TEMPO DE PLANTAR, TEMPO DE COLHER...

(Texto escrito por ocasião dos 80 anos da revista Rainha dos Apóstolos para quem a autora escreve há 6 anos)

O tempo e a eternidade são duas categorias complementares para a compreensão do processo histórico. Diz um sábio judeu no Livro do Eclesiastes: “Tudo tem seu tempo, e o momento certo para cada propósito debaixo do sol. Tempo pra nascer...tempo de construir...tempo de buscar...tempo de guardar...tempo de amar...tempo de paz” . Eclesiastes 3,1-8.

 

Ao completar 80 anos, a revista Rainha dos Apóstolos denota  a duração de uma vida, daí podendo significar um relacionamento estreito com o passado e também com o futuro, é como se fosse uma fórmula de eternidade.

 

Uma das palavras usadas no Antigo Testamento para tempo como duração de uma vida, ou eternidade, é olam. Longo tempo  na Bíblia tem o significado de “para sempre”, ”de geração a geração”. Sabemos que a vida humana na terra é limitada  não podendo ser a base da duração interminável, mas o fato de Deus nos amar, nos proporciona a condição de vivermos para sempre. Por esta razão Jesus declarou: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra viverá. E quem vive e crê em mim jamais morrerá” (Jo 11, 25-26).

 

Isso explica porque tempo na Bíblia tem o sentido de passado presente e futuro; o que melhor nos permite entender a afirmação sagrada que diz acerca de Jesus “ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre” (Hb 11, 8).

 

Quando celebramos os 80 anos da “Rainha dos Apóstolos”, não podemos nos fixar apenas no temporal, mas partirmos para uma análise mais profunda, reconhecendo também o valor dos frutos que este tempo produziu; afinal são quase 900 edições que multiplicadas pelo número de tiragem forma uma quantidade quase incontável de revistas distribuídas anualmente.

 

Biblicamente o número ia além do seu significado comum. A numerologia bíblica nos permite enxergar os números muito mais pelo seu valor simbólico do que pelo seu significado numérico; razão porque algumas expressões fixas bem conhecidas de todos nós, fugiam do seu significado comum. Constatamos isto nos números quebrados e sobretudo nos chamados números arredondados.

 

Pedindo licença aos gemátrios (decifradores dos números no tempo bíblico) nos atrevemos a dizer que o número 80 poderia ser o 70 (dez vezes perfeito) acrescido do 10 (um tempo considerável).

 

Analisando o número 70, ele traz em si a universalidade/totalidade. É algo abrangente, importante no âmbito da missão. Por causa do descontentamento de um número considerável de estrangeiros que se havia ajuntado ao povo de Israel por ocasião do Êxodo, Deus ordenou a Moisés que escolhesse 70 anciãos para ajudá-lo em sua tarefa (Nm 11,16). Este texto encontra paralelo na comunidade primitiva onde os 70 anciãos são reduzidos a 7 com o mesmo objetivo (At 6,1-6). Jesus após haver escolhido os 12 discípulos, vai mais além nomeando outros 70 (72 em algumas versões) entre eles, os quais designou para a missão de evangelização (Lc 10, 1).

 

Quanto ao número 10, como cifra redonda é a representatividade da importância da missão de liderança e da mensagem de Deus para a humanidade. Indica algo considerável. Em Gênesis 5 há 10 patriarcas antes do dilúvio, e em Êxodo 20, os mandamentos incorporando a vontade de Deus são 10. Portanto o número 70 como totalidade e perfeição, acrescido do 10 ligado a missão, complementam com maestria o número 80, período onde a Revista Rainha dos Apóstolos cumpriu a sua missão na busca de um apostolado universal em torno do que Maria, a Rainha dos apóstolos, nos trouxe como exemplo.

 

Pallotti, pensando no que Maria poderia ter-nos dito, afirma que devemos nos esforçar para nos assemelharmos em tudo com Jesus Cristo seu filho muito amado, porque com zelo e persistência no que fazemos exercitaremos nossos carismas e dons, tanto nas grandes como nas pequenas coisas. É na vida dos cristãos leigos e consagrados que é necessário muito mais fazer do que falar.

 

Parabéns a Revista Rainha dos Apóstolos por estes 80 anos de existência. Tanto diretores como colaboradores, ambos imbuídos do amor a Deus e ao próximo e da missão de ajudar na construção do Reino,  podemos nos alegrar juntos na certeza  de que a caminhada continua...