A VOCAÇÃO DE APÓSTOLO

Ser apóstolo ou apóstola de Jesus em todos os tempos requer uma gama forte de coragem, desprendimento, confiança em Deus e fé. Todos os apóstolos de Jesus foram seus discípulos, embora nem todos os discípulos (fora do grupo dos doze) tenham sido apóstolos.

            Para que alguém se torne um apóstolo antes deve ser um fiel discípulo. Não existe diferença entre os dois títulos, apenas se completam. Um deve ser a seqüência do outro.

            Um discípulo é aquele que segue, caminha com seu Mestre, senta-se aos seus pés e escuta. Se este Mestre for Jesus o ensino é muito mais completo, pois Jesus é a Sabedoria real e o intérprete da vontade de Deus.

            A palavra discípulo como prenúncio de apóstolo, aparece mais ou menos 250 vezes no Novo Testamento, curiosamente somente nos evangelhos e no Livro dos Atos e sempre direcionado aos doze. Os amigos, seguidores e discípulos de Jesus estiveram sempre atentos aos seus ensinos bem como a sua pessoa, assim foram considerados apóstolos e testemunhas de como Ele viveu, morreu e ressuscitou.

            A palavra “Apóstolo” etimologicamente vem do aramaico (língua falada por Jesus) que significa enviado, mensageiro. Nos Evangelhos esse nome foi aplicado aos 12 discípulos como foi mencionado acima, estendendo-se posteriormente a todos que tinham como missão levar a Boa Nova aos irmãos.

            As tarefas básicas de um apóstolo na Igreja primitiva compreendiam a missão, o testemunho e declaração de fé na ressurreição. Certamente que nem todas as testemunhas da ressurreição de Jesus tornaram-se apóstolos, pelo menos é isso que nos conta São Paulo na primeira carta aos coríntios. “Posteriormente Jesus apareceu a mais de 500 irmãos de uma vez, dos quais muitos ainda vivem” (15,6).

            Na comunidade dos primeiros cristãos, dois elementos eram essenciais para que alguém fosse considerado um apóstolo: ter visto o ressuscitado e ter recebido dele a ordem de testemunhar sua ressurreição. “Como o Pai me enviou, eu também vos envio (Jo 20,21), Ide, pois fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19)”.

            Como foi mencionado antes, nem todos que testemunharam a ressurreição de Jesus se tornaram apóstolos, mas todos os apóstolos foram testemunha dela, assim declara São Paulo. “Depois Jesus apareceu a Tiago, depois a todos os apóstolos e a mim” (1Cor 15,7s).

            É costume supor que os apóstolos de Jesus foram apenas os 12 chamados por Ele a ser seus seguidores. Mas por que só os 12? Antes de tudo sabe-se que o povo judeu tinha como marco maior de sua religiosidade a simbologia de alguns números e entre eles o 12. Número esse intimamente ligado com a imagem do Antigo Testamento.

 Ao escolher 12 homens judeus, Jesus ratifica a Aliança de Deus com as 12 tribos de Israel no monte Sinai. Ele dá todo direito aos apóstolos como antes havia sido dado aos descendentes dos patriarcas. Segundo São Mateus Jesus diz a Pedro: “Eu asseguro a todos vocês que quando o Filho do homem se sentar no trono da sua glória, vocês se sentarão em 12 tronos para julgar as 12 tribos de Israel” (Mt 19,28).

Desta forma, Jesus mostra que há uma perfeita continuidade entre a Antiga Aliança (12 tribos de Israel) e a Nova Aliança (12 apóstolos). A novidade, ou melhor, a Boa Nova do Mestre de Nazaré está na escolha dos 12 homens desconhecidos. Ele os convoca, os prepara e confia plenamente neles. Envi-aos a pregar sua Palavra, lhes dá toda autoridade a fim de realizarem prodígios e milagres. Torna-os apóstolos. Confere a eles os dons do Espírito Santo.”Recebam o Espírito Santo. A todos que perdoardes os pecados serão perdoados”... (Jo 20,22s). Sobre eles constituirá sua Igreja. Esses apóstolos serão a garantia da fidelidade de Deus à suas promessas, pois o Mestre estará perpetuamente com eles. “E eis que estarei com vocês todos os dias, até o final dos tempos” (Mt 28,20). Os 12 discípulos agora são seus apóstolos mensageiros do Evangelho e anunciadores do Reino que Jesus lhes trouxe.

Ser apóstolo, portanto é colocar em prática a vocação numa importante missão. É reconhecer que o batismo é a fonte e o início de toda vocação, é  assumir um compromisso com a comunidade, com o irmão que ainda não conhece verdadeiramente a Jesus, pois não se pode seguir e amar a quem não se conhece.Ser apóstolo hoje vai exigir de cada um muita coragem, discernimento e fé.

 Romper preconceitos, anular barreiras, colocar a construção do Reino de Deus em primeiro lugar é a meta de qualquer cristão que deseja ser um bom apóstolo. Disse Jesus: “Buscai, pois em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as outras coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6,33).

Avançar para águas mais profundas como sugere o ano vocacional é a grande pedida, sem medo algum, confiando no amor e proteção do Mestre dos Mestres, Jesus.