OS SANTOS AVÓS

                         No dia 26 de Julho a Igreja celebra o dia dos avós, em lembrança aos pais de Nossa Senhora: Ana e Joaquim. Embora nos Evangelhos não haja qualquer menção sobre eles, há, no entanto, na segunda epístola de Paulo a seu amigo Timóteo, o exemplo de como a fé dos avós pode influencia toda uma geração: “conservo a lembrança daquela tua fé tão sincera, que foi primeiro a de tua avó...”. (1, 5a). Também no Proto-evangelho de Tiago (um documento do século II), há a história desses dois santos que até hoje são lembrados como modelos de avós.

Conta à tradição que Ana, mulher de idade avançada e estéril (situação bastante desconfortável para uma mulher judia), dirigiu-se em fervorosa oração ao Senhor e fez uma promessa que se tivesse um filho iria consagrar a Ele. Apesar da idade avançada do casal, um anjo do Senhor apareceu a Ana, comunicando-lhe que ela ficar grávida e dar a luz a uma menina. Como o anjo havia dito, nove meses depois eles tiveram a graça de ter uma menina abençoada a quem batizaram de Maria.

Ana se torna mãe, diz o Proto-Evangelho de Tiago, mesmo sem a participação humana de seu marido, que havia ido para o deserto também implorar a Deus por um filho, pois já não agüentava a vergonha por ser olhado com desdém pelos amigos, pelo fato de não ter descendência. Ser formada no seio de sua mãe sem a intervenção humana foi uma das razões porque Nossa Senhora recebeu o título de: “Concebida sem pecado”, e “Imaculada Conceição”.

Conta o mesmo documento que aos três anos de idade, Maria é levada ao templo para servir ao Senhor e cumprir o voto feito por sua mãe, a qual pouco tempo depois morre.

 

 O culto para com os pais de Nossa Senhora é muito antigo, sobretudo entre os cristãos gregos. Tal devoção estendeu-se também lentamente por todo o Ocidente a partir do séc. X, chegando ao seu máximo desenvolvimento no século XV. A festa de Santa Ana foi instituída em 1584 e até hoje temos espalhadas pelo mundo milhares de paróquias que a tem como padroeira.

Sabemos que o comércio aproveita todas as efemérides (datas comemorativas) para obter lucro, sem pensar no sentido afetivo ou religioso da data. Porém, para nós católicos que sabemos tratar-se de um dia de recordação aos pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, é uma lembrança maravilhosa, pois são também nossos avós, já que consideramos Maria nossa mãe e Jesus Cristo nosso irmão. Sabemos que, infelizmente, nos dias de hoje, para muitas crianças os avós são a única referência de estabilidade, afeto, atenção e segurança que elas conhecem.

Quem é que não se lembra da casa de seus avós? É um lugar aconchegante e gostoso, nos dando a verdadeira idéia do que seja uma família. É lá que somos paparicados, enchidos de carinho; diz um poeta popular que “a casa dos avos é um lugar de encontro de quem quer se encontrar”.

A casa de nossos avós é onde podemos considerar nosso porto seguro, ponto de encontro de uma cultura celebrada ao longo das gerações de uma família, lugar de contribuições e memórias através de histórias da família, fotos antigas, uma riqueza sem par de tradições religiosas, lugar natural de encontro das diferentes culturas que nascem a partir da união de um novo lar, em cada família fundada pelos filhos e noras, ou pelas filhas e genros. Sem esquecer que a casa de nossos avós é onde estão as melhores guloseimas que se tem notícia; portanto, é lá onde se encontra o papel fundamental para a integração de uma família. Assim, nada mais justo do que celebrar São Joaquim e Santa Ana como o arquétipo de todos os avós do mundo.

Acredito que celebrar o dia dos avós hoje significa celebrar a experiência de vida, reconhecer o valor da sabedoria adquirida, não apenas nos livros, nem nas escolas, mas no caminhar pelos longos anos de conhecimento, no convívio com Deus, com as pessoas e com a própria natureza.

O Papa João Paulo II, devoto dos dois santos, dizia que São Joaquim e Santa Ana são “uma fonte constante de inspiração na vida cotidiana, na vida familiar e social”.

Também aprendamos com Jesus que um dia (talvez pensando na educação que recebeu de seus pais terrenos ou em sua mãe, educada por seus avós) disse: “pelos frutos se conhece a árvore”...Mt 12,33b. Apreendemos que a Virgem Maria é o grande fruto que Ana e Joaquim deram à humanidade. O certo é que pela santidade do fruto concebido (Maria), podemos presumir a santidade de seus pais.

Encerramos nossa reflexão com o pensamento de Santa Teresa de Jesus, que costumava colocar os conventos que fundava sob a proteção de São José e Santa Ana, argumentando tal fato com a seguinte frase: “A misericórdia de Jesus é tão grande por nós que por nada deixará de favorecer a casa de sua gloriosa avó”.

Diz à tradição que, devido a sua história, Santa Ana é considerada a padroeira das mulheres grávidas e dos que desejam ter filhos.