Vida sopro de Deus! Prof.ª Dita

 

A vida é  algo sobre o qual não temos o  controle final. Até podemos atentar sobre ela, mas não é um direito nosso. Existe um ditado popular afirmando: “todos querem ir para o céu mas  ninguém quer morrer”. Por que será que a morte é tão temida? Ou será a maneira de enfrentá-la  que nos assusta? Poucas são as pessoas que a vêem  como um acontecimento natural da vida. Cada povo, no decorrer de sua existência, através de sua cultura, linguagem e costumes, enfrentou a morte de uma maneira.

 

 No pensamento do povo de Israel, após o Exílio, a morte não era objeto de temor, a não ser a provocada pelo próprio homem, o suicídio. Também não era vista como um castigo divino, pois acreditavam que Deus não havia criado o homem e a mulher para morrerem, mas, para viverem para sempre. A vida era para eles um presente valioso de Deus e nunca um fardo pesado e difícil de carregar, por esta razão, o suicídio era considerado uma negação da vida, um desrespeito e desobediência ao Criador.

 A morte como um fato em si, significava para este povo a perda das forças; como algo que ia esvaziando-se do corpo deixando-o inerte. Era o “sopro de Deus”, ou a perda do hálito divino saindo daquele corpo. Morrer era simplesmente parar de respirar. (1Rs 17,17).

 

 Mesmo sem perceberem a importância da ressurreição, de uma nova vida e de uma salvação eterna, o israelita do Antigo Testamento ia vagarosamente compreendendo que era muito amado pelo seu Criador. Nasce assim a  esperança de unir-se a Ele, e desta  forma, nem a morte poria  um fim a esta união. “Embora o meu corpo e o meu coração morram, Deus é a rocha do meu coração e a minha herança para sempre.” (Sl 73,26).

 

 Algo decisivo é colocado no texto do profeta Ezequiel, já com uma esperança bem semelhante ao que hoje acreditamos sobre a ressurreição. Numa visão do profeta, Deus lhe diz: “Vou colocar em vós o meu espírito, para que voltes a viver” (Ez 37,14). 

Para os judeus  do tempo de Jesus, a morte já havia adquirido um jeito mais suave e mais leve de ser explicada. Segundo S. Lucas,  todos quando nascemos, recebemos o Espírito Santo de Deus e quando morremos o devolvemos.(At 17,25). Isto, talvez, espelhados na morte do próprio Mestre. “E Jesus inclinando a cabeça entregou o seu espírito” (Jo 19,30).

 

 Na comunidade dos apóstolos, influenciados ainda pelas palavras de Jesus, o novo povo cristão pensava sobre a morte como um acontecimento inevitável, mas tendo Jesus Cristo como uma grande luz após ela. (Mt 4,16). Deus  é a fonte da vida, e só Ele é imortal. (1Tm 6,16). S. Paulo acreditava que o sofrimento e a morte, eram a forma, o caminho total com Deus e a certeza da vida eterna. “Para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro” (Fp 1,21). Contudo, a morte pode ser vista no Novo Testamento também no sentido figurado. S. João nos diz que, aqueles que se separam da Igreja onde se proclama a palavra  de Jesus, que é vida, está  prestes a morrer. (Ap 3,2). E se alguém guardar as palavras do Mestre em seu coração e em sua vida, não verá a morte eternamente. (Jo 8,51), mas passará dela para a vida, principalmente se durante a sua existência na terra amou a Deus e aos seus irmãos. (1Jo 3,14).

 

Na certeza da salvação e de uma nova vida junto a Jesus Cristo, para nós os cristãos de hoje, identificados com o modo de pensar dos cristãos primitivos, a morte física adquire um outro aspecto. Se já morremos com Ele, viveremos com Ele (2Tm 2,11). Vivendo ou morrendo, somos do Senhor. (Rm 14,8). A morte não separa de Deus o ser humano que tem fé, pelo contrário, leva-o à sua origem e a totalidade da vida.

 

 O medo de morrer só persiste naquele que se imagina separado  do amor de Deus, ou não o conhece verdadeiramente. Estejamos certos, como bem disse S. Paulo, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem o presente, nem o futuro, nem as virtudes, nem a profundidade das coisas e nenhuma criatura poderão separar-nos do amor de Deus, que está em Jesus Cristo, Nosso Senhor. (Rm 8,18).

 

Assim, a morte como sinônimo de medo, angústia, tristeza, solidão e sentimento de perda, não terá lugar em nós, mas apenas  a certeza de que somos amados e escolhidos por  Deus, e que ele demonstrando este infinito amor, nos deixou o seu Espírito, o qual permanecerá entre nós para sempre. Em suma, viver plenamente é crer, amar e acreditar nos preceitos e exemplos de Jesus, com uma única condição: Crer nele e amar-nos uns aos outros...(1Jo 3,23).