados o corpo permanecia na cruz até ser totalmente devorado pelos aves de rapina e pelos animais selvagens.

A morte de cruz geralmente se dá por asfixia.

O que nos conta o SUDÁRIO?

Se diz que ele é o Evangelho do século XXI, ou ainda o 5º evangelho. Através da compreensão da sua imagem é possível reconstruir a Paixão de Jesus Cristo em todos os detalhes. Exemplos:

a) A COROA DE ESPINHOS - Ela não fazia parte do ritual da crucificação. Nenhum crucificado antes de Jesus recebeu uma coroa de espinhos. Na Palestina existe um espinheiro (que hoje é chamado coroa de Cristo). Ele atinge cerca de 5 cm de cumprimento. Pelas marcas do Santo Sudário, estes espinhos foram amarrados com cipós de junco. No sudário foram contadas mais de 45 perfurações. Quando o colocaram na cruz lhe tiraram a coroa de espinhos. Os açoites eram feitos com o condenado nu. Nestes momentos Jesus devia estar com a coroa de espinhos na cabeça. Quando levou a cruz pelas ruas puseram-lhe uma túnica que fora tecida por sua mãe, e que não tinha costuras, somente um orifício para ser vestida pela cabeça. Foi esta a túnica que foi sorteada pelos soldados romanos, que não a dividiram por não ter costuras. Jo 19,23.

b) AÇOITAMENTO - No sudário verificou-se duas direções bem específicas, uma de cada lado do corpo. Pode-se deduzir claramente que duas pessoas o açoitavam ao mesmo tempo. As marcas ultrapassam o número de 120 açoites. Se considerarmos que os açoites tinham duas ou três pontas o número de golpes foi bem mais de 40 como determinava a lei, em Dt 25,3 "Não deverá sofrer mais de 40 golpes...", e mais ainda do que o que dizia a lei dos fariseus, que era 40 golpes menos 1, ou seja 39. Os que bateram em Jesus eram experientes no ramo. Como pode ser observado nas marcas do Sudário eles não deram nenhum golpe na parte anterior do tórax, na região do coração, pois se assim o fizessem a morte seria imediata. Pelas marcas puderam perceber que Jesus estava totalmente despido e amarrado a uma coluna, com o rosto voltado para ela e os braços para cima.

c) COMO JESUS CARREGOU PARTE DA CRUZ -  É certo que somente a peça horizontal foi carregada por ele (patibulum). Foram amarradas cordas em seus braços para evitar a fuga. No sudário foi verificada lesões profundas na região dorsal o que corresponde a alguma coisa bastante pesada que fora transportada por ele apoiada naquela região. No deslizar para um lado e para o outro formou duas feridas. O que se percebeu é que a madeira não estava em contato com a pele, havia uma proteção, o que se supões ser a túnica. As ruas de Jerusalém eram bastante irregulares, fazendo que Jesus tropeçasse por várias vezes. Foram encontrados muitos ferimentos no rosto e no joelho esquerdo o que mostra que Jesus era destro. Sem o auxílio de alguém para ajudá-lo carregar o madeiro, jamais ele teria chegado ao monte do Gólgota com vida.

d) CRUCIFICAÇÃO -  Chegando ao lugar determinado, o stipes já estava fincado no chão. Esse local ficava a 600 metros do Palácio de Pilatos. Jesus é colocado no chão, tiram-lhes a roupa e um carrasco começa a pregá-lo(o prego possuía 17 cm de comprimento por 1 cm de largura) no patibulum. Experiências realizadas por um cirurgião francês, Pierre Barbet, mostraram que a mão não possui estrutura suficiente para aguentar o peso de um adulto suspenso por pregos. Jesus foi pregado na região do carpo (entre o pulso e a mão), isto também foi comprovado no exame do Sudário. Depois de ter suas mãos pregadas, os soldados o ajudaram a caminhar até o stipes onde o patibulum foi encaixado. Alguém segurou o seu corpo enquanto outro juntava seus pés (sua perna direita ficou embaixo da esquerda)e o pregava com apenas um prego.

e) COMO SE DEU A MORTE -  Já sabemos do sofrimento do condenado para respirar. Observando as marcas do Sudário, pra evitar que o crucificado fosse retirado da cruz ainda com vida, algum soldado dava-lhe o golpe de misericórdia que consistia num golpe de lança no coração. Em Jesus o golpe foi dado entre a 5ª e a 6ª vértebra, no lado direito do tórax. Neste momento, porém é possivel que ele  já estivesse  morto.

f) O QUE A CIÊNCIA DIZ SOBRE O SUDÁRIO - Vários cientistas e fotógrafos têm-se interessado por este pano misterioso. Mas, o caso mais pitoresco que nem os cientistas perceberam, foi o que descobriu um câmera man na televisão em novembro de 1973, onde por algumas horas o Sudário ficou exposto. Usando uma acoplador e um analisador formou-se a imagem do Sudário em três dimensões. Esta prática é usada pela NASA para pesquisas espaciais. Separando os ângulos verificaram muitas coisas que permaneciam desconhecidas, como por exemplo:

- O cabelo de Jesus foi trançado na nuca, formando uma espécie de "rabo de cavalo", o que nos mostra que ele tinha o cabelo até os ombros.

- Sobre os olhos de Jesus (?)  havia duas pequenas moedas. Era costume entre os judeus enterrarem os seus mortos com moedas nos olhos.

Em 1978 um outro tipo de fotografia foi usado, a colorida. Depois de mais de 10 horas de trabalho descobriram um impressionante vermelho nas marcas de sangue.

Terminada nossas consideraçoes, alguns questionamentos ficam para todos nós:

1. Se tantos foram os crucificados, por que preservou-se somente a mortalha com tantos detalhes a imagem de um só crucificado?

2. Por que homens de pesquisas, muitas vezes descrentes da existência de um Ser superior deixam suas atividades e se dedicam exclusivamente ao exame deste pano convencendo-se e se curvando diante de um Pai criador?

3. Por que milhares de pessoas de todo o globo terrestre se deslocaram em 1978 para conhecerem e se prostrarem diante de um simples lençol?

Acreditamos que o Santo Sudário representa uma grande prova de amor concreta e visível de Deus às pessoas que nasceriam depois do acontecido. É o retrato perfeito do sofrimento e morte de Jesus. É algo que pelo poder de Deus chegou até nós. Quem sabe, Deus em sua infinita bondade e conhecedor do coração humano cheio de desconfiança e com facilidade de esquecer-se do sofrimento de seu salvador, deixou que este lençol ultrapassasse o tempo, para nos mostrar hoje que a violência continua numa sociedade injusta onde se pode ver a face sofredora do Cristo, nas crianças abandonadas, nos jovens desorientados, nos povos marginalizados e nos idosos desprezados (Puebla 31-39).