O DESAFIO DE SER MISSIONÁRIO

 

            Outubro sempre nos traz à memória a grande dimensão da Igreja como povo de Deus, que é ser missionária. Sabemos que todo batizado traz em si o compromisso da missão, principalmente o catequista que assume essa responsabilidade de ser testemunha do Evangelho.

Quando paramos para pensar o que representa o mês missionário no contexto cristão, descobrimos que ele está voltado ao bom emprego dos nossos talentos, dons e carismas a serviço do irmão, uma vez que a missão é fruto ou conseqüência de tudo isso.

            Mas, pensando bem, o que é ser missionário (a)? O senso comum nos diz que é levar “ao pé da letra” o que Jesus diz: “Portanto, ide fazer discípulos entre todos os povos”...(Mt 28,19). Isso nos leva a questionar: Onde?... Quando?... Como?... Por que?...

Onde? No lugar em que nos sentirmos chamados, sabendo que pode ser em qualquer local, não necessariamente em outro Estado, País etc., às vezes até mesmo dentro de nossa própria casa. O Espírito Santo nos dirá o lugar exato onde Deus quer que sirvamos. O que se faz necessário é estarmos atentos aos sinais, mensagens que Ele nos envia, pois quase sempre estes vêm de uma forma muito sutil.

 De uma coisa temos certeza: o Senhor está constantemente a nossa volta, nos protegendo e nos cuidando. É como diz o Salmo (139/138), “Senhor tu me sondas e me conheces: sabes quando me sento e quando me levanto, de longe vês meus pensamentos... não chegou a palavra à minha língua, e tu, Senhor, já a conhece toda”.

Como sabemos, não existe um espaço geográfico indicado, pois o missionário deve estar disposto para ir onde for necessário, levando a Palavra de Deus e seus ensinamentos como também a alegria e felicidade, afinal de contas ele está trazendo a Boa Nova de um Reino de amor que deve acontecer.

Quando? A partir do momento em que sentimos aquele chamado especial, quando sentimos aquela vontade de servir ao Senhor “porque é Deus quem, segundo o seu benévolo desígnio, que realiza em vós o querer e o fazer”. (Fl 2, 13). Assim, impulsionados pela força do Espírito Santo, nos vem a vontade de fazer algo pelo outro sem nenhuma explicação, uma felicidade perene, algo que inunda o nosso coração. Nesse momento devemos nos deixar conduzir por Ele, alargar nosso horizonte  espiritual, deixar que o Espírito Santo nos encha de graças e bênçãos  e nos deixar ser levados além do nosso próprio espaço, sair, nos doarmos, sermos testemunhas da fé e do Reino, como faz cada catequista em suas comunidades.

Como? Em primeiro lugar pelos dons e carismas, através dos quais somos capacitados para o serviço do Senhor, uma vez que “há diferentes atividades, mas um mesmo é Deus que realiza todas as coisas em todos. A cada um é dada a manifestação do Espírito em vista do bem comum”. 1º Cor 12, 6-7.

Além disso, temos a liberdade de ação que o Senhor presenteou a cada um de nós: liberdade de pensar, agir e servir. Não podemos esquecer que a palavra missão deriva do termo latino “missio” que quer dizer “libertar”, deixar livre, ser livre. Nesse contexto, tem sentido o Ide de Jesus, Ele não nos prende, pelo contrário, nos liberta do medo, do comodismo, nos dando força para sair e anunciar, não ficar parado e nem acomodado, afinal, na seara do Senhor há defasagem de trabalhadores: “a messe (colheita) é abundante, mas os trabalhadores são poucos” (Mt 9,37). Jesus nesse texto usa a comparação do agricultor  para descrever a importância da missão na Igreja.

Por que?  Pelo fato de sermos cristãos, filhos de Deus e seguidores de Jesus. Quando assumimos (e isso inclui o catequista) o chamado de Jesus, isso inclui além de segui-lo, ser possuidor de um espírito missionário, não temer as críticas, injustiças, humilhações ou qualquer outra situação constrangedora. Devemos ir ao encontro do outro, acolher, anunciar, partilhar, levando a comunidade a se sentir privilegiada da missão universal: Revelar o amor gratuito de Deus.

            Acredito que nesse mês missionário cada catequista deve se sentir único, por ser um instrumento usado por Deus para fazer com que milhares de crianças, jovens e adultos recebam com amor a sua Palavra, e por viver, falar e testemunhar o que anunciaram. Esta é a mais sublime das missões que alguém poderia desejar: “Como são bem-vindos sobre os montes os pés do mensageiro da boa nova...”. Is 52, 7a.