A VOCAÇÃO DOS DISCÍPULOS DE JESUS

(Homens e Mulheres)

 Existem comumente nos evangelhos duas palavras para o significado de discípulo: seguir e imitar; porém, a mais comum é seguir. Ela exprime o verdadeiro sentido de ser discípulo ou discípula de Jesus.

Seguir a Jesus significa romper com o passado, ter fé incondicional no Pai, imitar, acompanhar, ouvir e viver com Ele todos os seus momentos, portanto é uma exigência messiânica, um encontro com a salvação.

Seguir é, então, ser discípulo ou discípula com obediência absoluta a Jesus Cristo e, por conseguinte a Deus.

Somos acostumados a ouvir que as mulheres não foram discípulas de Jesus, mas apenas o seguiam. Será que não é a mesma coisa? Jesus quando se refere a quem poderia ser seu discípulo, diz: “se alguém”, quem quer que seja, “quiser seguir-me”, ser meu discípulo, “tome a sua cruz todos os dias” (Lc 9, 23).

Quando Pedro é chamado por Jesus a “segui-lo” (Mt 9, 9), e quando S. Lucas relata a visão das mulheres na ressurreição, referindo-se que eram aquelas que o “seguiam”, é colocada a mesma palavra. Portanto, as mulheres que tiveram o privilégio de descobrir primeiro sua ressurreição, eram suas discípulas.

A palavra discípulo vem do grego e significa “alguém que recebe instrução de um mestre ou professor”, “alguém que segue os passos do mestre”. Supomos que todas as pessoas um dia foram discípulos ou discípulas de alguém, pelo fato de que todo Ser humano, de uma ou de outra maneira, sempre quis aprender algo.

O seguimento a Jesus é um discipulado, uma resposta à vocação, é o sentarmos aos seus pés, escutar e aprender do Mestre, como fez Maria a irmã de Marta e Lázaro.

Conta-nos são Lucas (10, 38-42) que Jesus um dia chega à aldeia de Betânia aonde vai até à casa de seus três amigos, Lázaro, Marta e Maria. Lá encontra apenas as duas irmãs, que logo que o avistam correm a preparar a casa para recebê-lo. Marta, uma dona de casa prestimosa, cuida da limpeza, da comida que Jesus gostava e de preparar bem a mesa. Vendo que sua irmã Maria, ao invés de ajudá-la está aos pés do Senhor, se irrita e reclama a Jesus, de que ela não vinha ajudá-la. Jesus, carinhosamente lhe responde: “Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas, entretanto uma só coisa é necessária. Maria escolheu a melhor parte que não lhe será tirada”. O que é mais importante, servir ou escutar? Dar ou receber? Neste tempo os mestres e doutores não ensinavam as Escrituras às mulheres, mas Jesus é uma exceção à regra, ele veio para todos, e Maria aproveita os ensinamentos do Mestre e, aos seus pés torna-se discípula, ouvinte e praticante da sua Palavra.

Se a comida feita por Marta era necessária para a manutenção do corpo, muito mais importantes eram as palavras de Jesus, que alimentavam o espírito. Ele nos diz na parábola do semeador que as preocupações podem abafar a semente (sua palavra) e impedir que o discípulo ou a discípula ouça seu Mestre (Lc. 8, 14).

Marta é símbolo da vida ativa, enquanto que Maria da vida contemplativa. Como forma diversa as duas se complementam.

Na vida corrida de hoje, onde ninguém tem tempo livre ou ocioso, principalmente para as mulheres, muitas coisas parecem necessárias, como limpar a casa, preparar a comida, cuidar dos filhos e dos que dela dependem. Fazendo isto, de alguma estas mulheres supõem que estão servindo a Deus e estão, contudo é necessário algo mais para uma vida de conversão e mudanças: seguir a Jesus e  cumprir a vocação de discípula. 

Se naquele tempo já havia uma preocupação da parte de Marta com as tarefas domésticas, quanto mais hoje, que vivemos de forma intensa, tentando equilibrar o corre-corre cotidiano com a espiritualidade; e isto, embora seja uma  tarefa difícil, porém não é impossível.

Marta oferece a Jesus seu carinho através de seus serviços materiais. Ela trabalha e se estressa; não tem tempo para ouvir o Mestre, mas Jesus carinhosamente a repreende e a chama a juntar-se à sua irmã.

Pensemos no exemplo das duas irmãs e nos perguntemos: estamos agindo como Marta ou como Maria? Nos Inquietamos com tantas tarefas a cumprir? Não temos tempo para ouvir Jesus? É na persistência  da oração e do seguimento, que adquirimos força para a construção do seu Reino. É no silencio da oração, na escuta profunda e silenciosa, que Deus nos fala, e que alcançamos serenidade e discernimento.

Podemos tirar do incidente com Marta e Maria uma grande lição para nossas vidas, levando em consideração que Jesus sabia da importância do serviço de Marta, mas que naquele momento o escutar tornava-se imprescindível para  segui-lo  como discípula. Marta teria todos os dias da sua vida para os trabalhos de casa, enquanto que ter o privilégio de ouvir Jesus, era naquele momento uma oportunidade única. Nós também devemos aproveitar as oportunidades que temos de ouvir as palavras do Mestre, seja na missa, nas reuniões pastorais, nos cursos bíblicos, ou mesmo sozinhos em oração, pois também são oportunidades únicas em relação às atividades do dia-a-dia. Certamente isto nos capacitará a sermos melhores discípulos ou discípulas de Jesus.