Ter fé: uma decisão sábia

O “ano da Fé”, criado pelo Papa Bento XVI, teve como um dos propósitos chamar a atenção de todos os católicos para a fé que pode ainda ter espaço em nosso mundo moderno e tecnológico, e que o capitalismo selvagem que assola cada país trazendo o consumismo exagerado, o egoísmo, as guerras, a fome, além das consequências da miséria, não deve fazer com que os cristãos se calem, mas proclamem sua fé num Deus do impossível, descobrindo que a oração tudo pode, que buscar a Deus em todos os momentos é o caminho. Não esquecendo que fomos criados por Deus como obra do Seu amor. “Pensai bem com que amor o Pai nos criou, para sermos chamados filhos de Deus” (1Jo 3,1).

Nós, como catequistas e propagadores da fé, devemos ficar atentos às palavras do Papa Bento XVI neste documento que, com muita sabedoria, chama a atenção para os que estão inquietos com o amanhã, mas não fazem nada de concreto para que haja mudanças, para que todos tenham um futuro feliz com Deus. Já dizia o salmista (33,12) que “Feliz e bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor”! O que vemos hoje são nações que falam de Deus, mas não agem como tal.

Preocupado em fazer memória, legitimar e colocar em prática os 50 anos do Concílio Vaticano II, o Papa lançou em seu documento palavras duras, mas verdadeiras a respeito de existência real da fé. Diz ele que hoje há uma "maior preocupação das pessoas com as consequências sociais, culturais e políticas da fé do que com a própria fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária". Portanto, de acordo com o pensamento de Bento XVI o que deve se tornar mais importante para os cristãos atuais  em relação a fé é fazer dela o caminho que vai levá-los a por em prática a vontade do Pai.

Isto justifica o significado da palavra fé: do latim fides, revela a confiança que depositamos na palavra ou em alguém. Quando este alguém é o nosso Criador, o nosso Deus e Senhor, a fé adquire uma importância sem par. Num trecho do Catecismo da Igreja Católica também (142/3) é feita alusão à fé como resposta da humanidade à sua manifestação.

Desta forma, podemos refletir as palavras do escritor da carta aos hebreus sobre o poder da fé e tê-las como verdadeiras: “A fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem” (Hb 11,1). Percebamos  que a fé verdadeira é totalmente fundamentada na confiança em Deus e em Sua Palavra e não nas circunstâncias, e que ela só deve fazer sentido quando aponta para o Nosso Senhor,  que protege e  guarda a todos os que o amam (Sl 145,20).

Amigos catequistas é hora de, como missionários do evangelho, possuirmos uma fé que possa ser partilhada e servir como exemplo aos nossos catequizandos, tão inseguros e ávidos na busca de uma fé sólida como a rocha que é Jesus Cristo. Este fez questão de mostrar que a presença da fé, mesmo de forma tão minúscula como “um grão de mostarda”, faz a diferença (Lc 16,7), e que sem ela “é impossível agradar a Deus…” (Hb 11,6).

Meus irmãos e irmãs catequistas, a fé não deve ser egoísta e fechada em nós mesmos, ela deve produzir o desejo de missão, de por em prática nossa vocação. Aprendamos com a Palavra de Deus que nenhum de nós deve possuir uma fé voltada para nós mesmos, mas espalhá-la ao nosso redor. Como bem disse o apóstolo Tiago: “Porque, assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta.” (Tg 2,26).

Esforcemo-nos para transmitir aos outros a fé como ela deve ser: viva, ativa e eficaz, caminho certo do seguimento a Jesus, tendo a certeza de que podemos (é só querer) transformar nossa vida pela fé; Jesus demonstrou isso em várias ocasiões, uma delas foi na cura do cego de Jericó quando disse: ”Vai, a tua fé te salvou! Imediatamente ele tornou a ver e seguiu a Jesus” (Mc 10, 52).

Aprendamos a cada dia cultivar a nossa fé, até mesmo com quem nem mesmo foi cristão. "A força mais potente do universo? - A fé." (Madre Teresa de Calcutá). E voltando ao nosso Papa Bento XVI, não esqueçamos algumas de suas sábias palavras: "Os católicos devem estar atentos e vigilantes, porque existem forças e grupos que querem destruir a fé".

Uma boa catequese a todos!