UM NATAL DIFERENTE

  

            Nós cristãos, quando pensamos no Natal, nos lembramos de alguns fatos e pessoas importantes, entre os quais os principais: Jesus, Maria e José. Talvez não nos detemos nos evangelistas que narram a história, no caso apenas Mateus e Lucas, sendo que o segundo é generoso nos detalhes, acrescentando alguns que só aparecem nele. Quem era Lucas?

            Um médico de renome que possivelmente tinha seu consultório em Antioquia da Síria, seu local de nascimento. Pertencia a uma família abastada, era sírio de nascimento, amigo dos apóstolos e principalmente de Paulo, o qual tinha por ele um grande apreço. Ele se refere a Lucas por diversas ocasiões com muito carinho. (Cl 4,14; Fm 24; 2Tm 4,11).

Lucas, infelizmente não conheceu Jesus, mas por certo teve o privilégio de conhecer e até conviver com Maria, sua mãe. Talvez daí tenha vindo a sua preferência e inspiração de iniciar seu evangelho narrando, com detalhes, a chegada do Filho de Deus à terra, e do papel primordial de Maria nessa história da salvação.

            Alguns historiadores sagrados colocam que o conteúdo do primeiro livro de Lucas (ele escreveu também o Atos dos Apóstolos), foi resultado de longas horas de conversas e depoimentos de Nossa Senhora a ele. Particularmente sabemos (quem é mãe) que amamos contar como se deu o nascimento e a infância de nossos filhos. Por certo, Maria deu “essa entrevista a Lucas”, com mais carinho ainda, pelo fato de que seria posteriormente a “Boa Nova” e a esperança de centenas de cristãos que sofriam na época, pelas perseguições que se abatiam sobre eles.

Um outro fato relevante que gostaria de mencionar é que Lucas possivelmente escreveu seu Evangelho poucos anos depois do ano 70 (entre 70 e 90), quando Jerusalém foi destruída pelos romanos, o que deixou os cristãos ainda mais amedrontados, abalados e inseguros, sem saber para onde ir, pelo fato de sofrerem, a partir dali, dupla perseguição: dos judeus e romanos.

Lucas entendeu a necessidade de dar ânimo a estes irmãos que sofriam e, com o coração cheio de ternura e tendo a certeza de que Jesus veio para todos, ele conta que o salvador dos homens veio ao mundo através de uma mocinha pobre e esquecida de Nazaré que amava a todos sem distinção. Diz também que Deus a escolheu como modelo, tanto de humildade e obediência, como de coragem, por amar a todos sem distinção, ter força de vontade e fé inabaláveis. Talvez por isso, Lucas dá grande importância em seu Evangelho aos pobres, as crianças e as mulheres e principalmente a mocinha de Nazaré.

            Como a comunidade de Lucas é formada em sua grande maioria por pessoas vindas de outras culturas que não a judaica, chamada de “mundo pagão”, e como estes desconhecem os costumes e tradição dos judeus, o evangelista chama a atenção para o contexto judaico.  Para ele Jesus não veio ao mundo apenas para os judeus, mas para todos, por isso coloca em seu nascimento o contexto romano:

- 2,1 => o decreto de César Augusto;

- 2,2 => o censo romano;

- 3,1 => o Império romano como governo do mundo, possivelmente mostrando que, o que ele está registrando ali tem significado para todas as pessoas e não apenas para uma pequena facção da sociedade. Só Lucas relata com detalhes a anunciação do anjo à jovem Maria e a infância de Jesus no contexto judaico, tendo como seus representantes Simeão e Ana.

Curiosamente Lucas coloca sempre em igual posição uma mulher ao lado de um homem, não como pregava a tradição judaica, que a mulher deveria ficar sempre atrás do homem, literalmente e socialmente falando.

            Um outro fator importante a ser lembrado é como Lucas sentia o silêncio de Nossa Senhora, dando a entender que tal fato se dava pela força e poder da oração que ela possuía, costume que transmitiu e reforçou no seu filho, a exemplo de Ana mãe de Samuel, a qual em silencio derramava sua alma perante o Senhor. (I Sm 1, 12-16).

Textos exclusivos de Lucas nos mostram uma mãe que ouvia e guardava tudo no coração, dialogava com o Pai em seu íntimo para depois, com clareza, propagar ao mundo (Lc 2,19. 51b). Mais tarde vamos encontrar (apenas em Lucas) várias passagens de Jesus em oração (3, 21 ; 5,16 ; 6,12 ; 9,18 ; 9,29 ; 11,1; 23, 34.46). Por certo que, quando Lucas cita as orações silenciosas de Maria, aponta mais tarde sua pessoa como única fonte de informações sobre detalhes da sua vida como mãe do salvador.

            Portanto, neste Natal, sejamos diferentes, busquemos a nossa conversão interior, tomemos Maria como nosso modelo, mudemos para melhor, busquemos novas alternativas enriquecendo cada vez mais esse grande evento da vinda do Senhor. Assim, deixo como sugestão aos catequistas uma pequena dinâmica de natal.

DINÂMICA

 

ü      Objetivos: criar nas crianças o verdadeiro espírito do natal e a forma moderna de anunciar Jesus, através de um jornalzinho de natal com duas páginas. Uma com a notícia do texto bíblico e outra com a mesma situação hoje. Por exemplo: o texto bíblico diz que Jesus nasceu em um lugar humilde, o jornalzinho falará de Jesus nascendo em um lugar pobre hoje, que pode ser embaixo da ponte, num barraco, etc. Uma semana antes, passar as crianças os temas a serem pesquisados hoje com enfoque no texto bíblico, que seriam:

-Hospedarias lotadas, o censo, o decreto do rei, os presentes dos magos, o local pobre do nascimento, a visita dos pastores, pessoas pobres e marginalizadas na época, tempo muito frio como situação de sofrimento para os que não tem casa etc.

ü      Pedir às crianças que assistam aos jornais da televisão, leiam notícias nos jornais, tragam fotos de acordo com o que vão fazer.

ü      Dividir as tarefas em pequenos grupos.

ü      Como fazer?

Ler com o grupo a história do nascimento de Jesus em Lucas depois com eles montar cada grupo um jornalzinho, tendo, uma página a notícia de Jesus e a outra a mesma notícia com semelhanças aos problemas enfrentados nos dias de hoje. Juntar todos numa única história e distribuí-los para a comunidade.

Um feliz e santo Natal a todos!